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Com atletas machucados, presidente do Boca pede que tribunal puna River

Natacha Pisarenko/AP
Imagem: Natacha Pisarenko/AP

Do UOL, em São Paulo

25/11/2018 16h09

O presidente do Boca Juniors Daniel Angelici disse que alguns jogadores da equipe não tinham condições de jogar depois do ataque sofrido na chegado ao Monumental de Nuñez antes da final da Libertadores contra o River, no sábado. As agressões e a falta de tempo para se recuperar delas foram o motivo apontado para pedir a suspensão do jogo.

A Conmebol adiou a partida e marcou uma reunião para terça-feira para definir uma nova data.

“Tivemos uma agressão inusual”, afirmou o cartola em uma entrevista coletiva após o adiamento. “Alguns dos nossos jogadores não têm condição de jogar. Temos atletas com problema visuais, com problemas de respiração, alguns tiveram que tomar remédios autorizados pela Conmebol como como corticoides. E na parte médica tem que se ver a questão é física e psíquica.”

Quando o ônibus do Boca chegava ao estádio, torcedores do River apedrejaram o veículo, quebrando janelas e ferindo atletas. O capitão Pablo Perez foi um dos mais afetados e teve que ir ao hospital com um corpo estranho no olho.

Angelici disse que encaminhou uma representação “de 15 folhas” à entidade sul-americana, na qual pede punições ao River, o clube mandante do segundo jogo da final.

Perez - Reprodução/Jorge Pablo Batista/Instagram - Reprodução/Jorge Pablo Batista/Instagram
Pablo Pérez com curativo no olho
Imagem: Reprodução/Jorge Pablo Batista/Instagram

"Às 22h [de sábado] revisei a situação, convoquei os jogadores e os advogados do clube. Ordenei aos advogados que me trouxessem por escrito um documento. Estive trabalhando nele pessoalmente e fiz a representação por e-mail no domingo, levando também ao hotel onde estavam os dirigentes da Comenbol. Entreguei em mãos a denúncia e transcrição exata do que aconteceu.”

O cartola afirmou acreditar que o jogo se ganha em campo, mas que representa uma instituição e tem responsabilidades com ela.

“A torcida do Boca sofreu muita coisa”, afirmou Agelici. “Estou convencido que o jogo se vence dentro do campo, mas tenho responsabilidade como presidente e às vezes tenho que passar por cima do que penso pessoalmente. Fizemos a representação invocando todos os artigos que achamos que cabem e esperamos que o tribunal de disciplina, um órgão independente da Conmebol, responda à representação que mandamos.”

Regulamento da Conmebol prevê até desclassificação como punição

Em uma nota oficial publicada antes do anúncio do adiamento, o Boca Juniors invocava o artigo 18 do regulamento disciplinar da Conmebol para pedir a suspensão da final. 

O artigo 18 do regulamento disciplinar da Conmebol descreve as sanções que os clubes e as federações podem sofrer caso não cumpram suas determinações. As punições vão de advertências e multas até a determinação do resultado de um jogo, a obrigação de jogar se portões fechados ou mesmo a desclassificação de um time de uma competição. O artigo 18 diz que os órgãos judiciais podem determinar uma ou mais sanções, dependendo da gravidade da infração.

Mas poderia o River ser eliminado da Libertadores por um incidente que ocorreu fora do estádio? Em tese sim.

O inciso 2 do artigo 8 do mesmo regulamento afirma que os clubes "são responsáveis pela segurança e ordem tanto no interior como en nas imediações do estádio, antes, durante e depois da partida na qual sejam anfitriões ou organizadores". 

"Esta responsabilidade se extende a todos os incidentes que de qualquer natureza possam acontecer, encontrando-se por isso exposto a imposição das sanções disciplineres e o cumprimento das ordens e instruções que possam adotar os órgão judiciais."

Vale lembrar que o próprio Boca Juniors foi eliminado da Libertadores de 2015 depois que torcedores xeneizes invadiram o campo e jogaram gás de pimentas em atletas do River.

Técnico diz que time não tinha condições de jogar

O técnico Guillermo Barros Schelotto afirmou que os jogadores do Boca Juniors foram muito afetados pelo clima bélico da final e que isso os fez ficar em desvantagem esportiva em relação ao River. Ele defendeu a não realização do jogo.

"Estávamos em desvantagem esportiva hoje. Para o Boca era melhor não jogar porque não estávamos na mesma condição. As 24 horas que vivemos não têm nada ver com uma final de Libertadores, não se podia jogar", disse o treinador. "Não estávamos preparados para isso, há um ano estamos sonhando com a Copa Libertadores. Exigimos profissionalismo aos nossos atletas e não tivemos a preparação lógica para uma final.” 

O fiasco na realização do jogo manchou a imagem da Conmebol diante da imprensa internacional.

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