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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Guia da Libertadores - Tudo sobre o Grupo E

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

17/04/2021 04h00

O Grupo E da Libertadores desembarca hoje aqui no blog para dar continuidade à análise de cada chave da competição em 2021. O São Paulo é o cabeça e neste momento parece sobrar diante de Racing, Sporting Cristal e Rentistas. Confira como cada um deles inicia a competição.

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Luciano alcançou um nível jamais visto em sua carreira com a camisa do São Paulo
Imagem: Rodrigo Coutinho

Depois de liderar boa parte do último Brasileirão e cair muito de produção na reta final, o São Paulo dispensou Fernando Diniz e contratou Hernán Crespo para comandar o time. O início de 2021 é animador. Certamente, até o momento, é o time que tem apresentado um futebol que pode confrontar Flamengo e Palmeiras, hegemônicos no país nas últimas temporadas.

O Tricolor disputou oito jogos na temporada e, em todos eles, apresentou de forma bem nítida as propostas do treinador. Muita ''pegada'' para marcar no campo de ataque, transições defensivas agressivas, concentração e intensidade, busca da posse de bola e ataque posicional para ter uma circulação eficiente no campo rival. Detalhes podem ser aprimorados naturalmente, mas o desempenho é ótimo para o tempo curto até então.

Obviamente o nível de enfrentamento não foi tão alto, mas o Campeonato Paulista é o melhor dos Estaduais para colocar o time em teste. A produção ofensiva agrada e o elenco foi reforçado. Orejuela, Miranda, Éder, Benitez e Willian chegaram. Tchê Tchê saiu. Há mais opções disponíveis para manter o nível dos titulares ou mudar a característica da equipe em determinado jogo.

Não podemos deixar de considerar também o crescimento de jovens oriundos da base. Rodrigo Nestor ganhou espaço no meio-campo. Galeano é interessante alternativa vinda do banco. Luciano segue sendo o destaque e Reinaldo voa pela esquerda num sistema de três zagueiros. Dani Alves segue no meio e Liziero reaparece após lesão. Os sinais iniciais do Tricolor são ótimos.

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O meia Leonel Miranda é um dos principais jogadores do Racing
Imagem: Rodrigo Coutinho

Quem também tem um trabalho recente de treinador é o Racing, que chegou ao Grupo E vindo do ''pote 2'' no sorteio. 4ª colocada no Campeonato Argentino 2019/2020, ''La Academia'' conta com o retorno do técnico Juan Antonio Pizzi, que teve uma breve passagem pelo clube em 2019. Ele substitui Beccacece, que alcançou as quartas de final com o Racing em 2020.

Ao contrário do que acontece no tricolor paulista, o princípio de temporada do Racing é irregular. Por mais que tenha havido melhora nos últimos jogos, a equipe ainda não desperta confiança nos torcedores, mesmo com a vitória recente no clássico contra o Independiente. Comandante de um elenco mediano, mas bem equilibrado, Pizzi vai fazendo constantes testes na equipe. Titulares incontestáveis recentemente perderam espaço, e novos atletas ganham sequência.

Reniero e Matias Rojas são os melhores exemplos de jogadores titulares que hoje esquentam o banco de reservas. O recém-contratado Chancalay e o jovem Kevin Gutiérrez parecem estabelecidos na equipe. Cvitanich luta contra lesões para ganhar sequência e ocupar a vaga deixada por Lisandro López. O experiente atacante foi jogar no Atlanta United e nenhuma grande contratação foi feita para suprir. Copetti vai atuando na referência ofensiva.

Pizzi sofreu inicialmente para dar equilíbrio ao time. Por isso começou tentando organizar a defesa. Trouxe o bloco de marcação pra trás e conseguiu compactação. O time não tem feito tantos movimentos de subida de linha para marcar a saída rival. Com a bola, busca a aproximação para jogar no campo de ataque e tem como lado mais forte o esquerdo, com constantes apoios do chileno Eugênio Mena, que ganha mais liberdade que o lateral-direito.

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O atacante equatoriano Corozo leva perigo constante pelo lado esquerdo do Sporting Cristal
Imagem: Rodrigo Coutinho

Atual campeão peruano, o Sporting Cristal chega mais encorpado depois do seu 20º título nacional. Por mais tenha que perdido o artilheiro Herrera, que foi para o Argentinos Juniors, contratou Marcos Riquelme, primo da lenda do Boca Juniors. O novo centroavante dos Celestes tem uma média altíssima de gols e já chegou ao clube balançando as redes. Tem carreira de sucesso no Bolivar e todo cuidado é pouco com ele dentro da área.

Na atual edição do campeonato local, o Sporting Cristal está invicto com a melhor campanha, é o melhor time do país no momento, o que pro nível da Libertadores não significa tanta coisa, mas ao menos impõe algum respeito. O técnico é o experiente Roberto Mosquera, que está na sua terceira passagem pelo clube de Lima. Foi campeão ano passado pelos Celestes, e em 2019, dirigindo o Deportivo Binacional.

O time tem um estilo ofensivo. Gosta da posse de bola e utiliza geralmente um 4-3-3 com os pontas bem abertos. A proposta é alargar o campo e aproveitar os espaços que surgem por dentro, os meias têm liberdade de movimentação, e o volante Tavara distribui bem o jogo. Tecnicamente é um time de bom nível do meio pra frente. Ávila, recém-contratado junto ao Melgar, e o equatoriano Corozo, ex-Independiente del Valle, são pontas insinuantes.

No meio, o selecionável Christófer Gonzales e Calcaterra tentam suprir a ausência de Jorge Cazulo, experiente uruguaio, que se aposentou em dezembro. Na parte defensiva, outro uruguaio adquirido na última janela tenta resolver o problema de proteção à área. Alejandro Gonzalez, que construiu carreira na Itália e jogou no Peñarol, chegou para fazer dupla com Merlo. No gol, Duarte foi contratado para ser um goleiro maior e mais experiente em comparação a Solis, mas eles ainda disputam posição.

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O atacante Franco Pérez tem apenas 19 anos e um dos bons jovens do Rentistas
Imagem: Rodrigo Coutinho

O time que fecha o Grupo E provavelmente é o que possui menores aspirações na Libertadores 2021. Depois de ser vice-campeão uruguaio diante do gigante Nacional, o pequeno Rentistas disputará pela primeira vez a principal competição do continente. Com histórico relevante de troféus apenas na segunda divisão local, o clube debutará entre os grandes sem o treinador que fez história por lá nas últimas temporadas. Alejandro Cappuccio rumou para o Nacional e um jovem de apenas 29 anos assume o seu lugar.

O nome dele é Martin Varini, que jogou nas divisões de base do Defensor, mesmo lugar em que iniciou sua carreira como treinador, ainda aos 23 anos. Uma aposta de risco, mas dentro daquilo que o clube acredita ser possível no momento. O plantel vem sendo reforçado freneticamente nesta semana, e vários atletas devem estrear com a competição em andamento.

O experiente atacante Urretaviscaya, de 31 anos, é a principal contratação. Ele vem de uma temporada modesta no Peñarol. Fez apenas dois gols em 14 jogos e está longe de ser o atleta que se destacou no Pachuca e no Monterrey, chegando a disputar a última Copa do Mundo. O também atacante Emilliano Villar, e o zagueiro Joaquin Sosa, chegam por empréstimo do Nacional e são outros nomes que merecem atenção.

Entre os remanescentes, é bom ficar atento ao atacante Franco Pérez, de apenas 19 anos. Ele nem sempre era titular com Cappuccio, mas dava a resposta quando acionado. Tem passagem pelas seleções de base do Uruguai. É difícil imaginar um futebol diferente daquilo que as equipes de menor expressão do país produzem. Jogo reativo e muita ligação direta para o ataque. Não tem capacidade de assustar São Paulo ou Racing, mas pode fazer uma graça contra os peruanos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL