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Torcida racista do Barça que xingou Neymar faz guerra em Valência

João Henrique Marques

Do UOL, em Barcelona

17/04/2014 10h00

Boixos Nois. Essa é a torcida neo-nazista do Barcelona apontada como a responsável pelo ato de racismo ao imitar som de macaco a Daniel Alves e Neymar no último final de semana. os torcedores da Boixos são vetados pelo próprio clube em duelos no Camp Nou por conta do histórico violento. E na final da Copa do Rei em Valência na quarta-feira, o grupo radical de fãs do Barça foi ao estádio Mestalla e fez questão de entrar em guerra com a Polícia por diversas vezes.

O UOL Esporte esteve na cidade da decisão e acompanhou o caminho do grupo até o estádio. Foram cinco conflitos com os policiais em um intervalo de uma hora ao redor do Mestalla. Eles não passavam de 50 pessoas, mas estavam unidos pela vontade de brigar.

No caminho da Boixos, Neymar teve o nome gritado, assim como Messi e Puyol. Só que os coros mais frequentes eram feitos em cantos pró-independência da Catalunha e outros que demonstravam a violência do grupo, tais como “Barça ou morte” e “Holligans Barça”. Os integrantes se vestiram com camisa do Barcelona, levaram a bandeira da organizada e cachecóis com os dizeres “anti-madridistas”.

“Não gosto de me misturar com eles. Não representam o que pensa a torcida do Barcelona. Isso é um grupo pequeno que usa da violência para intimidar e só viaja para armar confusão”, disse o sócio torcedor do Barça, Jordi Serra, que observava a passagem da Boixos na avenida de acesso ao estádio.

Os membros da torcida não gostam de questionamentos sobre o comportamento e por muitas vezes tentaram evitar gravação de vídeo da reportagem colocando a mão à frente da câmera.

O Barcelona não tem nenhuma ligação com o grupo que cobrou recentemente os jogadores pela crise vivida. Eles foram ao Camp Nou xingar a delegação no desembarque do time após a derrota de 1 a 0 para o Granada no final de semana e cobraram conversa com os líderes do elenco. Foi durante o protesto que Daniel Alves e Neymar ouviram o coro racista com os gritos de um torcedor que imitava som de macaco.

A Boixos foi fundada em 1981 e tem no histórico do grupo um famoso caso de assassinato da transexual Sonia no parque da Ciutadella, um dos principais de Barcelona nos anos 90. Pouco depois, ela foi banida do estádio do Barça pelo próprio clube.

“Lembro que em 90, aqui mesmo em Valência, viemos de trem, e ao chegarmos fomos recebidos com pedras pela torcida do Barcelona. Era o pessoal da Boixos. Só que agora eles parecem estar em menor número. Hoje estamos tranquilos”, disse o torcedor do Real, Bruno Allami.

O grupo radical não fez parte da caravana organizada pelos sócios do Barcelona em conjunto com o clube. Nela foram 50 ônibus vindos de várias cidades da Catalunha com mais de 3.000 torcedores que chegaram à cidade por volta das 13h, pouco mais de oito horas antes do jogo começar.

Eles ainda se juntaram aos mais de 25 mil torcedores do Barcelona vindos em trem, carros, avião e outros ônibus para festejar antes do jogo. A torcida do Barça lotou a praia de Valência durante a tarde e perto da hora da partida ainda se uniu próxima ao estádio, em uma área de lazer montada pelo clube para a concentração da torcida.

Os integrantes da Boixos também estiveram na praia, hostilizavam torcedores do Real Madrid, e se uniram para uma caminhada de quase quatro quilômetros até o Mestalla. Foi no trecho final que os atritos com a polícia começaram.

O grupo de radicais caminhava cantando e com sinalizadores acesos em uma avenida próxima ao estádio quando entrou em confronto com a polícia pela primeira vez. Uma correria acontecia a cada vez que os policiais se aproximavam com cassetetes de borracha e sinalizadores, assim como pedras e latas eram atirados à distância pelos torcedores.

A Polícia de Valência era extremamente numerosa, caminhava, usava carros e cavalos e conseguiu espantar os torcedores na base do contra-ataque. Só que a Boixos Noses seguiu em direção ao estádio ainda passando por mais conflitos com os policias.

O grupo de torcedores entrou no Mestalla após a guerra criada e saiu dele sem novos conflitos após o jogo. Enquanto quase todos os torcedores do Barcelona deixavam a cidade, os fãs do Real Madrid ainda seguiam no estádio comemorando a vitória por 2 a 1 e o título da Copa do Rei.

Com o resultado, a pressão sobre o time do Barcelona aumentou ainda mais. Em uma semana o time foi eliminado da Liga dos Campeões, ficou com pouca chance de ganhar a Liga Espanhola – está em terceiro lugar a quatro pontos de distância do líder Atlético de Madrid faltando cinco rodadas para o final, e agora foi derrotado pelo arquirrival Real Madrid na decisão da Copa do Rei. 

“Acho que faz pelo menos 20 anos que eu não via um comportamento da torcida cobrando os jogadores como agora”, disse o comentarista da televisão espanhola La Sexta, Josep Pedrerol.

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