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Marcel Rizzo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Rizzo: Fifa contamina debate sobre calendário com ideia de Copa bienal

Presidente da Fifa, Gianni Infantino é a favor da Copa do Mundo a cada dois anos       - STR/AFP
Presidente da Fifa, Gianni Infantino é a favor da Copa do Mundo a cada dois anos Imagem: STR/AFP
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

23/10/2021 04h00

Esqueça o plano de uma Copa do Mundo a cada dois anos e analise as ideias a seguir:

- Diminuir os meses em que jogadores deixam seus clubes para jogar por seleções, hoje cinco por ano (março, junho, setembro, outubro e novembro), reduzindo viagens entre continentes.

- Criar um ou dois meses por ano com janelas maiores, de 20 dias seguidos, nas quais os treinadores de seleções poderiam trabalhar por mais tempo suas equipes, não apenas em períodos curtos de nove dias.

- Aumentar torneios de seleções de base, com divisão em três categorias (sub-16, sub-18 e sub-20), em vez de duas (sub-17 e sub-20) e, nas duas menores, tornar anuais os Mundiais, o que poderia evitar que talentos perdessem a chance de jogar esse tipo de competição por causa do limite de idade e periodicidade.

- Garantir aos jogadores ao menos 25 dias de descanso, sem interrupção para atuar em torneios pelas seleções e ter de voltar correndo ao clube para iniciar uma pré-temporada ou continuar a temporada, dependendo do formato do calendário.

Boas ideias? Me parece que sim, talvez precisando de um ajuste aqui ou outro ali. E tudo isso aparece no projeto da Fifa para alterar o calendário do futebol, mas só ouvimos e falamos sobre a possibilidade de a Copa do Mundo deixar de ser disputada a cada quatro anos para se tornar bienal.

O calendário do futebol precisa mudar para se adequar a um esporte que hoje tem em torneios de clubes uma importância similar aos das seleções, e não é necessário colocar nesse bolo uma Copa do Mundo bienal, como quer a Fifa.

A federação internacional contamina o debate ao tentar enfiar goela abaixo esse plano com argumentos que não se sustentam. Por exemplo: seleções fracas não vão participar de uma fase final da Copa do Mundo nem se o torneio se tornar anual. Os mesmos de sempre vão passar pelas eliminatórias, com uma ou outra novidade de vez em quando.

Se não pensasse somente em aumentar sua receita organizando mais vezes a Copa do Mundo, e de fato quisesse desenvolver o futebol da periferia, como são chamados dentro da própria entidade o países nanicos, a Fifa poderia pensar em criar torneios regionais, que integrassem as confederações, algo como a Copa Árabe que vai organizar no fim deste ano no Qatar, como evento teste da Copa de 2022, que terá países da Ásia e da África.

O Nepal, para citar uma federação nanica que se mostrou favorável à Copa bienal, não vai se classificar para uma competição mais frequente, mas poderia se desenvolver se jogasse com mais regularidade contra seleções de outras regiões, em torneios menores organizados pela Fifa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL