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Tite foi avisado por Andrés em janeiro: Corinthians teria cortes profundos

Superintendente de futebol participa de discussões sobre mudanças no Corinthians - Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Superintendente de futebol participa de discussões sobre mudanças no Corinthians Imagem: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

18/05/2015 06h00

A conversa ocorreu na casa de Tite no fim de janeiro e mostra como a questão financeira preocupa o Corinthians há bastante tempo. Ao treinador, Andrés Sanchez avisou que a fase das vacas gordas duraria enquanto a equipe estivesse na Copa Libertadores. Passado o torneio, salvo a conquista do título, seria a hora de cortar despesas e trabalhar com um time mais jovem e modesto. Hoje, a folha salarial ultrapassa R$ 9 milhões por mês.

Naquele momento, em meio a processo eleitoral, o então ex-presidente ainda previa um cenário melhor para os meses seguintes. Andrés Sanchez apostava, e dizia a parceiros políticos no Parque São Jorge, que o Corinthians poderia quitar dívidas e fazer novos investimentos com um empréstimo de até R$ 60 milhões.

Pouco a pouco, o número desceu até a casa de R$ 15 milhões, valor que o diretor financeiro Emerson Piovesan buscava para o clube com instituições financeiras. Quarta passada, sem alternativas, a direção corintiana tomou R$ 6 milhões emprestados para quitar parte de sua dívida com sete jogadores do elenco. Foi a tentativa, em vão, de levar incentivo ao time que precisava da virada contra o Guaraní-PAR, mas acabou eliminado.

Por conta das dívidas, a diretoria do Corinthians trabalha com cautela há bastante tempo. No início do ano, houve focos de insatisfação no elenco por conta das chegadas de Vagner Love e Cristian com salários elevados - juntos, eles custam quase R$ 1 milhão por mês. Não foi só: em janeiro, jogadores não gostaram de saber que a diretoria buscava o atacante Dudu enquanto tinham quantias a receber. Com a alegação de que o reforço não cabia no orçamento, o então presidente Mário Gobbi desistiu da transação. Por isso, tempos depois, houve receio na direção que a tentativa de contratar Bernard, do Shakhtar-UCR, também gerasse ciúmes.

Passado esse período, o Corinthians agora se volta a cortar despesas em 15% e, se possível, gerar receitas com transferências. Para reduzir a folha, a saída de Emerson Sheik é uma grande tendência admitida pelos dirigentes, já que o contrato dele se encerra em julho. Para fazer caixa, a venda do zagueiro Gil é a bola da vez, pois 90% dos direitos econômicos dele pertencem ao clube. Publicamente, o presidente Roberto de Andrade assume que não há jogadores inegociáveis. A manutenção de Paolo Guerrero só irá ocorrer caso ele reduza a pedida - e, se possível, um patrocínio novo seja encontrado pelo marketing.

Nesta semana, departamento de futebol e comissão técnica se reúnem para traçar planos que atendam à determinação do presidente Roberto de Andrade e do diretor financeiro Emerson Piovesan. Algo que, no fim de janeiro, Tite já tinha ciência.

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