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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Deu a lógica, mas o Fluminense segue devendo futebol

Nenê disputa lance em Fluminense x Cerro Porteño pela Libertadores - Thiago Ribeiro/AGIF
Nenê disputa lance em Fluminense x Cerro Porteño pela Libertadores Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
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André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

03/08/2021 21h10

A situação do Fluminense na temporada é desconfortável. Vai bem nos torneios de mata-mata, mas não é um grande candidato aos títulos a ponto de deixar de lado o Brasileiro que classifica mais times para a Libertadores. A 12ª colocação nos pontos corridos pede mais foco e dedicação.

O problema é que o time não parece ter gás para entregar desempenho e resultados em três frentes. Como fazer? Roger Machado parece optar, ao menos no confronto das oitavas da Copa do Brasil com o Criciúma e na volta contra o Cerro Porteño pela mesma etapa na Libertadores, por administrar o fôlego dos titulares.

A solução, porém, faz a equipe carioca diminuir a intensidade, em muitos momentos, de forma preocupante. Correu riscos desnecessários contra o time catarinense e levou pressão no Maracanã do frágil Cerro, principalmente no primeiro tempo.

Marcando no próprio campo, até organizado no 4-1-4-1 habitual, mas sem pressão no adversário com a bola. Na transição ofensiva, pouca velocidade e com ações previsíveis, como o recuo de Fred para tentar acionar os pontas Luiz Henrique e Gabriel Teixeira em diagonal.

Chegou ao gol na jogada de Fred que o volante Carrascal parou com o braço dentro da área. Pênalti convertido pelo artilheiro do Flu, na temporada (13 gols) e na Libertadores (cinco).

Foi a senha para relaxar ainda mais na gestão das energias. A ponto de quase sofrer o empate com grande chance de Boselli. Com o brasileiro Mateus Gonçalves, que jogou no próprio Flu, dando algum trabalho a Egídio. O Cerro terminou a primeira etapa com 59% de posse e cinco finalizações contra duas, uma no alvo para cada lado.

Um pouco mais de concentração no segundo tempo, mas sem criar grandes chances. Jogo morno, o time paraguaio baixando a guarda com o passar do tempo. Roger trocou os ponteiros, colocando Kayky e Lucca.

Mas só tirou Fred e Nenê aos 35 minutos, entrando Abel Hernández e Ganso. Sem necessidade, desgastou a dupla de veteranos. Difícil entender, ainda mais no péssimo gramado do Maracanã.

O Flu terminou com apenas 38% de posse, 70% na efetividade nos passes e só oito finalizações, contra 13 do Cerro. Vantagem só nos desarmes: 21 a 17.

No final, 3 a 0 no agregado, com mais méritos na ida. Apesar do erro grosseiro de arbitragem no gol mal anulado, reconhecido pela própria Conmebol. Confirmando o quinto brasileiro entre os oito classificados. Importante por retornar às quartas, ao menos repetindo a última campanha, em 2013.

Mas não será nada simples o duelo com o Barcelona de Guayaquil, que já superou Boca Juniors e Santos na fase de grupos e Vélez Sarsfield nas oitavas. Nem a volta ao Brasileiro, contra o América no Independência. Porque o tricolor segue devendo futebol.

(Estatísticas: SofaScore)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL