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Fábio Seixas

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Novidade da F1 em 2021, 'sprint races' podem sumir em 2022

Max Verstappen celebra a vitória na primeira corrida de classificação da F1, em Silverstone, no ano passado - Mark Thompson/Getty Images
Max Verstappen celebra a vitória na primeira corrida de classificação da F1, em Silverstone, no ano passado Imagem: Mark Thompson/Getty Images
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

20/01/2022 14h31

Uma das grandes novidades da última temporada da F1 corre o risco de ser enterrada antes do próximo Mundial: as "sprint races", ou corridas de classificação.

O motivo, como quase tudo o que envolve a categoria, é dinheiro. Algumas equipes alegam ser inviável fazer as seis minicorridas programadas pela FIA sem uma compensação financeira.

Em dezembro, durante o fim de semana do GP da Arábia Saudita, a FIA anunciou a intenção de dobrar o número de eventos com corridas de classificação.

No ano passado foram três, ainda em caráter experimental: Silverstone, Monza e Interlagos. Para 2022, a ideia é levar a novidade para o Bahrein (abertura do Mundial, em 20 de março), Imola (24 de abril), Canadá (19 de junho), Áustria (10 de julho), Holanda (4 de setembro) e, novamente, Brasil (13 de novembro).

O probleminha é que essa mudança na rotina dos GPs custa dinheiro.

Uma coisa é disputar sessões classificatórias para o grid de largada num ambiente mais controlado, com Q1, Q2 e Q3. Outra é colocar 20 pilotos para disputar uma prova de 100 km, sujeitos a acidentes e com desgaste de equipamento muito maior.

Algumas equipes chiaram. E o assunto estava sendo tratado com discrição até que Zak Brown, CEO da McLaren, resolveu falar publicamente.

"Algumas equipes estão pedindo aumento do teto de custos. Um, em particular, pede US$ 5 milhões, o que é ridículo", disse o americano em entrevista à BBC.

No ano passado, para viabilizar as experiências, a F1 ajudou as equipes com US$ 100 mil por evento, flexibilizou o teto de gastos e criou um fundo para eventuais prejuízos com acidentes.

Nada disso está previsto agora. Mais: o teto de gastos para cada equipe ao longo da temporada foi reduzido de US$ 145 milhões para US$ 140 milhões.

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Zak Brown, CEO da McLaren
Imagem: Dan Mullan/Getty Images

Brown foi direto e reto. Não citou as equipes, mas disse que tem gente querendo usar as corridas de classificação como desculpa para driblar o teto de gastos.

"Não há nenhum racional por trás do pedido. Quando você os questiona, eles respondem com ilações, com possibilidades de coisas inesperadas acontecerem... Nada disso faz o menor sentido."

O passado recente pode dar uma dica de quem se trata. No ano passado, a Red Bull foi a equipe que mais brigou contra o teto de custos. E isso pode complicar as coisas.

A FIA precisa do aval de 8 das 10 equipes para que as corridas de classificação aconteçam. A Red Bull controla dois votos: o seu e o da AlphaTauri. Ou seja, se mais um time estiver ao seu lado na queda de braço, o projeto vai pro espaço.

Os dirigentes da categoria têm dois meses para desatar este nó.

Uma hipótese levantada pela imprensa inglesa é FIA e Liberty desistirem em 2022 e voltarem com o formato só no ano que vem _mudanças votadas com tanta antecedência só precisam de aprovação de metade das equipes.

Meu palpite: vão aumentar o teto em US$ 2 milhões ou US$ 3 milhões e segue o jogo.