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Marcel Rizzo

REPORTAGEM

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Conmebol e Uefa querem intercâmbio de clubes além da Copa Intercontinental

Palmeiras e Chelsea se enfrentaram pelo título do Mundial de Clubes-2021 - MATTHEW CHILDS/Reuters
Palmeiras e Chelsea se enfrentaram pelo título do Mundial de Clubes-2021 Imagem: MATTHEW CHILDS/Reuters
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

12/05/2022 11h00

Com escritório comercial conjunto funcionando em Londres desde o início de abril, Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e Uefa (União Europeia de Futebol) começam a planejar ações conjuntas e o intercâmbio entre os clubes é prioridade e considerado pelas entidades a "galinha de ovos de ouro" para os futuros acordos com velhos e novos patrocinadores.

Há, como o blog já mostrou, plano de retomar o jogo entre os campeões da Libertadores e da Liga dos Campeões, a Copa Intercontinental, confronto que ocorreu entre 1960 e 2004, até a Fifa estabilizar o seu Mundial com sete clubes, o campeão de cada continente mais o representante do país-sede. Na época houve ressarcimento financeiro da Fifa à Uefa e à Conmebol, que tiveram que desfazer acordos já com valores já recebidos para o Intercontinental.

Até o fim de 2021 se conversava sobre o aumento do Intercontinental, com a inclusão de confrontos entre as campeãs dos campeonatos femininos e entre os ganhadores dos segundos torneios masculinos em importância de cada continente, a Copa Sul-Americana e a Liga Europa. Ideia era que as partidas ocorressem em uma mesma sede, no mesmo período e já havia o apelido de Super Intercontinental. Mas o escritório conjunto fez os planos crescerem — o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, está na Europa onde participou de encontros e do Congresso da Uefa, em Viena.

Estudos comerciais preliminares mostraram que pode haver mais dinheiro envolvido em acordos para jogos entre clubes do que entre seleções. O primeiro evento combinado entre as federações será o confronto entre as seleções de Argentina e Itália, campeões da Copa América e da Euro, em 1° junho de 2022, no estádio de Wembley em Londres. Já há três edições programadas para esse encontro, a cada quatro anos.

Depois disso o objetivo será criar pacotes de jogos entre clubes. Além do Intercontinental, que respeitaria critérios desportivos, com encontros entre campeões de torneios, há planos para quadrangulares (ou outros formatos) amistosos entre clubes mais tradicionais. Haveria retorno financeiro interessante às equipes, com as federações, por meio dos parceiros, bancando viagens, hospedagens, etc.

Para a direção da Conmebol, os clubes do continente não ganham mais Mundiais hoje em dia (o último foi o Corinthians, em 2012) por falta desse intercâmbio, com confrontos regulares entre os times dos dois continentes comuns até os anos 1990. Brasileiros viajavam à Europa para participar de torneios como o Ramón de Carranza ou o Teresa Herrera, ambos na Espanha, e enfrentavam os poderosos da Europa. Para membros da confederação sul-americana, haverá não só ganho financeiro, mas técnico, com esses encontros.

O obstáculo principal, nesse momento, é o calendário. No Brasil os clubes jogam competições oficiais praticamente de janeiro a dezembro. No meio do ano, quando os europeus estão em pré-temporada e com agenda livre, os brasileiros estão com o Nacional e os continentais a todo vapor.

Em conversas informais entre a cartolagem, a possível criação de um Liga no Brasil poderia ser um fator favorável ao que Conmebol e Uefa desejam — o calendário talvez ficasse mais flexível. A ideia da confederação sul-americana é que todos os filiados participem do intercâmbio, mas o foco maior será para clubes brasileiros e argentinos, que interessam mais a patrocinadores.

A Copa Intercontinental
Entre 1960 e 1979, os vencedores da Libertadores e da Liga dos Campeões jogavam partidas de ida e volta, em suas casas, ou seja, na Europa e na América do Sul. A partir de 1980, com patrocínio da montadora japonesa Toyota, o jogo passou a ser único, no Japão. Em 2004 ocorreu a última edição porque, no ano seguinte, a Fifa passou a organizar o seu Mundial como é conhecido hoje, nas mesmas datas em que ocorriam a Copa Intercontinental.

Santos duas vezes (1962 e 1963), Flamengo (1981), Grêmio (1983) e São Paulo duas vezes (1992 e 1993) foram os brasileiros que venceram a Copa Intercontinental —em 2017, a Fifa deu status de título mundial à competição.