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Marcel Rizzo


Corinthians recebe o maior valor por ceder atletas à Copa feminina-2019

Mônica, do Corinthians, durante embarque da seleção para a Copa-2019 - Vinicius Castro/UOL
Mônica, do Corinthians, durante embarque da seleção para a Copa-2019 Imagem: Vinicius Castro/UOL
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

14/07/2020 13h15

Classificação e Jogos

Vinte e oito clubes brasileiros foram ressarcidos pela Fifa por terem cedido jogadoras para a Copa do Mundo feminina, realizada em 2019 na França. Os quatro grandes paulistas receberam dinheiro do chamado "fundo de benefícios" da federação internacional, que pela primeira vez deu essa compensação no seu principal torneio para mulheres — algo que entre os homens ocorre desde a Copa de 2010, na África do Sul.

Os valores reservados, entretanto, são obscenamente inferiores para a Copa feminina. A Fifa desembolsou US$ 8,46 milhões (R$ 46 milhões) para distribuir entre 822 clubes, enquanto na Copa masculina de 2018, na Rússia, o valor foi de US$ 209 milhões (R$ 1,1 bilhão) para 416 clubes — destes oito brasileiros.

Juntos, Corinthians, Santos, São Paulo e Palmeiras faturaram US$ 52.390 (R$ 284 mil) com a Copa feminina. O total distribuído aos times brasileiros foi de US$ 152.890 (R$ 826 mil), ou seja, o quarteto paulista concentrou quase um terço desse valor.

O dinheiro, tanto no masculino quanto no feminino, é dividido por alguns critérios, os principais: o número de jogadoras cedidas por cada clube (quem envia mais, ganha mais) e o tempo que elas ficam à disposição da seleção durante a Copa (clubes que têm jogadoras avançando à final, por exemplo, também recebem mais).

Por isso que na América do Sul, por exemplo, clubes chilenos (US$ 162.120) e argentinos (US$ 158.320) ganharam mais do que os brasileiros mesmo com menos times recebendo dinheiro — no Chile foram 13 e na Argentina dez.

A enorme diferença, segundo a Fifa, ocorre porque os valores de patrocínios ainda são diferentes para as duas competições. Em 2018, na Rússia, o Corinthians faturou US$ 645.240 (R$ 3,5 milhões) com as convocações de apenas dois jogadores, Cássio e Fagner, para a seleção brasileira — que caiu nas quartas de final para a Bélgica, derrota por 2 a 1. Foi entre os clubes brasileiros o que mais faturou — com US$ 5 milhões (R$ 27 milhões), o Manchester City foi o clube com maior valor entre os homens em 2018.

No feminino, o time do Parque São Jorge teve quatro chamadas para a seleção brasileira do técnico Vadão, que caiu nas oitavas para a França (2 a 1), mas levou apenas US$ 26.550 (R$ 114,3 mil) — poderia ser mais se Erika e Adriana não fossem cortadas por lesões. Foi, mesmo assim, o clube brasileiro que mais recebeu da Fifa. Em 2019, o Lyon ganhou US$ 178.770 (R$ 972 mil) e foi o clube feminino com o maior valor.

A Fifa estuda aumentar esses valores para a Copa do Mundo feminina de 2023, que será em sede conjunta na Austrália e na Nova Zelândia. Vai depender de como será a negociação de cotas de patrocínio, que pode ser afetada pela pandemia do novo coronavírus.

Marcel Rizzo