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Rodrigo Coutinho

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O que Inter e Flamengo levam de lição para o Maracanã

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

14/02/2021 20h42

Colorados e rubro-negros terminam o final de semana felizes e projetando a ''final'' do Brasileirão 2020 no próximo domingo, no Maracanã. O campeonato se decide com uma vitória do Internacional. O empate deixa tudo aberto para a última rodada. E um triunfo do Flamengo o aproximará do oitavo título nacional. Mas o que os jogos da 36ª rodada deixaram de aprendizado para o grande embate que virá?

Na parte gaúcha, vale muito tentar durante mais tempo o que foi feito nos primeiros 15 minutos diante do Vasco e no perfeito jogo cumprido contra o São Paulo, no Morumbi, há quase um mês. Manter o bloco de marcação adiantado, impedindo uma saída de bola limpa do rival e roubando bolas perto da meta.

Essa estratégia exige mais fisicamente. O retorno de Patrick é uma grande notícia. Afinal, contra o mesmo Flamengo, ainda no 1º turno, sob o comando de Eduardo Coudet, o camisa 88 produziu um gol exatamente desta forma, ao tomar a bola de Isla. Edenilson, Caio Vidal e Yuri Alberto também são talhados para exercer tal pressão com intensidade.

Manter essa pegada o jogo inteiro é impossível, principalmente no calor que faz em fevereiro no Rio, mas buscar ''machucar'' o Flamengo assim é o melhor dos cenários para o time de Abel Braga. Se não abrir o placar desta forma, ao menos pode abalar a confiança rubro-negra e minimizar o controle da posse de bola, que certamente será da equipe de Rogério Ceni.

Nos momentos em que não for possível subir as linhas, será primordial para o Inter manter uma pressão forte na bola. Em diversos jogos esse comportamento esteve ausente quando o bloco de marcação se postou mais perto da área defensiva. Desta forma conseguirá produzir em contra-ataques. A bola parada aérea é outra arma que pode ser utilizada com frequência pelo Inter. Vem marcando muitos gols desta forma.

Já o Flamengo precisa ter um pouco mais de força mental quando as coisas não saem como planejadas. Diante do Corinthians foram 20 minutos excelentes até sofrer o gol em ligação direta do adversário, cenário que pode acontecer contra o Inter. A partir daí se viu uma equipe mais ansiosa e precipitando passes em direção a área.

Ter critérios para circular a bola nas imediações da meta colorada é fundamental, seja nos momentos positivos psicologicamente ou nas partes em que o jogo foge do controle. A equipe evoluiu coletivamente. Possui ocupação de espaços eficaz e tem movimentos mais organizados nos homens de frente. Com prudência e velocidade na troca de passes, vai criar naturalmente.

Por puro feeling, creio no retorno de Gustavo Henrique ao time titular. O Inter tem uma artilharia aérea pesada na bola parada, e o zagueiro aumenta bastante a média de altura do time rubro-negro. Desta forma, Arão voltaria ao meio-campo e minimizaria a pouca combatividade de cabeça da área com Diego e Gérson. O camisa 10 perdeu uma ''segunda bola'' quase que imperdoável no lance que gerou o gol do Corinthians.

Teremos uma longa semana pela frente. Abel e Ceni podem trabalhar novos movimentos e surpresas, mas certamente Internacional e Flamengo sabem quais pecados não podem cometer se quiserem o título brasileiro de 2020.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL