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Desculpa, Casão, mas o Gabigol é melhor que o Guerrero

Rodolfo Rodrigues

Rodolfo Rodrigues é apaixonado por números e estatísticas no futebol. Foi repórter do Lance!, editor da Placar e do prêmio Bola de Prata ESPN e é autor de dez livros sobre futebol.

04/08/2020 09h56

Sou muito fã do Casagrande e não é de hoje. Há tempos o considero como um dos mais sensatos comentaristas do nosso futebol. Mas dessa vez vou ter que discordar do seu ponto de vista. Nessa segunda-feira (3), no programa Bem Amigos, do Sportv, ele disse que Guerrero é o melhor centroavante da América do Sul. À frente ainda dos consagrados uruguaios Luís Suárez e Cavani. Não vejo bem assim.

Guerrero, claro, é um grande atacante. Hoje, com 36 anos, ainda está jogando bem no Internacional. Em 2020, marcou 7 gols em 11 jogos e vem de boas atuações pós-parada do Campeonato Gaúcho por conta da pandemia do coronavírus. Na carreira, como foi abordado na discussão, Guerrero também tem um ótimo histórico. Jogou na Alemanha, no poderoso Bayern Munique, foi campeão do Mundial de Clubes com o Corinthians, é o maior artilheiro da seleção peruana e ajudou o seu país a voltar para uma Copa depois de 26 anos

Mas acho que tecnicamente os outros centroavantes mencionados (Gabigol, Suárez e Cavani) são melhores. Guerrero tem muita presença de área, mas não é tão habilidoso e nem de longe tão goleador quanto os demais. Guerrero impõe respeito, está sempre brigando com o adversário, procurando espaço, mas com a bola no pé não é tão letal quanto o Gabigol, por exemplo.

Além disso, os números estão aí para mostrar a diferença entre eles. Guerrero, aos 36 anos, tem 275 gols marcados em 688 jogos (média de 0,40 por partida). Gabigol, 23 anos, já marcou 141 gols em 299 jogos (0,47 por partida). Pelo Flamengo, onde atuou de 2015 a 2018 e ganhou apenas um Carioca, Guerrero marcou 43 gols em 112 jogos. Gabigol, pelo rubro-negro, fez mais gols em menos tempo. Foram 54 gols em 73 jogos - 0,74 de média contra 0,38 do peruano. Pelo Fla, Gabriel ganhou ainda um Brasileirão (sendo artilheiro), um a Libertadores (também como artilheiro), uma Recopa Sul-Americana, uma Supercopa do Brasil e, recentemente, um Carioca, sendo artilheiro e líder em assistências.

Perto de Cavani e Luis Suárez então, Guerrero fica bem atrás no número de gols e conquistas. Luis Suárez, titular do Barcelona e maior artilheiro da seleção uruguaia, tem 477 gols na vitoriosa carreira, com direito a artilharia no Campeonato Holandês, Inglês e Espanhol. Cavani, maior artilheiro do PSG, segundo da Celeste, e um dos maiores do Napoli, já marcou 403 gols.

Alguns podem falar que Gabigol não deu certo na Europa. É verdade. Teve tempo e não vingou por Benfica e Inter de Milão. Mas ainda é novo e pode ter outra chance. Guerrero foi muito cedo para lá. Saiu das categorias de base do Alianza Lima para o Bayern Munique, onde começou jogando pelo time B. Na equipe principal do time alemão, ganhou sua primeira chance aos 21 anos e depois disputou duas temporadas sem ser titular absoluto. No Hamburgo, clube sem tanta expressão na Alemanha nos anos 2000, Guerrero teve uma boa fase.

Na seleção peruana, foi artilheiro da Copa América três vezes (2011, 2015 e 2019) e no Corinthians, além do Mundial, ganhou ainda um Paulista (2013), uma Recopa (2013) e um Brasileirão (2015). Gabigol começou no Santos com 17 anos, em 2013. Ganhou dois Paulistas (2015 e 2016) e depois a medalha de ouro nas Olimpíadas (2016). Em sua volta da Europa, foi artilheiro do Brasileirão de 2018. Além disso, foi três vezes artilheiro da Copa do Brasil (2014, 2015 e 2018).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.