PUBLICIDADE
Topo

André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Parceria Kane-Son no Tottenham lembra duplas históricas do Vasco

Son comemora gol do Tottenham com Harry Kane - Pool/Getty Images
Son comemora gol do Tottenham com Harry Kane Imagem: Pool/Getty Images
Conteúdo exclusivo para assinantes
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

13/05/2022 07h40

O Tottenham segue vivo na luta pela quarta vaga inglesa na próxima Liga dos Campeões com os 3 a 0 em casa sobre o Arsenal, jogo adiado da 22ª rodada. A distância dos Spurs para os Gunners caiu para um ponto, faltando duas rodadas para o final da Premier League.

Funcionou novamente o 3-4-2-1 de Antonio Conte que desta vez, até pela necessidade, teve mais posse de bola (58%) e o dobro de finalizações do rival (16 contra 8). Muito em função da expulsão do zagueiro Rob Holding, aos 33 minutos de jogo.

Mas o Tottenham já vencia por 1 a 0, gol de pênalti de Harry Kane. O centroavante e camisa dez ainda faria o segundo, tornando-se o maior artilheiro em duelos com o Arsenal na Era Premier League, com 12, superando Wayne Rooney.

O placar seria finalizado por Heung-min Son, ainda nos acréscimos do primeiro tempo. Para os Spurs administrarem a vitória fundamental na busca da classificação para a principal competição de clubes do planeta.

Mais uma temporada sem títulos do Tottenham, mas que ficará na história pela afirmação de uma parceria memorável: Kane e Son.

O sul-coreano tem 21 gols na liga, o inglês tem 15. Juntos têm 36 dos 63 gols marcados pela equipe. Oito assistências de Kane, uma a mais que Son. Na temporada, 22 de Son e 25 de Kane. Desde o início da parceria, na temporada 2015/16, já são 20 gols marcados por Son com assistências de Kane e vice-versa com os mesmos números.

Uma dupla espetacular, que não se consagra com títulos porque a concorrência é uma das mais ferozes de todos os tempos, com o Manchester City de Guardiola e o Liverpool de Klopp, além do Chelsea que belisca aqui e ali, inclusive com Antonio Conte, atual treinador dos Spurs, em 2016/17. O "milagre" veio com o Leicester na temporada anterior.

Mas a falta de taças não desqualifica a dupla de fina sintonia, que em campo, sem comparações e considerando as épocas diferentes, lembra muito duas parcerias históricas do Vasco, hoje lutando para sair da Série B, mas que já viveu momentos gloriosos com sua imensa torcida, outrora bem feliz.

Começando pelo veterano Roberto Dinamite e o garoto Romário entre 1985 e 1987. Rendeu apenas um título estadual, mas marcou época pelo entendimento rápido do artilheiro já na reta final de carreira, fazendo a leitura correta de que precisava recuar para servir o centroavante da base adaptado à ponta esquerda para infiltrar o diagonal e finalizar.

Assim foram artilheiros de três estaduais consecutivos: Dinamite com 12 e Romário com 11 em 1985, Romário com 20 e o parceiro com 19 no ano seguinte e o Baixinho com 16 e Roberto com 15 em 1987, com o time cruzmaltino, enfim, conquistando o título.

É possível também lembrar de Evair e Edmundo, no título brasileiro de 1997. Trazendo o entrosamento do Palmeiras, mas com o centroavante jogando efetivamente como "garçom" do companheiro: marcou apenas oito gols, porém com enorme contribuição para Edmundo bater o recorde de gols em uma edição à época, anotando 29 gols.

Todos com dinâmica parecida: o centroavante tem presença de área e marca muitos gols, mas também volta atraindo a marcação e abrindo espaços para o parceiro infiltrar vindo das pontas e finalizar com liberdade. Kane é Dinamite e Evair, Son é Romário e Edmundo. Reforçando: sem comparações entre os jogadores, apenas a dinâmica ofensiva trazendo para o ritmo e a intensidade atuais.

A única diferença é que, ao contrário de Dinamite e Evair, Kane é o mais jovem da dupla: tem 28 anos, um a menos que Son, o inesgotável atacante que volta para fechar o 5-4-1 sem bola e acelera e finaliza a maioria dos contragolpes.

Dinamite e Romário tinham o ponta direita Mauricinho como um importante terceiro elemento; Evair e Edmundo contavam com o hoje treinador Ramon Menezes sempre se aproximando. Kane e Son já tiveram o brasileiro Lucas Moura e agora quem forma a trinca na frente é o sueco Dejan Kulusevski, muito eficiente nas transições ofensivas.

Assim compõem um time que não fatura troféus, mas quase sempre compete em alto nível. Tirou seis pontos do virtual campeão City e mais dois fundamentais do Liverpool no empate por 1 a 1 no sábado (7), que pode definir mais um título para a equipe de Guardiola.

No gol que abriu o placar em Anfield, transição rápida, domínio espetacular de Kane e o trabalho de atacante/meia, ou "falso nove", servindo Sessegnon pela esquerda, que só rolou para Son empurrar. Um típico gol do Tottenham, sempre com participação decisiva de uma dupla que encanta as retinas de quem vê o futebol além da frieza dos resultados.