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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Coutinho: Paulo Sousa já mostrou que pode usar Pedro e Gabigol juntos

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Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

12/01/2022 09h55

Gabigol e Pedro podem jogar juntos? Quantas você ouviu essa pergunta nas últimas duas temporadas? A má notícia é que isso deve pode continuar durante algum tempo. A boa é que, com Paulo Sousa, as chances de os talentosos atacantes formarem a dupla de frente do Flamengo é muito maior. O histórico recente do técnico português indica isso, mas há um detalhe importante para ser levado em consideração.

Abordarei o tal ''detalhe'' alguns parágrafos abaixo. Antes de mais nada é importante dizer que escalar dois jogadores com mais características de ''camisa 9'' aconteceu na seleção polonesa, por exemplo.

Gabigol e Pedro não são iguais. O primeiro precisa circular do meio para a direita, criar os espaços que vai atacar em seguida, fazer diagonais e atacar espaços. O segundo tem um excelente pivô, presença forte na área, é melhor no jogo aéreo, e atua numa faixa mais central de campo. Mesmo assim acabaram disputando posição desde que Pedro chegou ao clube.

E é justamente pensando em características tão complementares de ambos, que se torna ainda mais palpável a dupla em determinados cenários. Dos 15 jogos dirigidos por Paulo Sousa na Polônia, em apenas quatro deles não houve a formação de uma dupla de atacantes de fato.

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Reparem na seleção polonesa ocupando os espaços ofensivos. Três homens avançados por dentro. Um deles, um meia vindo de trás, alimentando uma dupla de centroavantes
Imagem: Rodrigo Coutinho

Lewandowski, Swiderski, Milik, Piatek, Buksa e Swierczok se revezaram no setor. Nem todos possuem características idênticas, mas são os homens mais avançados de suas respectivas equipes. Com Pedro e Gabigol há ainda mais margem de encaixe. Em conjunto, apresentam mais dinâmica do que qualquer uma das possíveis combinações de duplas polonesas.

O fator chave

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Bruno Henrique comemora gol do Flamengo contra o Corinthians pelo Brasileirão
Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

A grande questão ou impeditivo para que isso aconteça é na realidade uma das ótimas soluções do elenco rubro-negro: Bruno Henrique. Ponta de origem, o jogador está na história do Flamengo compondo uma dupla de muito entrosamento com Gabigol. Já mostrou que mais próximo da área é muito decisivo. Paulo Sousa estaria disposto a abrir Bruno no lado esquerdo e utilizar Pedro e Gabigol pelo meio?

Dentro do modelo ofensivo que o treinador tenta implementar em seus trabalhos, há essa possibilidade. Paulo geralmente utiliza a primeira linha de construção com três jogadores. Um deles pode ser zagueiro, lateral ou volante, como mostrado aqui, solta um dos laterais bem aberto de um lado e do outro mantém um atacante. Este poderia ser Bruno.

O poder de convencimento do treinador português terá que entrar em cena. O camisa 27 é pouco afeito à marcação. Diversos momentos da temporada 2021 mostraram. Nesta função, teria que recompor pelo lado e participar mais do momento defensivo em comparação a quando joga como atacante central.

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Representação de como pode ser a ocupação de espaços do Flamengo ao atacar. Filipe Luís fazendo a saída com os zagueiros e se soltando por dentro num segundo momento. Matheuzinho e Bruno Henrique ''abrindo'' o campo. Arrascaeta por trás da dupla Gabigol e Pedro
Imagem: Rodrigo Coutinho

Deixar Bruno Henrique preso na esquerda dentro do ''jogo de posição'' de Paulo Sousa também não é o mais aconselhável pelas características dele. Domènec Torrent fez essa tentativa e o desempenho do jogador caiu. Nada impede que desta vez possa ser diferente, mas o passado recente não é positivo.

É claro que Pedro e Gabigol podem compartilhar momentos juntos durante os 90 minutos com Bruno Henrique em campo. Isso já aconteceu diversas vezes em cenários adversos, de pressão forte do rubro-negro sobre o adversário ou na necessidade de fazer um gol, mas tornar isso corriqueiro e regular durante partidas seguidas é um desafio de Paulo Sousa no Flamengo.