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Intriga, provocação e politicagem: a nova cara da série da F1 na Netflix

Terceira temporada inova e se debruça sobre a disputa de bastidores entre os chefes de equipe na Fórmula 1 - Dan Istitene/Formula 1 via Getty Images
Terceira temporada inova e se debruça sobre a disputa de bastidores entre os chefes de equipe na Fórmula 1 Imagem: Dan Istitene/Formula 1 via Getty Images

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

19/03/2021 04h00

De provocações aos movimentos políticos, a terceira temporada de "F1: Dirigir para Viver" finalmente explora o jogo de intrigas do paddock da Fórmula 1 com uma profundidade fundamental para convencer que a corrida, em si, é só uma parte do que o campeonato envolve. A série documental estreia hoje (19) na Netflix, o UOL Esporte assistiu e conta abaixo como a nova temporada se diferencia das anteriores.

A produção chamou atenção nas temporadas passadas pela sensibilidade: a primeira explorou bastante o lado humano da disputa avassaladora entre os pilotos; a segunda ampliou um pouco a abordagem para envolver mais planejamento das equipes, tensão e reação aos resultados. Desta vez, o enfoque de "Dirigir para Viver" é no jogo de forças nos bastidores, partindo de inovações polêmicas de Mercedes e Racing Point, além de um GP cancelado pela covid-19.

Em 2020, a Fórmula 1 foi suspensa, adiada e reformulada por causa da pandemia. Tanta coisa aconteceu, que toda esta disputa de bastidores do cenário pré-coronavírus acabou perdendo um pouco de potencial. Mesmo assim, fica clara a intenção da Netflix de destacar as intrigas. O suposto plágio da Racing Point, o DAS da Mercedes e o acordo FIA-Ferrari dão o tom dos primeiros episódios.

Com a liberdade de entrevistar vários chefes de equipe, "Dirigir para Viver" consegue espiar por trás da cortina e revelar que a relação entre eles é cordial, sim, mas também sujeita a irritações e provocações. Depois de a Renault protestar contra a "Mercedes Rosa" da Racing Point, por exemplo, o chefe desta (Otmar Szafnauer) se aproxima do então chefe daquela (Cyril Abiteboul) e sorri. "A asa dianteira [do seu carro] parece um pouco com a nossa", provoca. Cyril não responde, depois xinga baixinho.

Na briga entre as grandes, outra relação interessante é entre os chefes de Mercedes e Red Bull —respectivamente Toto Wolff e Christian Horner. Por baixo da diplomacia está o antagonismo: Wolff começa a temporada com polidez, mas depois perde o bom humor. "Christian gosta de causar um pouco de confusão, mas nós fazemos diferente", disse a certa altura, de cara fechada. "Nós conversamos na pista."

O que explica a mudança de postura foi o protesto da Red Bull contra o uso do DAS pela Mercedes. A "Direção de Eixo Duplo" foi a grande cartada de Wolff em 2020, e Horner fez o que pôde para diminuir o estrago. "Contra um time tão dominante como a Mercedes, você tem que explorar cada oportunidade possível", admitiu. Depois de uma das maquinações dar resultado, Horner vibrou: "Adoro botar pressão neles. Foi a melhor hora para isso, porque ele [Toto Wolff] vai ficar puto", disse com um sorriso.

O melhor exemplo do novo viés "futriqueiro" de "Dirigir para Viver", no entanto, é a polêmica sobre a unidade de potência da Ferrari. O acordo secreto com a FIA ocorreu em fevereiro de 2020, mas as suspeitas das outras equipes quanto à melhora súbita da escuderia italiana já eram bem fortes no ano anterior —o que a série da Netflix ignorou na temporada passada. Desta vez, o assunto aparece na série, ainda que não revele nada que já não fosse de conhecimento público.

Impacto da covid-19

Há cerca de um ano, quando a pandemia começava a chocar o mundo, o GP da Austrália foi palco de outra grande disputa entre os chefes de equipe. Alguns tentaram forçar a realização dos treinos, pelo menos, para "reavaliar depois de 24 horas", mas a corrida foi mesmo cancelada —após muita indecisão e temor por um surto.

Aquele era um outro mundo, que aos olhos brasileiros pode até parecer irreal em "Dirigir para Viver". Havia muitos torcedores e quase nenhum protocolo no contato da multidão com pilotos e demais funcionários da F1. A decisão pelo cancelamento aconteceu duas horas antes do início dos treinos livres, provando correta uma previsão de Carlos Sainz Jr. "Quando uma pessoa for confirmada [com o coronavírus], isso aqui já era", disse o então piloto da McLaren —que teve testes positivos naqueles dias.

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