PUBLICIDADE
Topo

André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Espanha goleia e evolui, mas duelo com Croácia será duro

Koke e Sarabia comemoram um dos gols marcados pela Espanha contra a Eslováquia - Julio MUNOZ / POOL / AFP
Koke e Sarabia comemoram um dos gols marcados pela Espanha contra a Eslováquia Imagem: Julio MUNOZ / POOL / AFP
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

23/06/2021 15h07

O pênalti perdido por Álvaro Morata logo aos dez minutos de jogo em Sevilla parecia o início de mais um drama para a Espanha que, inclusive, poderia decretar uma trágica e vexatória eliminação ainda na fase de grupos da Euro.

Mas uma saída errada da defesa da Eslováquia, provocada também pela pressão espanhola, e uma trapalhada do goleiro Dúbravka, jogando para as próprias redes o rebote do chute de Sarabia no travessão, descomplicou o jogo. Tática e psicologicamente.

Porque deu confiança e obrigou a Eslováquia, jogando pelo empate para se garantir como um dos melhores terceiros, a sair um pouco mais e expor todas as suas fragilidades.

Mas a Espanha melhorou a execução da proposta de jogo, muito por conta da mudança das características dos atletas com as alterações de Luis Enrique.

Busquets voltou na vaga de Rodri e qualificou a saída da defesa e também a circulação da bola - foi o melhor em campo para a UEFA. Sarabia e Gerard Moreno alternaram pelos flancos, mas buscando os espaços por dentro entre defesa e meio do adversário, com Morata na referência. Azpilicueta foi mais regular pela direita nas ações de defesa e ataque. Koke e Pedri contribuiram na construção e Jordi Alba novamente foi boa opção abrindo o campo pela esquerda.

Mantendo o controle da bola - terminou com 62% de posse e 89% de efetividade nos passes. Mas com estilo mais vertical, preenchendo a área adversária e finalizando mais e com maior contundência e eficiência. Foram 17 conclusões, nove no alvo.

Ampliou no final do primeiro tempo com Laporte e fez a Eslováquia jogar a toalha com o terceiro gol, de Sarabia, completando assistência de Jordi Alba. A fluência e a segurança fizeram com que o ritmo não diminuísse com classificação garantida e as substituições. Seguiu atacando, acertando o perde-pressiona e marcou mais dois, com Ferrán Torres, que entrou na vaga de Morata, e o gol contra do volante Kucka.

5 a 0 é a maior goleada da história da Espanha no torneio. Para virar do avesso o clima de desconfiança com a renovação de Luis Henrique. A seleção dominante de 2008 e 2012 merece respeito sempre.

Mas não fugir da Croácia nas oitavas por um gol de Claesson nos acréscimos que garantiu a vitória por 3 a 2 da Suécia sobre a Polônia foi uma notícia não tão boa para a Espanha. Um empate dos suecos e Ucrânia ou República Tcheca entraria no caminho da "Roja". Seria uma missão menos complicada que a vice-campeã mundial de 2018, seleção experiente e talentosa de Modric e Perisic.

Um teste real e importante da evolução espanhola na Euro. Mas agora há mais motivos para acreditar.

(Estatísticas: UEFA)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL