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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Até na reação o México foi uma decepção nesta Copa

Colunista do UOL

01/12/2022 08h16

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Se não superar a barreira das oitavas incomodava os mexicanos, o que dizer do que o Mundial de 2022 reservou. Pela primeira vez, desde 1978, a seleção foi eliminada na 1ª fase. Mesmo reagindo e fazendo um bom jogo diante da Arábia Saudita, a Tricolor deixou uma última sensação ruim. Bastava um gol para se classificar, mas a equipe acabou levando um dos adversários nos acréscimos. Decepcionante!

Hervé Renard não teve o lateral-esquerdo Al Sharahni e o volante Al Faraj. Escalou o zagueiro Al Bulayhi no setor. Al Tambakti entrou na zaga. Al-Hassan formou a dupla de volantes com Abdullhamid. Kanno foi antecipado. Já Gerardo ''Tatá'' Martino voltou ao 4-3-3. Jorge Sanchez entrou na lateral-direita e Pineda foi a novidade no meio. Henry Martin acabou sendo o centroavante escolhido.

Como os dois times precisavam da vitória para se classificar, o 1º tempo começou num ritmo muito forte e com alguns espaços dados mutuamente. Antes dos 15 minutos já se contabilizava seis ataques perigosos, três de cada lado. O México era mais contundente e criterioso ao trabalhar a bola, não à toa teve as melhores chances e dominou as ações a partir da metade da etapa inicial.

Além de encaixar a marcação, circulava a posse com velocidade e boa ocupação de espaços, gerando sempre linhas de passe no campo rival. Lozano e Pineda eram os mais produtivos. O ponta se fixou no meio-espaço pela direita, abriu o corredor para os avanços de Jorge Sanchez. Vega fez o mesmo pelo outro lado com Gallardo, mas não teve um grande desempenho, tanto que foi sacado no intervalo.

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Como Arábia Saudita e México encerraram suas participações no Grupo C da Copa do Mundo 2022
Imagem: Rodrigo Coutinho

Luis Chávez também era importante para a criação mexicana. Recebia de Édson Álvarez, que fazia a ''saída de três'' com os zagueiros, e distribuía com inteligência. A Arábia compactava-se bem defensivamente. Era muito agressiva na abordagem de marcação. E até exagerava na força dos combates. Al Bulaihy saiu lesionado aos 36', e o volante Sharahili entrou. Abdullhamid passou para a lateral-esquerda.

Os sauditas atacaram muito em ligações diretas. Talvez influenciados pela presença de Kanno mais a frente, tentaram se impor desta forma, mas não tiveram sucesso. Mesmo assim incomodaram em alguns momentos. Muito impetuosos, recuperaram bolas importantes no ataque e aceleraram. A zaga mexicana foi bem. O goleiro Al Owais, porém, saiu como o destaque do time na etapa inicial. Fez duas defesas salvadoras.

No intervalo, Abdullah Madu entrou no lugar de Al Hassan. E Antuna foi a novidade no México, que abriu o placar logo no início. Luís Chávez bateu escanteio pela esquerda, César Montes desviou na primeira trave e Henry Martin marcou na pequena área. O segundo gol veio na sequência. Luis Chávez coroou sua bela atuação com um golaço! Bateu falta da intermediária no ângulo esquerdo de Al Owais.

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Luis Chávez, autor do segundo gol do México contra a Arábia Saudita, pela Copa do Mundo do Qatar
Imagem: Laurence Griffiths/Getty Images

A postura agressiva dos tricolores se manteve e Lozano, que passou a jogar pela esquerda, teve um tento bem anulado logo depois. Os sauditas, já com o time bem mexido, lutavam, mas não conseguiam ter a mesma organização para competir. O México teve uma infinidade de chances. O goleiro Al Owais impediu ao menos três gols, sem contar as finalizações erradas e mais um gol corretamente anulado.

Nos acréscimos, um duro castigo, Salem Al-Dawsari fez linda tabela, invadiu a área e bateu na saída do goleiro Ochoa. Mesmo sendo inferior ao México na partida derradeira de ambos na Copa 2022, o sentimento saudita é de esperança para um crescimento no cenário internacional. A equipe mostrou que pode. Já os latinos, que não terão Gerardo Martino no próximo ciclo, precisam trabalhar para recuperar terreno.