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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Tricolor pode sofrer mais que o aconselhável com mudança radical no comando

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

22/05/2022 04h00

Fernando Diniz tem cerca de três semanas e apenas cinco jogos comandando o time desde que voltou ao Fluminense. Pouco tempo para maiores conclusões de análise do desempenho do time, que até teve um balanço positivo em campo e ainda não foi derrotado. Ter problemas com a abrupta mudança de estilos entre Abel Braga e o novo treinador, porém, deve ser inevitável.

Abel e Diniz possuem visões diferentes na hora de montar uma equipe. A sensação que fica é que a diretoria do Fluminense não sabia disso ao planejar o ano de 2022 com o experiente técnico no comando e logo depois provocar tal mexida. Abel, que saiu em ''comum acordo'' com a direção, era questionado pela maneira do time jogar, mas conseguiu resultados condizentes com a realidade do clube

Venceu o Campeonato Carioca com imposição diante de um Flamengo mais rico e tecnicamente melhor. É verdade que foi eliminado na 3ª fase prévia da Libertadores e não alcançou a fase de grupos. Fazia campanha irregular na 1ª fase da Copa Sul-Americana. Mas o que o time mostrava em campo estava dentro daquilo que o treinador fez em grande parte da sua carreira, incluindo as equipes que venceram campeonatos importantes.

Nitidamente quem teve a ideia de trazer Abel buscou um escudo. Alguém identificado com a história do Fluminense, mas que não foi bancado nos primeiros momentos de instabilidade. A opção por Fernando Diniz corrobora isso. Ao invés de se buscar um nome que pudesse dar continuidade a alguns conceitos já implementados no time, a tentativa foi por romper com basicamente tudo.

01 - Marcelo Gonçalves / Fluminense - Marcelo Gonçalves / Fluminense
Fernando Diniz conversa com elenco do Fluminense no primeiro dia de trabalho no retorno
Imagem: Marcelo Gonçalves / Fluminense

O grande problema é o período do ano em que isso foi feito. Em meio ao início do Brasileiro e definições importantes na Copa do Brasil e na Sul-Americana. A apática atuação diante do Union Santa Fé, na última quinta-feira, já pode ser um indício da dificuldade que virá nas próximas semanas. Passada a empolgação inicial com a mudança de treinador e a busca dos jogadores por mostrarem serviço, é natural que as coisas se normalizem após esse período.

O time deu boas respostas neste início de Diniz ao se comportar de forma parecida com o que mais fazia com Abel Braga, mas quando precisou executar uma estratégia mais elaborada ofensivamente ficou devendo. Não houve tempo de desenvolvimento das ideias, da repetição nos treinos e jogos para melhorar a assimilação dos jogadores e automatizar os movimentos, os padrões.

No meio desse processo existe a necessidade por vitórias. Virtualmente eliminado do torneio continental, o Tricolor talvez tenha dias que não teria para treinar e recuperar jogadores, mas vai precisar remar contra um início irregular de Campeonato Brasileiro. Será que quem toma as decisões na diretoria do Fluminense vai entender todo esse contexto? Será que o ambiente será tranquilo para que tudo seja compreendido racionalmente?

O elenco tricolor é melhor em relação ao que era nos últimos anos. Tem mais material humano e jogadores com características interessantes dentro do modelo buscado por Fernando Diniz, mas tudo isso pode ficar em segundo plano caso não haja o entendimento do todo.

Comparar as últimas campanhas de Série A com a atual, caso ela continue sendo irregular nas próximas rodadas, não é o certo. Ao contrário de 2020 e 2021, quando o Tricolor teve um plano de jogo e o seguiu independente de críticas e anseios de torcedores e jornalistas, o planejamento parece não ter existido em 2022. E esse é um dos principais causadores de grandes problemas ao final da temporada.