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Eliana Alves Cruz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Retrospectiva 2021: Olimpicamente lutadores

Hebert Conceição comemora o nocaute que garantiu a medalha de ouro no boxe dos Jogos Olímpicos de Tóquio - Xinhua/Ou Dongqu
Hebert Conceição comemora o nocaute que garantiu a medalha de ouro no boxe dos Jogos Olímpicos de Tóquio Imagem: Xinhua/Ou Dongqu
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Eliana Alves Cruz

Eliana Alves Cruz é escritora e jornalista há 25 anos. Foi chefe de imprensa dos esportes aquáticos do Brasil e é membro da comissão de mídia da Federação Internacional de Natação. Tem dois romances premiados: Água de barrela e O crime do cais do Valongo.

24/12/2021 04h00

É inevitável. Os últimos dias do ano sempre nos levam para aquela passada de olhos no eu foram os últimos 12 meses da vida. Esta tarefa tem sido mais árdua a cada ano do novo século, dado o número de informações por minuto, que fazem com que algo acontecido agora possa estar terrivelmente envelhecido daqui a poucas horas. Este cronômetro de provas de velocidade sempre disparado em nosso dia a dia dá a sensação de que os Jogos Olímpicos de Tóquio, de 23 de julho a 8 de agosto deste ano, pareçam algo muito, muito distantes... Não importa. A única certeza é que, mais uma vez, todos os que amam esportes no Brasil e dele de alguma maneira vivem, foram olimpicamente lutadores.

Lutadores nem sempre vencem. Aliás, uma das primeiras lições de qualquer competidor mediano é que sua vida dentro dos ringues, piscinas, campos, quadras etc. será muito mais de tentativas, erros e treinos do que de momentos no alto do pódio. Sem algum apreço por este caminho nada fácil na busca não se alcança. No entanto, o cansaço bate pesado quando nesta estrada já acidentada por natureza soma-se um país que deseja resultados, mas que oferece poucas condições para que eles cheguem, pois, um atleta olímpico não se faz em um ciclo de quatro anos.

As belas, emocionantes e grandes histórias de êxito do Brasil em Tóquio foram frutos de, para usar de modéstia nos números, no mínimo dois ciclos de quatro anos de investimentos. É muito mais, sabemos. Desta forma, o que está sendo feito agora para que daqui a dois ciclos ou mais tenhamos o esporte como um valor nacional para a educação, promoção da infância e da juventude, como um direito da população que beneficia a saúde, o bem viver e -- por que não? -- Nos grandes resultados das principais competições do mundo fortalecendo tudo isto?}

O ato de resistir é lindo. Sem resiliência não se faz uma campeã, um campeão. No entanto, para alguns e algumas é extremamente difícil alcançar o que é básico. Isto faz de determinadas conquistas um ato heroico, mas, exigir heroísmo para disfarçar desigualdade e privilégios é injusto, desumano e cruel. Observando a história de vida da maioria dos que conseguiram passar na estreita peneira que leva ao pódio, é fácil encaixar nossos atletas dentro desta trajetória.

Investimento, atenção e respeito com a atividade esportiva é algo que precisamos reivindicar, desejar e alcançar para que além de ser um país olimpicamente lutador, também sejamos uma nação verdadeiramente vencedora.