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Mineiro tem time que só existe por que Danilo foi vendido para Real e City

Hoje no Manchester City, Danilo defendeu as categorias de base do Tupynambás (foto); clube de MG foi beneficiado pelo Mecanismo de Solidariedade da Fifa - Tupynambás FC/Divulgação
Hoje no Manchester City, Danilo defendeu as categorias de base do Tupynambás (foto); clube de MG foi beneficiado pelo Mecanismo de Solidariedade da Fifa Imagem: Tupynambás FC/Divulgação

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

20/01/2019 04h00

O Tupynambás faz sua estreia pelo Campeonato Mineiro 2019 neste domingo (20), quando enfrenta o Vila Nova fora de casa às 11h (horário de Brasília). Mas a presença do clube na elite estadual, que não era registrada desde os anos 1970, talvez não ocorresse neste momento se não fosse Danilo, lateral direito do Manchester City.

Revelado pelas categorias de base do clube de Juiz de Fora, Danilo se profissionalizou pelo América-MG. Depois, passou por Santos (2010 a 2011), Porto (2012 a 2015) e Real Madrid (2015 a 2017), antes de chegar ao clube inglês. E todas essas mudanças custaram um bocado aos clubes interessados.

O Porto, por exemplo, pagou 13 milhões de euros pelo jogador em 2012. Dois anos depois, a transferência ao Real Madrid custou 31,5 milhões de euros. Para o City, a negociação custaria 35 milhões de euros. Somando todos os valores, as negociações de Danilo na Europa movimentaram 79,5 milhões de euros - o equivalente a quase R$ 340 milhões.

Pelos cálculos do Mecanismo de Solidariedade da Fifa, o Tupynambás - no qual Danilo atuou entre 2004 e 2005, ainda na base - receberia 0,5 % do valor de cada negociação. Na ponta do lápis, o lateral já teria rendido cerca de R$ 1,7 milhão, em valores atualizados, ao clube de Juiz de Fora.

O investimento veio em boa hora. Desde que disputou o Campeonato Mineiro de 1995 como Cooperativa Manchester (uma tentativa de fusão com Sport e Tupi, os outros dois clubes da cidade), o Tupynambás viveu idas e vindas dos campos profissionais. Em 2007, o time disputou a terceira divisão do Mineiro, mas ficou na quarta colocação de seu grupo na segunda fase. Só os três primeiros de cada chave subiram.

Danilo no Tupynambás - Tupynambás FC/Divulgação - Tupynambás FC/Divulgação
Tupynambás recebeu parte do dinheiro movimentado pelas transferências de Danilo; assim, pagou boa parte das dívidas do clube social e abriu caminho para que o futebol do clube fosse estruturado por um parceiro da diretoria
Imagem: Tupynambás FC/Divulgação
O dinheiro de Danilo, porém, ajudou o clube a se sanear nos anos seguintes. Enquanto a parte social conseguiu pagar suas dívidas, o futebol foi arrendado por cinco anos para voltar a sonhar com gramados profissionais. O contrato passou a valer no segundo semestre de 2016.

Segundo Alberto Simão, executivo de futebol do Tupynambás, o dinheiro das vendas de Danilo "ajudou a situação". "Era muito ruim. O Mecanismo de Solidariedade colocou o clube em dia. Não foi 100% determinante, mas foi importante", explicou o dirigente, em entrevista por telefone ao UOL Esporte.

Desde então, segundo Simão, o Tupynambás "vem sempre" promovendo benfeitorias na estrutura do clube, sem que isso prejudique financeiramente o futebol. "(O Tupynambás) tem uma boa estrutura, um clube de lazer muito bom, com campo, piscina, ginásio. Nós nos adequamos ao futebol profissional - área de saúde, médica, fisioterapia, nesse sentido", explicou, separando os investimentos. "Financeiramente, não se usa recurso, é terceirizado. O clube nunca colocou recurso. O time se paga."

Com o dinheiro de Danilo direcionado às dívidas sociais e o investimento do futebol concentrado apenas no futebol, o Tupynambás precisou de pouco tempo para ganhar terreno. Em 2016, foi campeão da Segunda Divisão (que, na verdade, é o terceiro escalão). Dois anos, depois, foi vice-campeão do Módulo II (a segunda divisão de fato) e foi promovido para a elite mineira de 2019.

E os planos para a temporada já são ousados. O Módulo I do Campeonato Mineiro conta com 12 times, mas o Tupynambás acredita que pode brigar por mais coisas além de escapar do rebaixamento.

"A gente briga pela classificação para as quartas", aposta Alberto Simão - oito dos 12 times da primeira fase passam à segunda. "Era sempre um sonho da cidade o clube retomar as atividades, por ter ficado muito tempo parado. Tinha a maior torcida da cidade, e a gente vai resgatando a torcida aos poucos. A torcida vem voltando, vem crescendo. A gente já espera meio a meio no clássico de quarta-feira (23)", completa, projetando a partida contra o Tupi na segunda rodada.

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