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Rodrigo Coutinho

Olho neles! Confira os 'underdogs' do Brasileirão 2020

Rodrigo Coutinho

Rodrigo Coutinho é jornalista e analista de desempenho. Acredita que é possível abordar o futebol de forma aprofundada e com linguagem acessível a todos.

Colunista do UOL

08/01/2021 04h00Atualizada em 08/01/2021 10h18

A poucas rodadas do fim do Brasileirão 2020 já podemos destacar jogadores que não chamaram tanto a atenção da ''grande mídia'' ao longo da competição, mas tiveram bom desempenho e podem ser alvos no mercado para a próxima temporada. Alguns deles devem retornar de empréstimo a seus clubes de origem com moral. Confira abaixo seis nomes underdogs para ficar de olho no território nacional. Numa tradução literal, os ''azarões'' da Série A.

01 - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Lucas Evangelista, meia do Red Bull Bragantino
Imagem: Fonte: Opta

Quem acompanha com atenção o futebol de base nos últimos anos não se surpreende com a inclusão de Lucas Evangelista na relação. Ele começou no Desportivo Brasil e chegou ao São Paulo na categoria Sub-20. Fez duas temporadas nos profissionais logo na sequência e foi vendido para a Udinese.

Não conseguiu se destacar no Calcio e foi emprestado ao Panathinaikos e ao Estoril. Em Portugal se destacou e acabou adquirido pelo Nantes em 2018. Na França também não obteve tanta notoriedade e, depois de um empréstimo ao Vitória de Guimarães, chegou ao Red Bull Bragantino em agosto.

É titular da equipe dirigida por Mauricio Barbieri. Atua como ''segundo homem'' de meio-campo. No momento defensivo forma a linha ao lado de Raul. E no momento ofensivo se solta como meia-direita na mesma linha de Claudinho. Auxilia na articulação de jogadas do Massa Bruta pela faixa central do campo.

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Lucas Evangelista buscando a tabela com o ponta e se lançando para receber em profundidade. Faz isso constantemente
Imagem: Rodrigo Coutinho

Possui controle de bola, ótimo passe, visão de jogo e intensidade no momento ofensivo. Busca ser vertical. Tem mobilidade pra fazer infiltrações e atacar espaços, além de circular na zona de construção do meio. Facilidade para se colocar entre as linhas de meio e defesa do time rival ou ver o jogo de frente.

Precisa melhorar a finalização diante dos goleiros, ter mais calma para balançar as redes. O problema não é exatamente técnico, já que tem um bom chute de média distância. Defensivamente apresenta um bom posicionamento, mas pode ter uma abordagem de marcação mais forte, pressionar a bola com mais pegada.

03 - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Sabino, zagueiro do Coriitba
Imagem: Fonte: Opta

Poucos jogadores têm se salvado em meio a péssima campanha feita pelo Coritiba no Brasileirão, mas o zagueiro Sabino pode se considerar um deles. Ele esteve presente em todos os jogos do Coxa na competição, exceto a partida contra o Santos, pois pertence ao Peixe. Leva poucos cartões e não se lesiona com frequência.

O defensor foi revelado pelo Alvinegro Praiano, mas nunca teve chance nos profissionais do clube. Atuou pelo time sub-23 até ser emprestado para o Coritiba em 2019. Se destacou na Série B e permaneceu no sul do país. Já tem 82 jogos pelo alviverde e 11 gols marcados. É um ''zagueiro artilheiro'' nato.

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Sabino bem posicionado dentro da grande área. Vai bem na frente, mas protege a área com competência
Imagem: Rodrigo Coutinho

Os atributos ofensivos de Sabino chamam mesmo a atenção. É o cobrador oficial de pênaltis do time, com bom aproveitamento, e gera perigo constante nas bolas paradas aéreas também. Mas o futebol de Sabino não é só isso. Logicamente um zagueiro para se destacar precisa de um bom desempenho protegendo a área. E ele apresenta isso.

Tem posicionamento e postura corporal correta na última linha, eficiência na bola aérea e capacidade de recuperação, além de velocidade para um zagueiro. Pelo físico expressivo tem dificuldades nas mudanças de direção com rapidez. Possui bom passe longo e curto, e demonstra calma quando pressionado.

Pode ser mais contundente em alguns duelos individuais, tem força para isso. Talvez essa questão possa ser oriunda de oscilações de concentração ou abatimento em caso de resultados adversos, como é perceptível em determinados jogos e momentos de partidas específicas.

05 - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Breno, volante do Goiás
Imagem: Fonte: Opta

Outro atleta que passou boa parte do campeonato na zona de rebaixamento com sua equipe, mas conseguiu se destacar é o volante Breno, do Goiás. Revelado na base do próprio clube, teve sua primeira oportunidade nos profissionais no ano retrasado, com apenas 19 anos.

Fez 11 jogos no Brasileirão de 2019 e na atual edição da competição já entrou em campo em 22 partidas, 21 como titular. É mais um dos muitos jogadores produzidos pelo Esmeraldino nos últimos anos a chegar ao time de cima e dar uma resposta positiva. Virou titular sob o comando de Thiago Larghi e não deixou mais a equipe.

Observar Breno com mais atenção causa certo desconforto ao ver como poderia ser bem utilizado caso jogasse em um time mais organizado. Isso não acontece exatamente no Goiás. É um volante de ótimo passe. Vendo a partida de frente dificilmente erra uma tomada de decisão, mas vem atuando mais adiantado. Numa faixa de campo onde nem sempre acrescenta tanto.

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Breno, centralizado, indo de encontro a bola. Faz esse movimento constantemente
Imagem: Rodrigo Coutinho

Breno tem apenas 20 anos e precisa normalmente evoluir em alguns aspectos. Um deles é a capacidade física para pressionar a bola com mais intensidade no momento defensivo e atuar em espaços maiores de campo. Por isso acaba oscilando quando não joga como o volante mais preso na frente da defesa.

É agressivo e corajoso com a bola. Tem personalidade, mas precisa melhorar sua leitura em algumas jogadas, principalmente de antecipação defensiva. Se o Goiás fosse um time com um padrão ofensivo mais organizado e, principalmente, privilegiasse a posse de bola, se desenvolveria com mais rapidez.

07 - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Adryelson, zagueiro do Sport
Imagem: Fonte: Opta

Titular da defesa do Sport desde a reta final do Brasileirão 2018, o zagueiro Adryelson conseguiu destaque em algumas partidas da Série A. O atleta já havia ido bem na Série B em 2019, e confirmou o bom nível no ano do retorno a elite do futebol brasileiro. Revelado pelo clube, recebeu a sua primeira oportunidade nos profissionais em 2015, com apenas 17 anos.

Na ocasião atuou 38 minutos em partida válida pelo hexagonal final do Campeonato Pernambucano, contra o Santa Cruz. Foi relacionado para vários outros jogos até meados de 2017, quando foi emprestado ao Sub-20 do Palmeiras. Voltou ao Leão depois de alguns meses e engrenou no time principal.

É um zagueiro forte fisicamente. Atua preferencialmente pelo lado esquerdo da defesa, mesmo sendo destro. Viril para os duelos individuais, interceptações e com capacidade de antecipação. Bom posicionamento. Saída de bola apenas trivial, faz o básico, não lida bem quando pressionado e não funciona para a construção de ataques mais elaborados. Ideal para times reativos, que se fecham e jogam em contra-ataque.

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Adryelson posicionado dentro do setor. Não é um zagueiro para 'caçar' atacantes em encaixes e perseguições
Imagem: Rodrigo Coutinho

Precisa aprimorar-se quando encara atacantes que fazem bem o pivô, costuma se precipitar e cometer faltas tolas. Bola aérea eficiente, principalmente no ataque. Não é tão alto, mas possui impulsão e bom tempo para atacá-la por cima.

Adryelson funciona bem atuando em um espaço mais restrito de campo, marcando por zona, protege bem a área e o seu setor. Não tem características físicas de velocidade e mudanças rápidas de direção para marcar por encaixes. Não é exatamente lento, mas também não pode ser considerado um defensor notadamente rápido.

09 - Fonte: Opta - Fonte: Opta
Léo Chú, ponta do Ceará
Imagem: Fonte: Opta

Destaque na base do Grêmio desde o Sub-15, Léo Chú foi emprestado para o Ceará visando ganhar rodagem e sequência de jogos na Série A do Brasileirão. Deu certo! O Imortal receberá de volta um atleta que mostrou que pode render neste nível.

O ponta canhoto chegou ao Vozão em fevereiro de 2020, mas não conseguiu espaço logo de cara. Foi titular pela primeira vez apenas em outubro, e a partir daí quase não saiu mais do time ideal de Guto Ferreira. Pelo Grêmio, chegou a atuar cinco minutos no início do ano passado, pela Recopa Gaúcha, diante do Pelotas. Em 2019, foi relacionado para a apenas um jogo, mas não entrou.

Léo é o típico ponta-esquerda. Rápido e insinuante com seus dribles, busca quase sempre as jogadas de linha de fundo. Dá muita profundidade aos seus times desta forma. Pode atuar também pela direita, correndo em direção a área, mas rende melhor pelo flanco oposto. É grande arma em contra-ataques. Tem facilidade para atacar espaços com agressividade.

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Léo Chú bem aberto pela esquerda, atacando o espaços nas costas da defesa adversária em contra-ataques. É um perigo desta forma
Imagem: Rodrigo Coutinho

Outro ponto positivo do jogo dele é a dedicação no momento defensivo. Apurou esse aspecto nos últimos meses. Tem força física, explosão e, apesar de franzino, resiste bem aos choques de atletas mais musculosos. Por isso ganhou a posição num time mais reativo, como é o Ceará. Finaliza bem de média distância e não costuma perder gols em chances nítidas.

Com apenas 20 anos, Léo Chú tem naturais dificuldades nas tomadas de decisão em alguns momentos, o que acaba fazendo com que cometa muitos erros na hora do último passe. Entender melhor o momento de dar mais um drible, o tempo de passar a bola ou desacelerar em alguns lances o fará crescer. Para ir bem no Imortal, vai precisar aprender a trabalhar em espaços curtos.

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Nicolas, lateral do Atlético Goianiense
Imagem: Fonte: Opta

Revelado pelo Athlético Paranaense, Nicolas teve algumas oportunidades nos profissionais do Furacão entre 2016 e 2018. Em sua primeira temporada no time de cima, com apenas 19 anos, chegou a ser titular com Paulo Autuori na reta final do Brasileirão que o clube terminou na sexta posição.

No ano seguinte perdeu espaço, mas seguiu sendo aproveitado regularmente até o empréstimo para a Ponte Preta em agosto de 2018. Não se firmou na Macaca que terminou aquela Série B em 5º, mas ao chegar no Atlético Goianiense em 2019, se desenvolveu e é o dono da lateral-esquerda desde então.

Participou da campanha que levou o Dragão de volta para a Série A como titular e manteve-se nesta condição na elite do futebol brasileiro. É um lateral de muita força física para atuar no ''corredor'' esquerdo. Chega com facilidade à linha de fundo diversas vezes por jogo e tem um bom cruzamento, além de boa tomada de decisão perto da área.

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Nicolas é presença constante no flanco esquerdo fazendo bons cruzamentos
Imagem: Rodrigo Coutinho

Outro ponto de destaque de Nicolas é o desempenho na bola aérea. Para os padrões dos laterais brasileiros, é alto, por isso é constantemente acionado em ligações diretas para ganhar a ''primeira bola'' pelo alto, e contribui em cruzamentos defendendo a própria área. Cobra bem escanteios e faltas laterais.

Tem intensidade sem a bola, melhorou o posicionamento defensivo, mas por vezes se afoba nos duelos individuais. Possui bom passe, mas pode aprimorar sua saída de bola. Quando pressionado não costuma reagir tão bem. Talvez em um time com padrão ofensivo mais bem elaborado possa crescer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.