Topo

Coluna

Campo Livre


Zaidan: O que esperar dos duelos brasileiros rumo à final da Libertadores

Luiz Felipe Scolari, o Felipão, e Renato Gaúcho, já ganharam a Libertadores - Daniel Vorley/AGIF
Luiz Felipe Scolari, o Felipão, e Renato Gaúcho, já ganharam a Libertadores Imagem: Daniel Vorley/AGIF

05/08/2019 11h45

Já sabemos que haverá um time brasileiro na final da Libertadores, em novembro, no Chile. A outra vaga na decisão será disputada por Liga de Quito, Boca, Cerro e River. A chave inteiramente brasileira terá dois clássicos nacionais: o Palmeiras enfrentará o Grêmio, e o Flamengo jogará contra o Inter.

Scolari foi campeão continental com o Grêmio, em 1995, e com o Palmeiras, em 99. São os dois clubes que mais marcaram sua carreira. Renato também ganhou duas Libertadores, ambas pelo Grêmio: como jogador, em 1983, e como técnico, em 2017.

Scolari sabe, embora talvez não queira falar a respeito, que o Palmeiras precisa retomar o modo de jogar que mostrou entre a eliminação nas semifinais do Paulista e a parada para a Copa América. Foi um período de defesa quase intransponível, de meio-campo marcando bem e armando com qualidade e de ataque eficiente; um período em que o time construiu a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores e deu sinais de que sobraria no Brasileiro. Em seus melhores momentos no primeiro semestre, o Palmeiras saía com os laterais, contava com os lançamentos de Felipe Melo e utilizava frequentemente as principais qualidades de Bruno Henrique, ou seja, o chute de fora da área e o passe longo. O ataque, mesmo sem um centroavante extraordinário, funcionava bem, principalmente por causa de Dudu. Nas outras duas vagas, se revezavam Lucas Lima, Zé Rafael, Hyoran, Scarpa e Veiga, dependendo das circunstâncias e do entendimento de Scolari. Não havia, então, o menor sinal de que o time estava limitado a lançamentos diretos do goleiro ou de um zagueiro para o ataque.

Depois da Copa América, no entanto, reapareceu o uso excessivo desse expediente, enquanto a defesa passou a sofrer mais do que estava acostumada. Scolari desfez o que havia construído depois do Paulista? Claro que não! É só uma questão de recuperação técnica de três ou quatro jogadores. Não é difícil que isso aconteça natural e rapidamente; logo, é provável que o time volte ao modo de jogar e ao ótimo rendimento que vimos de abril a junho.

O Grêmio segue em três frentes, já que se classificou para as semifinais da Copa do Brasil. Até por isso, Renato deve continuar poupando titulares em alguns jogos do Brasileiro. A recuperação no campeonato nacional tem sido lenta, mas parece segura. Na medida em que o time se afasta da área de risco, Renato fica à vontade para se dedicar ao que de fato lhe importa neste momento: as copas. Tardelli vai se adaptando, Luan se recuperando, e o contestado André respondendo ao apoio que recebe do treinador. E há outras boas notícias para os gremistas: Kannemann voltou a jogar bem, Maicon retomou o controle do meio-campo, Jean Pyerre tem correspondido às expectativas e, por fim, cresce a chance de Everton ficar no clube.

Também o Inter avançou às semifinais da Copa do Brasil, o que não tem impedido que o time siga bem no Brasileiro. No ano passado, Odair Hellmann já havia organizado um bom sistema defensivo, ancorado na ótima marcação de seu meio-campo. O centro da zaga, com Cuesta e Moledo, é dos melhores do Brasil, rivalizando exatamente com o do Grêmio e o do Palmeiras. A saída de Iago ainda é um problema para Hellmann. Em compensação, D'Alessandro tem conseguido jogar bem com mais frequência. Mas o que mudou as perspectivas do Inter nesta temporada foi a chegada de Guerrero, que continua bem acima da média dos atuais centroavantes dos times brasileiros. Mesmo quando o Inter recua excessivamente, Guerrero, sozinho na frente, é capaz de decidir.

O Flamengo é um time em transformação, até porque Jorge Jesus tem ideias distintas das de Abel. Também Rafinha acabou de chegar, mas já anda fazendo muita diferença. Na lateral esquerda, a mudança virá com Filipe Luís. A defesa melhorou com Mari, principalmente nas disputas pelo alto. Até que comecem as quartas, Jorge Jesus deverá contar com a plena condição técnica de Arrascaeta e de Everton Ribeiro. Vem aí, enfim, uma sequência de jogos importantes, grandes, históricos. Existe, inclusive, a possibilidade de Grêmio e Inter se enfrentarem em uma semifinal de Libertadores e na final da Copa do Brasil.

Para Palmeiras e Flamengo, é hora dos ajustes finos, do trabalho meticuloso, pois o título da Libertadores tem lugar especial entre as metas que seus investimentos permitem. Na outra chave, o Boca é favorito contra a Liga, mas deve ter dificuldades consideráveis em Quito. Maior é o favoritismo do River, atual campeão, nos embates contra o Cerro. Os dois principais da Argentina, que decidiram a Libertadores em 2018, podem se reencontrar, agora, na semifinal. O certo é que haverá um time brasileiro na final. Quem levantar a taça terá, imediatamente, outro objetivo: o Mundial de Clubes. Mas ainda faltam muitos noventa minutos até que chegue a hora de pensar no Liverpool.

Mais Campo Livre