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Craque Daniel

O rebaixamento mais sereno da história

Diretoria do Botafogo se livra de antigos hábitos que só traziam desilusão e sofrimento - Divulgação/Botafogo
Diretoria do Botafogo se livra de antigos hábitos que só traziam desilusão e sofrimento Imagem: Divulgação/Botafogo

25/01/2021 13h42

O Botafogo perde novamente e segue cada vez mais longe da luta pelo G16 do Brasileiro, mas brindando seu torcedor com uma palavra muito valiosa: serenidade. Dessa vez a sossegada derrota foi para o Fluminense, com destaque total para Diego Cavalieri, que falhou no primeiro gol, mas no último minuto inteligentemente cometeu um pênalti porque sabia que defender uma penalidade seria sua única chance de se redimir. Infelizmente Wellington Silva converteu e fez 2 x 0, mas fica aqui a admiração pela pró-atividade do profissional Cavalieri.

O técnico alvinegro Barroca segue fazendo do seu time um dos mais imprevisíveis do campeonato: uma equipe que pode levar gols a qualquer momento e de todas as formas. Depois de ter deixado encaminhado o rebaixamento do Coritiba, Barroca foi trazido para conduzir o rebaixamento em General Severiano com calma, sem vitórias que possam provocar emoções desnecessárias aos corações botafoguenses. Se tudo der certo esse será um dos descensos mais tranquilos da história do clube.

O Botafogo parece ter conseguido se livrar até do vício da ladainha de "dar alegria ao torcedor". Justificadamente, nenhum atleta ou qualquer profissional do clube parece ter o menor interesse na alegria do torcedor (pelo menos do Botafogo), que sabidamente encontra-se em estado de desespero há décadas.

Meio de tabela: sempre o melhor lugar para se estar

Luiz Henrique jogador do Fluminense disputa lance com Adryelson jogador do Sport durante partida no estádio Engenhão peloCampeonato Brasileiro A 2020 - Jorge Rodrigues/AGIF - Jorge Rodrigues/AGIF
Meio de tabela: a alegria das emoções comedidas
Imagem: Jorge Rodrigues/AGIF

Falando em equilíbrio emocional, do lado do Fluminense o destaque vai para Egídio e a tranquilidade com que esse atleta erra quase tudo o que tenta. Sua paz espiritual no erro transmite calma aos mais jovens, o que permite que o time crie vitórias como a de ontem. A experiência de Egídio, ao lado de Nenê e Fred, pode proporcionar ao Tricolor uma formação tão experiente, mas tão experiente, que boa parte do grupo corre o risco de se aposentar e adormecer em campo durante as partidas, como aconteceu com o Cruzeiro na última temporada.

Tudo isso comandado pelo técnico possivelmente interino Marcão, que substituiu em cima da hora Odair Hellmann, mas foi substituído por Aílton, que deu lugar ao próprio Marcão. A impressão é que o time é comandado por quem estiver passando por perto na hora, o que dá ainda mais confiança aos atletas. Nada pacifica mais a alma do que perceber que você está entregue à própria sorte. E com essa combinação explosiva de experiência + tranquilidade, o Fluminense segue quieto, sem chamar atenção na briga por uma vaga na Libertadores. Muitos adversários inclusive nem sabiam que o Fluminense estava disputando esse campeonato, e se viram surpreendidos em algumas partidas.

Uma dessas equipes foi o Corinthians, que quando percebeu que havia outro time em campo e era o Fluminense, já estava ganhando de 5 x 0, resultado que surpreendeu e confundiu até mesmo seu técnico Vagner Mancini.

Mancini vem se consolidando no cargo, e a necessidade de uma nova troca de treinador para a próxima temporada parece cada vez mais distante. Tranquilidade que o clube precisa, passados os recentes e conturbados tempos de troca de técnico, com direito a todo tipo de especulação: até o ex-treinador Emerson Leão declarou na oportunidade ter recebido "diversos telefonemas". Mas infelizmente nenhum era sobre o assunto. Variavam entre ofertas de novos planos de telefonia celular, uma gravação do ator Francisco Cuoco vendendo ômega 3 (que supostamente previne a formação de coágulos no sangue) e golpes de falsos sequestros. Isso fora a avalanche de emails com ofertas de aumento peniano, essa constrangedora praga eletrônica que parece não ter fim.

Mas o fato é que tanto Fluminense quanto Corinthians lutam para permanecer no meio de tabela, essa região preciosa do futebol, onde tanto as tristezas quanto as alegrias são mais comedidas.

Precisamos falar sobre Grêmio e São Paulo

Fernando Diniz comanda o São Paulo em jogo contra o Internacional pelo Brasileirão - Marcello Zambrana/AGIF - Marcello Zambrana/AGIF
Se for para perder, que seja saboreando cada momento
Imagem: Marcello Zambrana/AGIF

Na longínqua e estressante ponta da tabela, o Grêmio de Renato e o São Paulo de Diniz seguem sendo estapeados jogando o melhor futebol do país. Renato passou a ameaçar jogar com o sub-23, e quem sabe finalmente cumprir sua promessa de 2008, quando disse que iria "brincar no Brasileiro". Já Diniz segue seu estilo de fazer a equipe ir muito mal no primeiro tempo e assim ter material para motivar seus atletas, através de seus conhecidos métodos de xingamentos e humilhação pública. Sem arrependimento não há redenção, mas infelizmente no São Paulo a esta altura só há arrependimentos e mais nada.

Nessa região da tabela, o lenga-lenga de "dar alegria ao torcedor" persiste enquanto nenhum clube parece fazer por merecer o título. Seria muito mais útil à torcida que os atletas fizessem por onde para sua própria satisfação e sua própria gana de vencer, em vez ainda de tentar enrolar alguém com o velho discurso de caridade emocional. Ganhem por vocês mesmos! Não precisamos de ninguém para nos deprimirmos. Podemos fazer isso muito bem sozinhos.

Essa coluna não reflete nem minhas próprias opiniões. Escrevo enquanto discordo veementemente de minhas próprias palavras.

Questionamento do Professor Cerginho.

Bilhetinho - reprodução - reprodução
Imagem: reprodução

Craque Daniel é apresentador do Falha de Cobertura, (supostamente) ex-jogador, empresário de atletas e inocentado de todas as acusações feitas contra ele.
(Personagem interpretado por Daniel Furlan, um dos criadores da TV Quase, que exibe na internet o Falha de Cobertura e Choque de Cultura.)