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Inglês que fraturou crânio conta tudo em detalhes: "Bomba em minha cabeça"

Choque de cabeça sofrido em 2017 obrigou meia a se aposentar - Reprodução
Choque de cabeça sofrido em 2017 obrigou meia a se aposentar Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

25/09/2018 19h40

O futebol reúne muitas histórias de superação ou conquistas improváveis, mas poucas são comparáveis a de Ryan Mason. O ex-meia inglês se aposentou no ano passado, após um choque de cabeça no qual fraturou o crânio e correu risco de morte. Dezoito meses após o ocorrido, ele relembra tudo em detalhes em um texto publicado pela revista FourFourTwo.

“O jogo começou bem para nós. Eu estava duelando com N’Golo Kanté e era uma boa batalha. Alguns desarmes, 50% para cada um, mas nada desleal. Então, após 13 minutos, aconteceu”, diz o ex-jogador do Hull City, que enfrentava o Chelsea em Stamford Bridge, em 22 de janeiro de 2017, o último dia de sua carreira futebolística. “Eles tiveram um escanteio. A bola veio, eu pulei para cabecear e de repente senti uma força colidindo com meu crânio. Foi a pior dor imaginável.”

Mason chocou-se no alto com Gary Cahill, caiu e logo recebeu atendimento médico. Dali foi levado ao hospital, diagnosticado com traumatismo craniano e hemorragia interna, então submetido a uma cirurgia imediata. Durante horas, ele lutou pela vida. Muita coisa poderia ter acontecido de outra forma, e é por isso que ele se considera sortudo.

“As pessoas acham que eu não lembro, mas eu lembro. O médico correndo, a dor imensa, as verificações de praxe após toda lesão na cabeça... Seu corpo passa a um estado natural de pânico e uma autopreservação quando você se machuca seriamente — ele sabe quando há algo extremamente errado. A dor era insuportável, como uma bomba explodindo em minha cabeça, bem na têmpora”, conta o ex-jogador.

“O médico do clube, Mark Waller, tomou grandes decisões que moldaram a minha recuperação. Ele soube de cara que eu tinha fraturado o crânio e de que um dano cerebral era possível, porque todo o lado direito da minha face estava caído e paralisado. O motorista da ambulância queria ir ao hospital mais próximo, mas o doutor disse que precisávamos ir ao St. Mary’s [referência em Londres]. Nós passamos por outros dois hospitais até chegar lá”, lembra Ryan Mason.

“Aquela decisão provavelmente salvou minha vida. Se tivéssemos ido a um dos hospitais mais próximos, eu provavelmente teria feito uma radiografia e seria encaminhado ao St. Mary’s, o que teria desperdiçado um tempo precioso. Foi durante a tomografia que me senti pela primeira vez sem reação, e em poucos minutos estava em cirurgia. Se eu estivesse em qualquer outro lugar, as coisas poderiam ter terminado bem diferentes: fui operado 61 minutos após a lesão”, diz o atleta.

Ele conta que acordou meio zonzo, sentindo muita dor. Tinha que ficar em lugares completamente silenciosos porque “qualquer barulho era demais”. Somente seis meses depois os médicos sentaram com ele para explicar os procedimentos feitos: são 14 placas de metal na cabeça, com 28 parafusos para mantê-las no lugar.

Mason voltou a treinar no Hull City e esteve “a semanas de retornar” ao time principal em janeiro desde ano, mas uma nova tomografia mudou tudo. Após um ano de foco na recuperação do crânio, o exame mostrou que um novo choque poderia ocasionar lesões cerebrais. “Disseram-me que se eu voltasse a cabecear uma bola por um ano ou mesmo durante apenas seis meses, havia chance de eu ter demência ou epilepsia antes dos 29 anos”, conta Mason, que então se aposentou. 

Atualmente, Ryan Mason trabalha nas divisões de base do Tottenham, o clube de sua infância, e participa de programas esportivos na TV inglesa.

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