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Rodrigo Coutinho

Elenco do Flamengo precisa ser mais responsabilizado

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

12/01/2021 08h37

Rogério Ceni agora, e Domènec Torrent há alguns meses, sentiram na pele o peso de não corresponderem as expectativas no Flamengo. Ambos podem e devem ser criticados de alguma forma. Possuem erros nítidos em seus trabalhos. Mas, e os jogadores? Estaria o elenco mais badalado do Brasil fazendo a sua parte integralmente?

A resposta é não! Mais de 80% do atual plantel rubro-negro esteve presente e tem o nome marcado na história do clube pelo mágico 2019. Alguns deles são ídolos da torcida e listados entre os melhores de toda a trajetória do clube nas suas posições. Mas isso não entra em campo!

Explicar a má fase de um time somente pela expressão ''falta de vontade'' é muito raso para quem se propõe a debater o futebol com mais profundidade. Não acredito que a definição possa ser tão simplista. Mas é necessário abordar as oscilações de intensidade e concentração do Flamengo nesta temporada. Elas certamente estão ligadas a algo comportamental.

A mente humana é assim. Depois que alcançamos determinado objetivo nos acomodamos por um período. É um padrão de postura até natural, mas se mantida por mais tempo que o comum, leva a outros caminhos ainda mais nocivos, como soberba e dificuldade de lidar com insucessos. Tudo isso é muito presente no desempenho atual do Mais Querido.

O fato de estarem na galeria de grandes jogadores do Flamengo não pode fazer de Gabigol, Bruno Henrique e Everton Ribeiro, apenas para dar o exemplo de três nomes que fazem temporada bem abaixo do que podem, atletas intocáveis. Eles e todos os outros precisam ser cobrados como profissionais muito bem remunerados que são.

A postura do grupo de jogadores com Domènec foi algo abaixo do nível aceitável de profissionalismo. O ''boicote velado'' por discordâncias dos métodos de trabalho do catalão foi extremamente mal conduzido e pessimamente gerido pela diretoria, que ofereceu o ''mimo'' que seus atletas queriam. Motivou o desenvolvimento do comportamento que vemos atualmente.

Não é natural o Flamengo ''amassar'' o Fluminense em todos os âmbitos durante 40 minutos e começar a ser permissivo logo após abrir o placar. Se comportar daquela maneira diante do Ceará na primeira meia hora de jogo, como fez no último domingo. Ter atletas expulsos de forma infantil em diversos momentos importantes da temporada. Ser tão preguiçoso como contra o Fortaleza e instável contra o Bahia.

Com Dome havia desorganização defensiva e o rodízio era questionado. Com Rogério as escolhas de escalações e substituições precisam ser mais bem explicadas, a movimentação ofensiva necessita de alguns ajustes. Mas até que ponto o péssimo comportamento do plantel não vem atrapalhando o desenvolvimento coletivo?

O grupo de jogadores do Flamengo precisa deixar de fazer ''biquinho'' e dar ''chiliques''. O dedo na ferida colocado por Diego Ribas e Arrascaeta após as derrotas para Ceará e Fluminense é necessário e verdadeiro. Ninguém pode viver de pôster na parede!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.