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Surfe 360°

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Quem pode atrapalhar os brasileiros na corrida do ouro olímpico?

Italo Ferreira, durante etapa de Pipeline - WSL / Cestari
Italo Ferreira, durante etapa de Pipeline Imagem: WSL / Cestari
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Thiago Blum

É jornalista esportivo desde 1992, mas acompanha o surfe há quatro décadas. Trabalhou por 19 anos na ESPN e atualmente é editor de esportes do Jornal da Band. Cobriu cinco Copas do Mundo e cinco edições dos Jogos Olímpicos.

Colunista do UOL

13/07/2021 04h00

Falta muito pouco para a maior festa do esporte.

Às vésperas da largada olímpica, o surfe continua como uma das disputas mais esperadas e comentadas.

Não faltam motivos.

É uma das modalidades estreantes.

Entre as competições individuais, a que o Brasil tem o maior favoritismo, com chances absurdas de conquista da medalha de ouro.

Principalmente no masculino, com os campeões mundiais Gabriel Medina e Italo Ferreira.

Uma realidade que especialistas do mundo todo concordam e apostam.

Gabriel Mdina - Matt Dunbar/World Surf League via Getty Images - Matt Dunbar/World Surf League via Getty Images
Gabriel Medina surfa onda na etapa de Rottnest Search, na Austrália
Imagem: Matt Dunbar/World Surf League via Getty Images

Por isso, todos de olho na contagem regressiva. Grande expectativa para o toque da sirene para as baterias nas ondas de Tsurigazaki - na província de Chiba, quase 100 quilômetros ao leste da capital Tóquio.

No mundial, não tem tido pra ninguém.

No Japão, muitos adversários serão os mesmos.

Rivais capazes de atrapalhar a conquista que muitos consideram certa.

Uma ótima chance para americanos, europeus, australianos e japoneses quebrarem uma hegemonia que incomoda a legião estrangeira nas etapas da Liga Mundial.

John John Florence  - Divulgação - Divulgação
O surfista havaiano John John Florence
Imagem: Divulgação

O primeiro nome que aparece em qualquer lista que não tem um brasileiro como favorito, é John John Florence.

E os troféus da foto acima são os principais exemplos do porque.

Bicampeão mundial em 2016 e 2017, JJF foi o único cara que conseguiu rivalizar com as estrelas do time verde e amarelo nas últimas temporadas. E só não foi ainda mais uma pedra no sapato dos brazucas, por causa das várias lesões.

Cenário que se repete em 2021. O havaiano, maior esperança dos Estados Unidos na Olimpíada, ainda se recupera de uma cirurgia, e não é possível saber se vai ter condições físicas par brigar por medalha. E até uma desistência de última hora não seria surpresa.

Kolohe Andino - WSL - WSL
Kolohe Andino
Imagem: WSL

Kolohe Andino, o outro americano do time, também vem de lesão grave, mas está confirmado nos jogos. Em 2019, Andino foi o "intruso'' no pódio do ISA Games, competição realizada em Myiazaki, que serviu de teste para a Olimpíada. Em ondas bem parecidas com as que vão rolar em Chiba - Italo Ferreira ficou com o ouro, mas Kolohe tirou a prata das mãos de Gabriel Medina.

E por que "ninguém" fala dos australianos?

Se é o país que tem o maior número de campeões mundiais na história?

Pois é.

Julian Wilson - WSL / ED SLOANE - WSL / ED SLOANE
Julian Wilson, durante etapa de Pipeline do Circuito Mundial de Surfe (WCT)
Imagem: WSL / ED SLOANE

Depois da aposentadoria de caras como Mick Fanning e Joel Parkinson, a fase da galera "aussie" não empolga.

Mas eles vão fortes sim para a Olimpíada, com dois caras que marcam presença faz tempo na divisão de elite.

Owen Wright é um dos caras mais queridos do tour. Mas prefere ondas pesadas e tubulares - bem diferentes das que vai encontrar no Japão - e pode ser até considerado zebra.

Já Julian Wilson... hummmm... olhos abertos nele!

Ex-vice campeão mundial, Julian sempre foi uma pedra no sapato, principalmente para Medina.

Um excelente competidor, que se adapta a todos os tipos de mar.

E mais: como não vem bem nas etapas da WSL, deve estar com um apetite daqueles para colocar a medalha no peito.

Se for para o torcedor brasileiro secar alguém, indico o JW - #ficaadica !!

Jeremy Flores - WSL - WSL
Jeremy Flores em Pipeline, no Havaí
Imagem: WSL

A Europa será representada por 5 atletas, de 4 bandeiras: França, Portugal, Itália e acreditem... Alemanha.

Jeremy Flores e Michel Bourez são o "allez les bleus".

Leonardo Fioravanti embarca como suplente após a desistência do sul-africano Jordy Smith, e vai embalado pela conquista da "Azzurra" na Euro.

Frederico Morais representa a nação portuguesa.

Todos integrantes do Championship Tour. Todos que se dão melhor quando o mar fica grande e pesado.

Apesar de tanto talento reunido, não apostaria em nenhum deles para o pódio final.

Ah... esqueci do alemão Leon Glatzer... foi o último a garantir a vaga, e acredito que seja o que tenha menor chance de surpreender.

Ramzi Boukhiam - WSL - WSL
Ramzi Boukhaim
Imagem: WSL

Jordy Smith é um dos principais nomes da atualidade.

A ausência do maior ícone da África do Sul é uma grande perda para a estreia do surfe como esporte olímpico.

Um pena. Mas o continente africano vai estar bem representado entre os homens.

Do Marrocos, vem Ramzi Boukhaim, um cara bem conhecido nas etapas da divisão de acesso.

Em uma delas, a comemoração da foto acima.

Deixou os brasileiros pra trás e venceu o QS de Fernando de Noronha.

Kanoa Igarashi - WSL - WSL
Kanoa Igarashi
Imagem: WSL

Deixei por último, a minha principal aposta.

O cara que pode colocar "água no chope brasileiro".

Como vários já citados, Kanoa Igarashi está entre os melhores do mundo.

É o 6º do atual ranking.

Assim como os outros, é um cidadão do mundo. Mais acostumado com o Havaí, Austrália, Portugal e Tahiti, do que com as ondas de seu país.

Mas Kanoa é japonês... vai competir em casa.

Pena pra ele, que não terá torcida. Seria uma vantagem.

Talentoso ao extremo. Competidor contumaz, com a frieza comum dos orientais.

Na minha opinião, Kanoa sai do Japão com medalha.

Com a de bronze né... atrás da dupla Medina-Italo.

Ou seria a dupla Italo-Medina?