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Quem é Willy T. Ribbs, primeiro negro a pilotar na F1 e competir na Indy

Willy T. Ribbs, membro da equipe Budweiser Trans Am, ao lado de seu carro de corrida, em 1980 - Afro Newspaper/Gado/Getty Images
Willy T. Ribbs, membro da equipe Budweiser Trans Am, ao lado de seu carro de corrida, em 1980 Imagem: Afro Newspaper/Gado/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

02/07/2020 10h17

Willy T. Ribbs foi o primeiro piloto negro a andar em um carro da Fórmula 1 e também o primeiro a competir nas 500 milhas de Indianápolis, nos Estados Unidos. Pioneirismo que custou muito ao corredor americano, hoje aposentado com 65 anos.

"Eu queria ser como os grandes - queria ser campeão mundial de Fórmula 1. Minha mãe sempre disse que eu estava 25 anos à frente do meu tempo", disse ele em entrevista à CNN Internacional.

Convidado por um empresário, ele foi o primeiro piloto negro da história a testar um carro da Fórmula 1. O feito aconteceu no Autódromo de Estoril, em Portugal, em 1985. "Ele me queria no carro, ele me queria na Fórmula 1", contou Ribbs feliz.

Também em 1985, ele fez sua tentativa de se classificar para a Indy. Por problemas técnicos, ele não pôde seguir na competição, mas deixou um marco na história da corrida.

A influência de Ribbs para o esporte estava dentro de casa. Seu pai era um piloto amador e plantou a semente do automobilismo no jovem, que fez daquele sonho seu objetivo de vida.

Ribbs foi à Inglaterra para disputar o Campeonato Britânico de Fórmula Ford. Lá, ele venceu seis das onze corridas que participou em 1977. "Eles viram Willy T. como um piloto rápido e um automobilista vencedor", lembrou Ribbs.

Em 1994, o piloto americano competiu com o brasileiro Emerson Fittipaldi nas 200 milhas de Phoenix, segunda etapa do Campeonato Mundial de Fórmula Indy.

Uma bandeira amarela levantada para Ribbs na 28ª volta dessa corrida deu vantagem a Fittipaldi, que assumiu a liderança e acabou vencendo o circuito pela primeira vez. Apesar de ter batido forte, o americano não se feriu.

Encarando o racismo

Um ano depois de escrever seu nome nas pistas inglesas, ele voltou para os Estados Unidos para correr em seu país. Porém, a recepção que teve na Nascar foi extremamente preconceituosa, segundo ele.

"Eles [competidores brancos] deixaram claro: 'Nós realmente não queremos você aqui. Por que está participando do nosso esporte? Você não pode jogar basquete ou futebol?", contou Ribbs sobre as ofensas racistas.

Ao verem que as agressões verbais não seriam capazes de desestimular o competidor negro, as ofensas evoluíram para ameaças de morte anônimas.

"Eu não dei a mínima para isso. Eu sei uma coisa - não fariam isso na minha cara. Eu considerei muito emocionante receber cartas ou um telefonema. Eu meio que os convidei: 'Ok, comecem a matar'", ironizou ele.

Legado para Hamilton

"[Lewis] é o líder da banda e não tem medo. Ele ampliou o esporte em todo o mundo para pessoas de cor [e] será ungido como o melhor de todos os tempos", disse Ribbs orgulhoso.

Ele defende o sucessor e diz que sempre existirão pessoas que tentarão minar a presença de negros no esporte.

"Sempre haverá esse elemento (que) não aceita puramente raça. Assim como muitas pessoas não aceitam Lewis apenas por raça", explicou.

Hamilton ganhou notoriedade na luta antirracista após sua participação em protestos gerados pela morte de George Floyd. Ele também chamou atenção com seus discursos e cobranças de posicionamento feitas a competidores brancos.

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