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Craque Daniel

Elogio da Doidera

Atormentado, Lisca arma um soco em sua própria face: ele se cobra demais - Fernando Alves/AGIF
Atormentado, Lisca arma um soco em sua própria face: ele se cobra demais Imagem: Fernando Alves/AGIF
Craque Daniel

Craque Daniel é apresentador do Falha de Cobertura, (supostamente) ex-jogador, empresário de atletas e inocentado de todas as acusações feitas contra ele. *Personagem interpretado por Daniel Furlan, um dos criadores da TV Quase, que exibe na internet o Falha de Cobertura e Choque de Cultura.

23/11/2020 12h00

A semana que passou foi de Eliminatórias para a Copa do Catar com o calendário dos clubes brasileiros acontecendo simultaneamente, expondo ao mesmo tempo o Brasil da Copa e a Copa do Brasil no grande liquidificador de sonhos que é o futebol. Jogadores se arrebentando em campo em jogos enfadonhos, outros apodrecendo no Departamento Médico - mas o intervalo comercial não pode parar.

A culpa é da Seleção? A culpa é dos clubes? A resposta parece óbvia: a culpa é da razão e da matemática, que não acomodam nos 365 dias do ano a quantidade de eliminatórias, copas do Brasil, amistosos contra El Salvador, estaduais e copas américa que insistem em brotar - isso porque não temos mais a Primeira Liga. Alguém lembra da Primeira Liga? Pois é, imaginei que não.

Matemática: uma ciência obsoleta?

Por outro lado, os números mostram que esse começo de Eliminatórias da Seleção de Tite só é comparável com as Eliminatórias para a Copa de 82, paralelo que caiu como uma bomba no mundo dos deslumbrados com números. E como números não podem ser questionados, a surrealidade desses dados acabaram colocando em cheque a credibilidade da própria matemática, que pode a qualquer momento ruir, assim como os pilares do pensamento onde baseamos a nossa razão. A parte boa é que isso deve fazer com que o futebol volte a ser analisado através de gritos e murros na mesa, como sempre deveria ter sido.

A bem da verdade, a matemática nunca foi totalmente comprovada, sustentando-se apenas graças a um empilhamento aleatório de números com resultados arbitrários que são enfiados goela abaixo da população. Mas ainda assim vale destacar o trabalho a longo prazo do estrategista Tite, que vem subvertendo não só a lógica, mas o próprio conceito de vitória, conseguindo transformar os triunfos da Seleção Brasileira em eventos deprimentes e desmotivadores. Uma profunda mudança cultural que vai de encontro ao nosso histórico recente de derrotas clássicas: com o adversário jogando muito melhor e ganhando porque era muito melhor e fez mais gols.

Tudo indica que Tite continuará no cargo em sua campanha irretocável rumo a ser eliminado pelo primeiro europeu razoável que encontrar pela frente, enquanto pelo caminho reduz seus discursos a caricaturas de si próprio em comerciais do Itaú.

Diário da Copa do Brasil

Nesse meio tempo, na Copa do Brasil, a semana foi de fortes emoções para uns e sono tranquilo para outros.

Do lado do São Paulo, no intervalo de um primeiro tempo difícil e sem gols contra o Flamengo, os microfones captaram parte das instruções do cerebral Diniz, dizendo algo do tipo "vamo melhorar", "tem que melhorar" - ensinamentos que podem parecer óbvios, mas que funcionaram provavelmente porque até receber essas sabedorias, os atletas não sabiam que tinham que melhorar. Só faltou revisar a matéria contra o Vasco no fim de semana.

Pênalti: penalidade para quem?

Vitinho recebe instruções do técnico Rogério Ceni na beira do campo - André Mourão/Foto FC/UOL - André Mourão/Foto FC/UOL
Vitinho em ação contra o SPFC, partida em que conseguiu adormecer durante a cobrança de um pênalti
Imagem: André Mourão/Foto FC/UOL

Enquanto isso, no Flamengo, alheio ao clima de "vamo lá porra" do adversário, Vitinho desfilava em campo da forma mais perigosa possível para si e sua equipe: com moral. Moral que o credibilizou a pegar a bola na hora da cobrança de uma penalidade; moral que lhe garantiu um sono tranquilo à noite, mesmo que ele tenha adormecido no meio dessa cobrança.

A ironia é que não havia necessidade de Vitinho chamar a responsabilidade num plantel que tem Bruno Henrique, que também teria totais condições de errar, além de Everton Ribeiro, que gosta de bater com extrema categoria nas mãos do goleiro, isso sem falar nas boas opções Pedro, contundido, e William Arão, inconsciente durante toda a partida.

Essa equipe numa eventual disputa de pênaltis pela Libertadores ainda pode proporcionar uma pluralidade de desperdícios extremamente interessante, mas no que diz respeito à derrota para o São Paulo, a torcida lamentou e muito a ótima oportunidade de perder por 3x1 - o que ficou para uma próxima eliminação.

Fisioterapia e dossiê o Flamengo faz em casa

Pedro, por sinal, reforça o maior celeiro de craques do Brasil hoje, que é o Departamento Médico do Flamengo. Quisera o Tite ter à sua disposição os atletas que os médicos do Ninho do Urubu têm para trabalhar, ia ser vitória atrás de vitória contra qualquer equipe do Caribe para baixo.

Mas a profissional diretoria rubro-negra, atenta a qualquer tipo de vexame, sejam médicos ou esportivos, já prontamente colocou seu Departamento de Constrangimento Público novamente em ação. Os profissionais CEOs enviaram um novo dossiê à CBF, desta vez pressionando a entidade para que a arbitragem não marque mais pênaltis a favor do time, regra que obviamente tem prejudicado muito o clube, assim como todas as demais regras do futebol, e por que não dizer, as regras da civilização de uma forma geral.

A movimentação de bastidores deu certo apenas em parte: contra o Coritiba, sem os inoportunos pênaltis a favor, o Flamengo jogou mais tranquilo e venceu, mas acabou punido no fim com um gol que vale por uma derrota, um humilhante gol de "Mattheus Filho do Bebeto", família que continua atormentando o clube por gerações.

Grêmio passa, mas teme chegada de Ceni

O Grêmio derrotou o Cuiabá, vitória que paradoxalmente fez o ídolo Renato balançar no cargo, posição agora cobiçada pela diretoria do São Paulo para Rogério Ceni. Memes à parte, eu avisei isso aqui na semana retrasada.

Palmeiras no ritmo da Covid

O técnico Abel Ferreira, durante treino do Palmeiras na Academia de Futebol - Cesar Greco - Cesar Greco
Palmeiras finalmente com paz para trabalhar
Imagem: Cesar Greco

O Palmeiras, embalado pelo Coronavírus que tirou de ação alguns atletas que não vinham rendendo, também avançou na Copa do Brasil, mas tropeçou no Brasileiro. O ex-técnico Vanderlei Luxemburgo, que já estava com a entrevista pronta para revelar que foi ele quem proporcionou o sucesso dessa equipe, vai ter que esperar um pouco mais.

Destaque da semana: Lisca Doido

O Destaque da Semana, entretanto, vem de um jogo regado a muita doidera, com direito a gol no último minuto com provocação de um eufórico Rodinei, que comemorou passando bem perto do banco do América/MG com o intuito de esfregar na cara do adversário a humilhação que é tomar um gol de um time com Rodinei em campo. Entretanto, avisado de que essa na verdade era uma humilhação de si próprio, o atleta teve seu psicológico abalado, assim como toda a equipe do Inter, que acabou desabando nas penalidades.

Então o Destaque da Semana não poderia ser outro. O maestro desequilibrado dessa vitória da loucura, da doidera, da instabilidade emocional; um Lisca Doido que consegue sobreviver com o América em meio a um mar de aplicativos de estatísticas, cartoleiros pro, Cenis, Dinizes, matemáticas e hashtags do Itaú. Viva Lisca. Viva a doidera. Abaixo a coerência. Viva o América de Minas Gerais.

Essa coluna não reflete nem minhas próprias opiniões. Escrevo enquanto discordo veementemente de minhas próprias palavras.

Questionamento do Prof. Cerginho

Cerginho - Professor Cerginho - Professor Cerginho
por Professor Cerginho da Pereira Nunes
Imagem: Professor Cerginho

Craque Daniel é apresentador do Falha de Cobertura, (supostamente) ex-jogador, empresário de atletas e inocentado de todas as acusações feitas contra ele.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.