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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Guia da Libertadores - Tudo sobre o Grupo H

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

20/04/2021 04h00

A Libertadores começa hoje, e o Guia da competição, aqui no blog, chega ao seu último dia. Vamos mergulhar no Grupo H, que tem o paraguaio Cerro Porteño como cabeça de chave, além de Atlético Mineiro, América de Cali e Deportivo La Guaira, da Venezuela. Confira!

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Boselli voltou a marcar gols, desta vez com a camisa do Cerro Porteño
Imagem: Rodrigo Coutinho

Campeão paraguaio pela 33ª vez no ano passado, o Cerro Porteño já contabiliza mais de 40 participações em Libertadores, mas nunca conseguiu ser campeão. Chegou três vezes nas semifinais e foi eliminado em todas. Acreditar que chegará nesta fase em 2021 é bem improvável. O time manteve boa parte dos atletas que venceram em 2020, o técnico ''Chiqui'' Arce, mas vive fase irregular e falta qualidade técnica para pensar grande.

Arce é o mesmo que marcou época com as camisas de Grêmio, Palmeiras e da seleção paraguaia. Tornou-se treinador no início da década passada, tem duas passagens comandando a ''Albiroja'', quatro títulos nacionais por três clubes diferentes, mas falta algo a mais para se destacar no cenário internacional. O time manteve as características que costuma apresentar em seus trabalhos.

O Cerro é uma equipe que pratica o típico futebol paraguaio. Recua o bloco de marcação na maior parte do tempo e explora contra-ataques contra equipes mais qualificadas ou em jogos de fora de casa. Com a posse, não elabora tanto as jogadas e nem possui um repertório variado. Geralmente, usando a dupla de volantes Villasanti e Ángel Cardozo, faz as bolas chegarem rapidamente aos pés dos meias ou pontas bem abertos. Estes contam com a aproximação do lateral do setor e tentam uma jogada combinada para cruzar na área.

O ex-corintiano Boselli foi contratado para transformar essa estratégia em gols. E vem conseguindo. Tem média de um tento marcado a cada dois jogos disputados. O elenco perdeu peças importantes que não seriam necessariamente titulares, mas que acrescentavam experiência. Defensivamente há problemas com transições lentas e um time muito pesado para enfrentar rivais mais leves. O Cerro é apenas o 5º colocado no atual Campeonato Paraguaio.

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Nacho Fernandez é o craque do Galo
Imagem: Rodrigo Coutinho

O grande favorito do grupo é o Atlético Mineiro. Mesmo passando muito longe de convencer com o futebol jogado até aqui na temporada, o Galo se sobressai demais na parte técnica. Vários de seus reservas seriam titulares absolutos e destaques nas outras três equipes do grupo. Resta agora a Cuca, achar a formação ideal, desenvolver o modelo que fará os atletas renderem, e ter atenção para não ser surpreendido.

De uma certa forma o Grupo H é uma boa oportunidade de evolução para o time mineiro. Por mais que a Libertadores sempre reserve desafios complicados em jogos teoricamente fáceis, é muito melhor encarar adversários do nível atual do que outros presentes em grupos mais complicados. Trabalhar a bola com mais critérios e organização, e cuidar das transições defensivas são fatores urgentes.

O grande destaque do Galo é o meia Nacho Fernandez. Contratado junto ao River Plate, mesmo na desorganização coletiva da equipe, tem se diferenciado com boas atuações. Hulk, a outra contratação badalada do clube, ainda não engrenou. Tem se apresentado de forma irregular, com raciocínio lento e impreciso tecnicamente. Savarino deve ser o titular pela direita neste início de competição.

Há disputas abertas em diversos setores, mas Everson, Réver, Junior Alonso, Guilherme Arana, Allan, Nacho, Keno e Savarino devem ser os titulares mais constantes. O elenco tem muitas opções. Atletas de níveis parecidos disputando posição e alguns com características diferentes, que podem mudar o rumo de uma partida ou serem utilizados de forma pontual. Por isso a cobrança em cima de Cuca, campeão com o Galo em 2013, deve ser bem forte.

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Duván Vergara vem tentando suprir a ausência de Adrián Ramos
Imagem: Rodrigo Coutinho

Um time de tradição na Libertadores! Por mais que nunca tenha sido campeão, o América de Cali quer apagar a má impressão deixada na competição do ano passado, quando terminou em último na sua chave. Honrar o bicampeonato colombiano é um dos objetivos. O clube já foi quatro vezes vice-campeão continental. Em outras duas ocasiões, parou nas semifinais. Pensar em algo do tipo desta vez não é tão palpável, mas dá pra fazer boa figura e aparecer no ''mata-mata''.

Importante frisar o processo de recuperação da equipe do sudoeste colombiano. Amargou a segunda divisão nacional e retornou para a elite em 2017. No atual campeonato, se classificou na oitava posição para as quartas de final, algo que bem parecido com o que aconteceu em 2020, quando foi o 7º na fase de classificação, mas atropelou todo mundo na sequência e conquistou o bi. Possui a defesa menos vazada. Marca com muita força!

O time é comandado pelo argentino Juan Cruz Real, que já era o treinador da equipe desde outubro de 2020. O curioso é que, apesar dos números defensivos, não dá para dizer que o América de Cali tem uma proposta baseada em contra-ataques. Pelo contrário, sobretudo dentro de casa, toma a iniciativa de atacar e mantém a posse de bola. Falta um pouco mais de potencial de articulação e a circulação do time é extremamente ''truncada'', mas sofre pouco com contra-ataques rivais.

O jogador mais famoso do elenco é o centroavante Adrian Ramos, que disputou a Copa do Mundo de 2014 pela seleção colombiana e construiu carreira no futebol europeu. Aos 35 anos, ele tem vivido muitos problemas físicos e, a ausência de um substituto a altura, tem travado a média de gols marcados do time. O atacante Duván Vergara, de 24 anos, vem atuando muito bem pelo flanco direito. Lucumí e Cabrera são outros bons nomes do setor ofensivo.

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Ocanto é o jogador mais perigoso do La Guaira
Imagem: Rodrigo Coutinho

Atual campeão venezuelano, o Deportivo La Guaira disputará pela segunda vez a Libertadores, mas será a estreia na fase de grupos. Em 2019 o clube chegou a dar trabalho para o Atlético Nacional, mas caiu na 2ª fase, após eliminar o Real Garcilaso anteriormente. Foi fundado em 2008 com nome Real Esppor, mas em 2012 mudou de nome, e venceu o campeonato local pela primeira vez em 2020.

Mesmo sendo um time pequeno, o La Guaira consegue ter organização administrativa e dentro de campo vem produzindo o melhor futebol do país. É treinado por Daniel Farias desde 2018. Daniel completará 40 anos em setembro e é técnico desde os 28. Auxiliou o irmão famoso César Farias nas seleções da Venezuela e da Bolívia, além de um trabalho rápido no Cerro Porteño. Já conquistou quatro títulos nacionais em seu país.

Mesmo não sendo de Caracas, o La Guaira mandará os jogos na capital venezuelana, já que não possui um estádio com estrutura para isso. O destaque do time é o atacante Aquiles Ocanto, que costuma atuar pelo lado direito. É rápido e forte, além de bom finalizador. Em jogos fora de casa, pode aparecer também na faixa central, acionado em contra-ataques.

Os ''Naranjas'' perderam alguns jogadores importantes no elenco campeão em 2020. Entre eles o jovem centroavante Bolivar, que foi jogar no DC United, na MLS. O lateral-esquerdo e zagueiro Fuentes foi para o futebol colombiano, e o zagueiro Garcia para a Argentina. O bom meia Lugo também saiu. É um time que busca quase sempre ter a bola e ser ofensivo, mas dificilmente fará frente a qualquer um dos adversários do Grupo H.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL