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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Solidez defensiva e qualidade na articulação: o Mariano 3.6

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

27/06/2022 04h00

Jogar na lateral exige muito fisicamente. Além do trabalho defensivo necessário a um componente da última linha, o Brasil sempre teve jogadores ofensivos na função. Fazer este ''vai e vem'' ao longo de 90 minutos não é fácil. Diante de um calendário com pouca pausa para aprimoramento físico é ainda mais complicado. Imagine então realizar tudo isso com excelência aos 36 anos? Mariano vem provando que é possível.

Revelado pelo Guarani na reta final do Brasileirão de 2004, o lateral-direito do Atlético Mineiro está em sua segunda passagem pelo clube. A primeira delas foi em 2008 e não deixou tantas saudades nos alvinegros. Porém, desde que retornou, em agosto de 2020, foi conquistando espaço no coração dos torcedores.

Campeão brasileiro pelo Fluminense em 2010, construiu uma carreira relevante de nove anos no futebol europeu. Foi titular em três das quatro temporadas que passou no Bordeaux. Se destacou no Sevilla dirigido por Jorge Sampaoli e Unai Emery entre 2015 e 2017. E também foi bem por três anos no Galatasaray. Foram cinco títulos ao todo na Europa.

A volta ao Galo revelou um lateral diferente de grande parte da carreira. Mariano não é mais um jogador de explorar o corredor do campo o tempo inteiro. A experiência lhe deu a leitura correta do momento propício para o avanço. Desenvolveu então qualidades que não tinha no início de sua trajetória. Visão de jogo, qualidade nos passes longos e transições defensivas seguras.

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Os números de Mariano em 2022
Imagem: Fonte: Opta

No Atlético, em seu primeiro ano de retorno, foi preterido por Sampaoli, que deu mais minutos a Guga. A partir da temporada 2021, com a chegada de Cuca, voltou a ser titular. Iniciou 41 dos 50 jogos em que foi utilizado. Deu duas assistências e marcou um gol. Quando tinha Savarino à sua frente, buscava menos a linha de fundo e trabalhava por trás da linha da bola. Com Zaracho ou Vargas como titular, atacava mais aberto.

Atualmente no elenco do Galo, Ademir representa o que Savarino representou em dinâmica ofensiva para Mariano. Com a lesão de Zaracho e a irregularidade de Vargas, tem sido menos comum ver o camisa 25 atacando a linha de fundo, mas isso não atrapalha. Já são quatro assistência para gol, o dobro de 2021, mesmo com metade da temporada disputada.

Flutua para o meio, libera Jair para infiltrar na área, deixa a amplitude pela direita mais a cargo de Ademir ou Vargas. Dalí, serve os companheiros. Passes longos nas costas da defesa, como os que encontraram Hulk e Ademir, diante de Flamengo e América Mineiro, são comuns. Na parte defensiva, erros como o que resultou no gol de Lázaro, na última quarta-feira, são raros.

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Mariano por dentro, dando suporte por trás da linha da bola, enquanto um companheiro de ataque ou meio dá amplitude a time pelo flanco direito. Uma constante nesta passagem pelo Galo
Imagem: Rodrigo Coutinho

Mariano foi primordial dentro da espinha dorsal que deu dois títulos nacionais na histórica temporada de 2021 para o Atlético. Manteve o status em 2022 e, com 36 anos recém completados, mostra que os efeitos do tempo têm feito muito bem.