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Brasileiro ex-Juventus entra na mira da seleção de Portugal

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Imagem: Reprodução

Marcus Alves

Colaboração para o UOL, de Lisboa (POR)

01/03/2019 04h00

Ao deixar o jogo logo após o massacre de 4 a 0 do Benfica sobre o Chaves, na última segunda-feira (25), o meia Gabriel Appelt, com passagens por Juventus e Leganés, foi o escolhido o melhor em campo e parou para falar com a reportagem da BTV, emissora oficial do clube, na saída do gramado. Uma sensação de estranheza pairou em suas palavras.

"Agradeço a Deus, só tenho mesmo que agradecer", resumiu Gabriel, antes de abandonar rapidamente a área de entrevistas.

Pouco tempo depois, ainda na mesma noite, a explicação através do técnico Bruno Lage: o brasileiro de 25 anos havia sido comunicado durante a tarde do falecimento de sua avó, responsável por criá-lo, e, mesmo assim, resolveu entrar em campo no confronto da Liga Portuguesa. Teve uma atuação soberba, dando assistência para um dos gols, acertando 75% de seus passes e passando 13 bolas com precisão.

No dia seguinte, nas páginas do jornal Record, um dos colunistas o definiu como "uma espécie de quaterback" pela qualidade de seus passes em profundidade. Outro fez um jogo de palavras e o batizou de "Gabriel, o Passador", uma referência, claro, ao cantor e empresário Gabriel, o Pensador. O seu sucesso desde que Lage assumiu o comando do time principal do Benfica em janeiro já extrapolou os limites do Estádio da Luz e chegou aos gabinetes da federação portuguesa.

Conforme apurado pelo UOL Esporte, ainda na primeira semana de fevereiro, foi feito contato com o seu estafe solicitando informações de seu passaporte europeu para uma eventual convocação da seleção local.

Com raízes familiares no país, o camisa 8 já possuía cidadania portuguesa antes mesmo de o clube resolver pagar 8 milhões de euros (R$ 33 milhões) por sua contratação junto ao Leganés, da Espanha, em agosto do ano passado. É nesse detalhe que reside a esperança de seus representantes de que uma chamada possa, de fato, vir a se concretizar no novo ciclo para 2022.

O técnico português Fernando Santos é sabidamente contra a política de naturalizar jogadores de outros países. Por esse motivo, recusou os nomes dos brasileiros Dyego Sousa e Jardel, atacante e zagueiro de Braga e Benfica, respectivamente, que conseguiram passaporte pelo tempo de moradia. Para Santos, esse expediente só deve ser adotado em última hipótese.

Gabriel, no entanto, se encaixaria em outro contexto, tendo laços efetivos com Portugal que precedem qualquer interesse em buscar espaço ao lado de Cristiano Ronaldo e companhia.

Os atuais campeões continentais largam na fase de grupos das eliminatórias para a Euro 2020 contra Ucrânia e Sérvia, dentro de casa, no fim de março. Para ser chamado por Fernando Santos, o carioca de Resende teria de superar a concorrência de nomes como Rúben Neves e João Moutinho, ambos do Wolverhampton, William Carvalho, do Bétis, e Adrien Silva, do Monaco, entre outros.

Outra alternativa, claro, seria aguardar por uma chamada do Brasil, que enfrenta um problema para encontrar um reserva para Casemiro. Allan, do Napoli, foi convocado nesta semana, testou Walace, ex-Grêmio, sem sucesso, e cogita trazer de volta o veterano Fernandinho.

Com passes que parecem ser teleguiados saindo de sua perna esquerda, Gabriel se prepara enquanto isso para confronto decisivo com o rival Porto, neste sábado (2), às 17h30 (horário de Brasília), no Estádio do Dragão. Em duelo direto pelo título, os donos da casa têm somente um ponto de vantagem sobre o Benfica na liderança da Liga Portuguesa.

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