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Marcel Rizzo


Fifa muda executivo que conduz processo de escolha das sedes das Copas

Presidente da Fifa, Gianni Infantino, cuida de perto da escolha das sedes da Copa do Mundo - JORGE CABRERA
Presidente da Fifa, Gianni Infantino, cuida de perto da escolha das sedes da Copa do Mundo Imagem: JORGE CABRERA
Marcel Rizzo

Marcel Rizzo - Formado em jornalismo em 2000 pela PUC Campinas, passou pelas redações do Lance!, Globoesporte.com, Jornal da Tarde, Portal iG e Folha de S. Paulo, no qual editou a coluna Painel FC. Cobriu Copas do Mundo, Olimpíada e dezenas de outros eventos esportivos.

Colunista do UOL

20/01/2020 10h52

A Fifa oficializou um novo executivo para comandar os preparativos e realizações de seus campeonatos, incluindo as Copas do Mundo de 2022, no Qatar, 2026, nos EUA, Canadá e México e, principalmente, na condução das candidaturas que levará à escolha da sede do Mundial de 2030. A América do Sul tem interesse particular na mudança porque quatro países do continente, juntos, tentam receber a Copa daqui a dez anos, que marcará o centenário da competição — Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai são pré-candidatos já anunciados pela Conmebol.

A confirmação de Mattias Grafstrom para o cargo de secretário-geral adjunto do futebol no lugar do ex-jogador Zvonimir Boban, que em meados de 2019 deixou a Fifa para assumir cargo diretivo no Milan (ITA), mostra que o presidente da federação, Gianni Infantino, terá forte participação nas decisões referentes às competições da entidade. Grafstrom é um executivo de carreira da entidade e que, nos últimos anos, atuou como braço direito de Infantino como chefe de escritório do cartola.

Grafstrom estava no cargo interinamente desde julho de 2019 e foi efetivado dia 1º de janeiro de 2020 — as confederações, filiadas à Fifa, incluindo a CBF, receberam comunicado confirmando a promoção no dia 14 de janeiro. Ele já conduziu, portanto, procedimentos de escolha do local do Mundial Sub-20 de 2021, que será na Indonésia (Brasil havia se candidatado), e dos finalistas para sede da Copa do Mundo feminina de 2023, que tem Brasil, Colômbia, Japão e a candidatura conjunta de Austrália e Nova Zelândia na disputa — o resultado sai em junho próximo.

O organograma da Fifa tem dois secretários-gerais adjuntos: o de futebol, cargo agora de Grafstrom, e o administrativo, que é de Alasdair Bell, suíço com experiência em administração que por anos foi diretor jurídico da Uefa. Hoje, de fato, quem comanda administrativamente a Fifa é Bell, já que a secretária-geral, Fatma Samoura, está como uma espécie de interventora na Confederação Africana de Futebol (CAF), que conviveu nos últimos anos com denúncias de corrupção.

Para evitar que explodissem casos de recebimento de propinas também na África, e repetisse o que ocorreu nas Américas entre 2015 e 2016, a Fifa decidiu colocar Samoura, que é senegalesa, dentro da administração da confederação do continente. Oficialmente a Fifa nunca tratou como intervenção, mas é o que de fato ocorre por lá. Pelo cronograma ela deve voltar a seu posto na Fifa ao fim de janeiro, mas não está descartado na entidade um prolongamento da estadia de Samoura na África.

Deste modo, as atuações de Bell e agora Gaffstrom ficam mais autônomas. Eles podem assinar por Samoura, por exemplo — todas as circulares enviadas pela Fifa a seus filiados, por sinal, são assinadas por Bell e não pela secretária-geral, que está licenciada. Infantino tem interesse particular em participar de perto de qualquer decisão sobre competições, um pouco diferente do que fazia seu antecessor, Joseph Blatter, que dava carta-branca ao secretário-geral à época Jérôme Valcke. As escolhas como sedes da Rússia, para 2018, e do Qatar para a Copa-2022 foram marcadas por denúncias de compra de votos.

Marcel Rizzo