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Marluci Martins

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marluci: A desconstrução de Renato Gaúcho chama a atenção na derrota

Renato Gaúcho, técnico do Flamengo, durante a final da Libertadores em Montevidéu - REUTERS
Renato Gaúcho, técnico do Flamengo, durante a final da Libertadores em Montevidéu Imagem: REUTERS
Marluci Martins

Marluci Martins começou no jornalismo esportivo em 1988 e cobriu seis Copas do Mundo (1994, 1998, 2006, 2010, 2014 e 2018), pelos Jornais O Dia, Extra e O Globo. Foi setorista dos quatro grandes clubes do Rio e, apaixonada por futebol, frequentou estádios nos mais variados endereços – com a caneta ou a bandeira. Em primeira mão, anunciou as aposentadorias de Romário e Ronaldinho Gaúcho, entre outros furos marcantes da carreira, como a primeira entrevista com o então treinador Ricardo Gomes pós-AVC. Para ela, a rede de internet é como a do futebol: desperta alegria e tristeza, amor e raiva. Que não nos falte o fair play.

27/11/2021 21h47

A desconstrução de Renato Gaúcho é o que chama a atenção na derrota do Flamengo para o Palmeiras na final da Libertadores. O técnico já entrou em campo com a corda no pescoço, esculhambado nas redes sociais pela própria torcida, unanimidade nas críticas, cabisbaixo. Suas chances de reverter o quadro eram mínimas, teria que reinventar a bola para sair nos braços rubro-negros.

As goleadas que fizeram o treinador decolar se desfizeram aos poucos nesses pouco mais de quatro meses. Criaram em algum momento a ilusão de que o Flamengo era mesmo a melhor equipe do continente e levaria para a Gávea os troféus do Brasileiro, da Copa do Brasil, da Libertadores. Era um futebol alegre, e o comandante motivador e boa praça cumpria seu papel de unir o escrete e recuperar jogadores sem confiança. Um substituto perfeito para Rogério Ceni.

Do nada, o bolo desandou. Renato não conseguiu tornar imbatível o valioso elenco que caiu no seu colo. Nem chegou perto disso. Esperava-se mais do time, e neste fim de temporada ficou claro que as engrenagens do departamento de futebol não funcionaram. O desgaste individual minou a força do time. Os jogadores foram sucumbindo, sem gás e pálidos. Há muito a ser aperfeiçoado no Flamengo. O calendário é puxado principalmente para quem vai disputar título em todas as frentes, é preciso planejar.

Crucifica-se Renato pelo que deu errado, e há alguma injustiça nas cobranças. Renato perdeu a decisão da Libertadores na prorrogação, vendo seu time sofrer o gol definitivo em uma falha horrorosa de Andreas Pereira. Mas a cicatriz do fracasso não foi feita somente em Montevidéu. A ferida foi aberta antes, quando se levantou a absurda hipótese de ele ter ajudado o Grêmio no empate em 2 a 2 do último dia 23. Renato não merece tanto rancor.

Coisas do futebol. Renato vai ter que encontrar outro caminho, um novo pouso. Do Flamengo, ele não leva nenhuma alegria, e a recíproca é verdadeira.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL