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André Rocha

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Goleada sobre Portugal lembra ao mundo a força da Alemanha

Raphael Guerreiro (à esquerda) e Rúben Dias (ao centro) deram uma "forcinha" para a Alemanha em duelo na Eurocopa - Matthias Hangst/Getty Images
Raphael Guerreiro (à esquerda) e Rúben Dias (ao centro) deram uma "forcinha" para a Alemanha em duelo na Eurocopa Imagem: Matthias Hangst/Getty Images
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

19/06/2021 15h18

Gosens foi o melhor em campo na Allianz Arena, durante os cerca de 60 minutos em que esteve em campo.

O ala voou pela esquerda para cima de Semedo, com a mesma dinâmica ofensiva que aplica na Atalanta: aberto pela esquerda para receber em profundidade e dar assistência ou fechar entrando na área para receber cruzamento da direita e finalizar.

Com os dois movimentos típicos participou diretamente dos quatro gols. Gols contra de Rubén Dias e Raphael Guerreiro, mais um de Havertz e o último do próprio Gosens. Consolidando o atropelo da Alemanha no 3-2-5, quando ataca, armado por Joachim Löw que se ajustou melhor contra Portugal que diante da França.

Domínio desde o início, com movimentação de Muller, Gnabry e Havertz e o apoio dos alas Kimmich e Gosens, mais o suporte de Kroos e Gundogan, sacrificado na seleção ao atuar mais recuado. Mas fazendo a equipe jogar e girar a bola.

Com a autoridade ameaçada apenas pelo contragolpe de almanaque português no escanteio alemão que começou com corte de Cristiano Ronaldo, passou por Bernardo Silva, deste na inversão para Diogo Jota e a assistência do camisa 21 para o 12º gol de Cristiano Ronaldo, maior artilheiro da história da Eurocopa.

Um golpe duro, mas que a Alemanha assimilou com maturidade e seguiu empurrando o atual campeão para a defesa até virar para 4 a 1. Muito volume e imposição, deixando o adversário zonzo e marcando mal, mesmo com linhas recuadas.

Por conta do desgaste de um fim de temporada, qualquer chance de mudar com relativa segurança é aproveitada pelos treinadores. Low tirou Gosens e também Hummels, Gundogan, Gnabry e Havertz. Com Süle, Emre Can, Halstenberg, Goretzka e Sané, o rendimento caiu naturalmente. Ainda assim, terminou com 56% de posse, 91% de efetividade nos passes, 13 finalizações, sete na direção da meta de Rui Patrício.

O desempenho de Portugal cresceu, principalmente com Renato Sanchez e Rafa Silva, que substituiram Bernardo Silva e William Carvalho. Sanchez acertou um chutaço na trave. A equipe de Fernando Santos finalizou oito vezes, duas no alvo. A segunda nas redes foi de Jota, com assistência de Cristiano Ronaldo no jogo aéreo. Mas a inconsistência serve de reflexão e ajuste para o duelo decisivo com a França.

A Alemanha torce por um empate e vai trabalhar contra a Hungria para terminar na liderança do grupo mais complicado da competição. Assim, talvez, alcance novamente o status que merece, depois da queda precoce na Copa do Mundo e dos 6 a 1 impostos pela Espanha na Liga das Nações que parecia o fim do ciclo de Low.

Crise que ocultou um trabalho de renovação em curso. Simbolizado pela lateral esquerda, que tinha Howedes improvisado no título mundial de 2014 e agora tem Gosens. Um senhor upgrade. Quem sabe com o sacode por 4 a 2 no atual campeão da Euro o mundo se lembre da força alemã.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL