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Rodrigo Coutinho

Mancini se aproxima do melhor aproveitamento da carreira no Timão

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

14/01/2021 10h21

A goleada imposta pelo Corinthians ao Fluminense na noite desta quarta-feira não chega a surpreender quem vem prestando a atenção no trabalho de Vagner Mancini. O treinador de 54 anos chegou desacreditado e fadado a ''apagar um incêndio'', como fez diversas vezes na carreira. Mas o desempenho e o aproveitamento inicial podem nos indicar algo mais duradouro.

Mancini tem cinco títulos como técnico. O principal deles uma Copa do Brasil com o Paulista de Jundiaí em 2005. Depois venceu duas vezes o Campeonato Baiano com o Vitória (2008 e 2016) e os estaduais de Santa Catarina e do Ceará, com ''Chape'' e ''Vozão'' respectivamente. Tem também um acesso para a Série A com o Vitória e um vice da Copa do Brasil com o Athlético Paranaense, mas foi rebaixado com o Botafogo em 2014.

Com poucos trabalhos realmente sólidos e longínquos na esquizofrenia que é o futebol brasileiro, o comandante do Timão conseguiu dar em 15 jogos aquilo que o clube tem buscado há algumas temporadas. Aliar segurança na defesa e criatividade no ataque. Algo muito significativo para quem completou nesta semana apenas três meses na função.

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Aproveitamento de Mancini nos primeiros 15 jogos no Corinthians é muito bom
Imagem: Rodrigo Coutinho

A única que vez que conseguiu um aproveitamento de vitórias maior do que o atual nas primeiras 15 partidas de um trabalho foi em 2013, no Athlético. Na ocasião assumiu o clube na 7ª rodada do Brasileirão e levou o Furacão não só ao vice-campeonato da Copa do Brasil, mas também a 3ª colocação naquele Brasileirão, carimbando vaga na Libertadores de 2014.

Quando chegou ao Corinthians, o time estava na zona de rebaixamento, e atualmente possui a terceira melhor campanha no returno do Brasileirão. Pontos que vieram a base de ajustes importantes, como o desenvolvimento de um modelo ofensivo mais bem elaborado e o ganho de intensidade com as semanas cheias de treinamento.

Definição de uma base e recuperação de jogadores

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Time-base do Corinthians com Mancini
Imagem: Rodrigo Coutinho

Hoje o torcedor corintiano sabe escalar o seu time de coração. Não que isso seja sempre um sinônimo de qualidade no trabalho, mas denota a sequência necessária a um grupo que precisava de entrosamento e confiança. Como teve mais dias de treinamento que o comum e jogos espaçados a partir de determinado momento, Mancini pôde utilizar quem queria sem desgastar os jogadores.

Na base titular, nomes como Gabriel, Cantillo, Gustavo Mosquito e Jô começaram a render muito mais do que antes. A entrada de Fabio Santos na linha defensiva aumentou o potencial de saída de bola e ajustou o posicionamento defensivo na lateral-esquerda. Jemerson vai se estabelecendo ao lado de Gil. Ramiro, Mateus Vital e Léo Natel são coadjuvantes importantes. E Cazares e Otero parecem recuperar seus melhores momentos do Atlético Mineiro. Inicialmente jogando de maneira reativa, ou seja, voltado mais a contra-ataques, e com ligações diretas, o Corinthians foi se soltando a partir do momento que resolveu os problemas defensivos.

Hoje apresenta um padrão bem nítido em fase ofensiva também. Solta os dois laterais em amplitude no ataque, promove a circulação dos pontas para o meio, buscando aproximações com Cazares, Gabriel e Cantillo, e gerar as linhas para trocar passes com velocidade. Vem envolvendo adversários assim e criando muito mais do que fazia.

Com pouco mais de 15 anos como treinador, Vagner Mancini só teve um trabalho realmente longevo no Paulista de Jundiaí, onde iniciou a carreira e tem seu principal troféu. Conseguir se estabelecer no Corinthians da mesma forma será um grande desafio na instabilidade dos grandes clubes brasileiros, mas o pontapé inicial é muito bom.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.