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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Ashleigh Barty: atitude, soluções e escolhas que a separam do resto

Divulgação/ Porsche Tennis
Imagem: Divulgação/ Porsche Tennis
Alexandre Cossenza

Alexandre Cossenza é bacharel em direito e largou os tribunais para abraçar o jornalismo. Passou por redações grandes, cobre tênis profissionalmente há oito anos e também escreve sobre futebol. Já bateu bola com Nadal e Federer e acredita que é possível apreciar ambos em medidas iguais. Contato: ac@cossenza.org

Colunista do UOL

26/04/2021 14h49

Enquanto a ESPN brasileira se desdobrava mostrando na TV os ATPs de Barcelona e Belgrado, estrelados por Rafael Nadal e Novak Djokovic, respectivamente, o evento mais forte da semana ficou meio escondido, no app do canal, mas quem topou ver o WTA 500 de Stuttgart numa tela menor foi recompensado com jogos de alto nível e uma número 1 do mundo que mostrou, mais uma vez e em mais de uma maneira, porque ocupa o posto mais alto do ranking há 73 semanas.

Em seu primeiro torneio no saibro vermelho desde Roland Garros/2019, atuando em uma quadra indoor que favorecia sacadoras e espancadoras de bolinhas, Ashleigh Barty era a cabeça 1, mas estava longe de ser a favorita. Vindo do saibro verde de Charleston, a australiana sentiu a diferença e teve problemas a semana inteira. No entanto, bem como faz um certo espanhol, Ash encontrou soluções a semana inteira e saiu de buracos a semana inteira.

Primeiro, nas quartas, viu Karolina Pliskova sacar para o jogo no terceiro set. Por cinco vezes, a tcheca esteve a dois pontos da vitória. Barty não só conseguiu não ceder match points, mas obteve uma suada quebra no quinto break point do décimo game e voltou a quebrar a rival no 12º game para triunfar por 2/6, 6/1 e 7/5.

Depois, nas semifinais, a oponente era uma Elina Svitolina super sólida do fundo de quadra. A ucraniana abriu 6/4 e 5/4 e, assim como Pliskova, sacou para o jogo. Barty devolveu a quebra, levou o set para o tie-break e ganhou um game de desempate que foi parelho até o 4/4. Depois disso, jogando melhor e com a rival ainda abalada pela chance perdida, Ash fez 4/6, 7/6(5) e 6/2.

A decisão foi contra Aryna Sabalenka, que tinha simplesmente "overpowered" Simona Halep - as aspas são da própria romena - na outra semi. E a bielorrussa saiu na frente. Mais uma vez, Barty encontrou um caminho (auxiliada por dores no adutor de Sabalenka). Aplicou um pneu no segundo set e frustou Aryna ao ponto de deixar a rival na seca por nove games. Quando Sabalenka confirmou o saque outra vez, já perdia o último set por 3/0. Tarde demais. Barty fechou a porta, salvando três break points no sétimo game, e fechou o jogo em seguida por 3/6, 6/0 e 6/3.

Primeira do plural

Três momentos de Ashleigh Barty na sala de coletivas mostram por que uma menina de 25 anos, 1,66m e nenhum golpe super potente está tão acima da maioria de suas companheiras de circuito. O primeiro deles veio após a final, quando a australiana foi indagada sobre os porquês de sempre falar de seus resultados usando a primeira pessoa do plural.

"Acho que fazemos tudo juntos. Acho difícil falar "eu" porque sei que é um esforço coletivo. Há tantas pessoas ao meu lado que investiram tanta energia e tempo de suas vidas e suas carreiras para ajudar a minha. Sou muito grata a elas por terem tido a coragem e acreditarem em mim e, apesar de algumas delas estarem na Austrália neste momento, sei que estão me vendo e ainda temos conversas parecidas pelo telefone e, é claro, para Tyz [Craig Tyzzer, seu técnico] e eu é muito grande sair [da Austrália] para vir no que sabemos que será um período muito longo longe de casa, e ter um começo muito positivo apenas nos ajuda a continua a crescer e seguir em frente."

Soluções e atitude

Também depois da final de simples em Stuttgart, um dos jornalistas perguntou a Barty sobre sua capacidade de solucionar problemas em quadra. A resposta diz muita coisa sobre a postura da atual número 1 do mundo.

"Eu tento encontrar uma maneira de voltar à partida um ponto de cada vez. Tênis é um esporte estranho às vezes. Ainda que você esteja um set abaixo, eu não sentia que estava muito longe. Eu tive alguns break points e chances. Se você aproveita um ou dois desses, é um jogo completamente diferente. Então acho que é importante continuar a trabalhar na direção certa, tentar fazer as coisas certas e saber que, com o tempo, você espera conseguir o resultado. Se não, você continua até a próxima vez, e acho que é uma atitude muito importante a ter e quase uma certa calma, de certa maneira. O seu valor e como você se sente ao sair da quadra não... Para mim, não importa o resultado. É como eu encaro isso. Essa é uma parte muito importante para mim."

Respeito aos outros

No começo da semana, após a vitória sobre Laura Siegemund, perguntaram a Barty sobre se ela tomaria alguma vacina contra covid-19. A australiana revelou que já estava vacinada [com a vacina da J&J, que exige apenas uma dose] porque aproveitou uma oportunidade dada pela WTA durante o torneio de Charleston. O grande detalhe de sua declaração, contudo, não é ser a favor da vacina, mas como ela destacou que procurou se informar para saber se não estaria furando a fila nos Estados Unidos.

"Estávamos buscando opções diferentes para sermos vacinados sem furar a fila na Austrália, mas não tivemos uma resposta antes de sairmos, em março. Mas Tyz e eu conseguimos a vacina em Charleston, e da maneira que o sistema estava funcionando na Carolina do Sul, para mim era importante saber que não estávamos furando a fila e conseguimos a vacina, assim como muitas outras jogadoras por meio do Tour [WTA], que organizou isso por meio de uma farmacêutica que tinha doses extras, e para mim foi importante saber que aqueles que são mais vulneráveis puderam se vacinar antes."

Vantagem maior no ranking

No começo de março, logo depois do Australian Open, Barty somava 9.186 pontos no ranking contra 7.835 de Naomi Osaka, que vinha do título em Melbourne. Era a época em que mais se falava que o ranking da WTA não refletia o momento do circuito. Desde então, a australiana foi campeã do WTA de Miami e do WTA 500 de Stuttgart, os dois eventos mais fortes do circuito no período. Agora, a vantagem, que era de 1.351 pontos, subiu para 1.855. Barty soma 9.655 pontos contra 7.800 da japonesa, que ainda não competiu em nenhum torneio de saibro nesta temporada.

Coisas que eu acho que acho:

- Não custa lembrar: Barty que fez aniversário no sábado, venceu as finais de simples e duplas no domingo. Além do prize money (€ 55.300 nas simples e € 10.173 nas duplas), ela vai ganhou um Porsche Taycan Turbo S Cross Turismo - cortesia do patrocinador do torneio.

- Rafael Nadal foi brilhante ao conquistar Barcelona derrotando o "quente" Tsitsipas, campeão de Monte Carlo, sem jogar seu melhor tênis. Em Belgrado, Djokovic não foi tão brilhante assim, embora tenha participado de um jogaço contra Karatsev nas semifinais. Comentei os dois resultados e atuações na Newsletter que envio semanalmente aos apoiadores do blog.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL