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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Menon: Tite é muito bitolado. A Zona 14 comprova

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Meu nome é Luis Augusto Símon e ganhei o apelido de Menon, ainda no antigo ginásio, em Aguaí. Sou engenheiro que nunca buscou o diploma e jornalista tardio. Também sou a prova viva que futebol não se aprende na escola, pois joguei diariamente, dos cinco aos 15 anos e nunca fui o penúltimo a ser escolhido no par ou ímpar. Aqui, no UOL, vou dar seguimento a uma carreira que se iniciou em 1988. com passagens pelo Trivela, Agora, Jornal da Tarde entre outros.

24/09/2021 14h10

Eu não gosto das entrevistas de Tite por vários motivos:

1) A sua linguagem corporal e não verbal. Cheia de pausas dramáticas. Não era assim antes.

2) O uso de palavras como "oportunizar" e "performar". Desde quando ele, nascido no interior do Rio Grande do Sul, trocou dar oportunidade por oportunizar e desempenhar por oportunizar? Esse verniz cultural é brega. É como um advogado em uma mesa de bar usar "data vênia" para pedir um chopp.

3) As palavras de manual, como atacante terminal. Extremo mau gosto esse termo. Atacante híbrido. Meio homem e meio vegetal? Quem se comunica, deve buscar o entendimento do máximo de pessoas possível. Não vejo ninguém em roda de bar falando em atacante híbrido. Novamente, o verniz. Uma falsa intelectualidade de encantador de serpentes.

Hoje, na coletiva de convocação, Tite foi além das palavras rebuscadas e do mídia training. Ele mostrou o que me assusta há tempos: a incapacidade de pensar fora da caixinha, futebolisticamente falando.

Ao se referir a Coutinho, disse que ele é um meia criativo. Jogador da zona 14.

Zona 14?

Desde quando o campo de futebol foi dividido em zonas? Esquartejado assim?

Cada um em seu quadrado?

Cada um em sua zona?

Como tabelar? O jogador da zona 13 pode de unir ao da zona 15? E o da zona 15? Fica esperando ou parte pro trisal?

Esse tipo de academicismo é ruim para o futebol pelo simples motivo de supervalorizar o treinador. De diminuir o valor do jogador. Da improvisação. Não falo de peladeiros como David Luiz, mas não se pode colocar camisa de força em jogadores. Dividir o campo em zonas.

Hoje, começa um jogo e malo jogador recebe a bola recuada do centro, já se ouve o treinador falando: centraliza, pra direita, vai pela esquerda. Parece um instrutor de autoescola, um GPS.

Logo ouviremos: não, não, pelo amor de Deus, na Zona 14 não. Aí é do meia criativo.

Ou seja, vai ser criativo lá na sua zona.

Chato demais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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