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Rodrigo Coutinho

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Os detalhes da luta contra a degola: o que pode salvar cada time

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

19/02/2021 04h00

A duas rodadas do fim do Brasileirão 2020, cinco equipes seguem com chances de se juntar a Botafogo e Coritiba, e completar o quarteto de rebaixados para a Série B de 2021. O Sport, porém, só cai com uma combinação bem improvável de resultados. Por isso deixaremos o Leão fora das projeções abaixo.

Certamente o que fez o Sport se diferir um pouco de seus concorrentes foi a manutenção de uma proposta de futebol. Por mais que o desempenho tenha sido sofrível em grande parte das rodadas, o Rubro-Negro pernambucano se agarrou em uma ideia defensiva e pautada em contra-ataque. Conseguiu ter uma organização básica e ganhou pontos importantes, como na vitória sobre o Inter no Beira-Rio. O cenário com os demais não foi o mesmo.

Fortaleza

01 - Kely Pereira/Kely Pereira/AGIF - Kely Pereira/Kely Pereira/AGIF
David comemora o segundo gol do Fortaleza sobre o Coritiba pelo Brasileirão Série A
Imagem: Kely Pereira/Kely Pereira/AGIF

Só depende de si para se salvar e, caso vença o Bahia, no Castelão, na próxima rodada, garante presença em sua terceira Série A consecutiva. Jogar dentro de casa tem sido um trunfo para o time do técnico Enderson Moreira. Em seus domínios, a equipe vem sendo mais agressiva e tomando a iniciativa de atacar. Melhorou neste aspecto. Voltou a se organizar com a bola.

Além do Bahia, adversário direto na luta contra a degola, o Leão do Pici pega o Fluminense na última rodada. O Tricolor Carioca já está garantido na Libertadores e busca um lugar direto na fase de grupos. O foco é a partida contra o Bahia, que deve ter uma postura bem parecida com a que o Vasco apresentou no Castelão há duas rodadas. O Fortaleza conseguiu lidar bem com o cenário e enfiou um 3 a 0 no Cruzmaltino.

Bahia

02 - Felipe Oliveira / EC Bahia - Felipe Oliveira / EC Bahia
Gregore, volante do Bahia
Imagem: Felipe Oliveira / EC Bahia

Tem uma verdadeira final diante do Fortaleza neste sábado (20). O jogo é fora de casa e a boa atuação contra o Atlético Mineiro na última rodada indica um caminho interessante para o Tricolor de Aço. Apostar numa ideia reativa, baseada em contra-ataques pode ser a melhor alternativa. Todas as vezes que tentou propor o jogo, o Bahia passou apuros na defesa e não produziu tanto na frente.

Logicamente, o repertório tático terá que ser ampliado caso o Fortaleza abra o placar, mas a estratégia inicial pode mexer com os nervos dos donos da casa e espaços aparecerem com mais naturalidade. Se vencer o time cearense e o Vasco empatar, está livre do rebaixamento. Empate ou derrota podem complicar as coisas a depender dos resultados dos cariocas e do Goiás. Na última rodada, recebe o Santos na Fonte Nova. O Peixe briga por vaga na Libertadores. Seria encaminhar a vida na 37ª jornada.

Vasco

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Vanderlei Luxemburgo, técnico do Vasco, observa partida contra o Fortaleza, no Castelão
Imagem: Kely Pereira/AGIF

O início promissor de Luxemburgo não se concretizou numa sequência de vitórias e o Vasco se vê muito perto de seu quarto rebaixamento para a Série B em 12 anos. Não depende só de si mais. Tem que vencer o Corinthians, em São Paulo, neste final de semana, e ainda torcer por derrotas de Bahia e Goiás para ter uma última rodada mais tranquila diante do próprio Esmeraldino.

No melhor dos cenários encararia o Goiás, já rebaixado, dentro de São Januário. E poderia até perder, desde que o Bahia não vencesse o Santos. O problema é que não vem tendo um desempenho minimamente confiável para isso. Não poderá enfrentar o Corinthians da forma que mais lhe deixa confortável —esperando o adversário—, pois precisa vencer em Itaquera. E toda vez que sai para tomar a iniciativa de atacar, cria pouco e sofre atrás. Um cenário desolador.

Goiás

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Fernandão, atacante do Goiás, comemora após marcar o segundo gol de sua equipe contra o Botafogo, pelo Brasileirão 2020
Imagem: Heber Gomes/AGIF

É o time que tem a situação mais difícil, mas em comparação ao péssimo campeonato que fez, a reta final foi até positiva. São quatro vitórias nas últimas sete partidas e o time nitidamente sabe o que fazer em todos os momentos do jogo. Falta mais qualidade técnica e experiência a um elenco que foi desmantelado ao longo da competição. Mentalmente não chega mal! Pode surpreender.

Os comandados de Gláuber Ramos e Augusto César, dupla de treinadores do clube, precisam vencer os dois jogos para aumentar as chances do milagre da salvação. Encaram o forte Red Bull Bragantino na Serrinha e encerram o campeonato diante do combalido Vasco, que é rival direto, inclusive. Não é impossível. O problema é ter que torcer contra Bahia ou Fortaleza. Os tricolores nordestinos, principalmente o baiano, não podem pontuar tanto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL