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André Rocha

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por Libertadores, Fla-Flu deve ter "mistões" na final carioca

Fluminense venceu o Flamengo por 1 a 0, no Maracanã, pela terceira rodada da Taça Guanabara - Mailson Santana / Fluminense
Fluminense venceu o Flamengo por 1 a 0, no Maracanã, pela terceira rodada da Taça Guanabara Imagem: Mailson Santana / Fluminense
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

10/05/2021 07h10

O Carioca chega à final com o roteiro esperado: os dois únicos times na Série A do Brasileiro decidem o título. E ainda envolvidos com a fase de grupos da Libertadores. O Flamengo pelo bicampeonato nacional e o Fluminense por campanha honrosa, com a quinta colocação garantindo vaga direta.

Um vive, até aqui, o segundo período mais vencedor de sua história, só atrás da "Era Zico". São oito títulos desde 2019 e um time titular que é o melhor da América do Sul, conseguindo manter nove dos onze que se eternizaram com Jorge Jesus no feito inédito de conquistar o título continental e o Brasileiro, com quebra de recorde de pontos, no mesmo ano.

Ou outro consegue se destacar com larga vantagem sobre Vasco e Botafogo, mesmo sofrendo também com graves dificuldades financeiras. Muito pelo ótimo trabalho das divisões de base em Xerém e pelo esforço na manutenção de uma base e contratações aproveitando oportunidades de mercado.

Por tudo isso, a expectativa é que a final diminua a sensação de marasmo em um torneio inchado, previsível e que perdeu valor com a mudança do Grupo Globo para Record + pay-per-view. Mesmo em meio à pandemia, é um Fla-Flu com capacidade de mobilização e de proporcionar futebol de bom nível.

Mas há um enorme obstáculo no calendário. Sim, a Libertadores. Tratada com a devida seriedade, sem a insanidade de outros tempos, principalmente no Flamengo, de valorizar mais a disputa local cercada de rivalidade que a competição mais importante do continente.

Ambos encaram grupos difíceis, mas vêm cumprindo boas campanhas e lideram. Cada um no seu nível de expectativa. Os rubro-negros como favoritos naturais no Grupo G, com 100% de aproveitamento em três rodadas. O Fluminense, de volta depois de oito anos, conseguindo duelar em igualdade no topo com o gigante River Plate no Grupo D e já cumprindo as viagens para enfrentar Santa Fé e Junior Barranquilla.

Só que não há ainda ninguém garantido nas oitavas. Quem está mais perto é o Flamengo. Se vencer o Unión La Calera no Chile chega a 12 pontos e, caso Vélez e LDU empatem na Argentina, assegura também a primeira colocação. Mas tem viagem e jogo na grama sintética, sempre desgastantes, antes da "ida" da decisão carioca.

O Fluminense não sai do Rio de Janeiro. Encara os colombianos no Maracanã, mas precisa das vitórias para se classificar e, talvez, disputar a liderança na rodada final, contra o time de Marcelo Gallardo no Monumental de Nuñez. Também vai precisar de foco e força máxima para cumprir a missão que garantirá mais seis milhões de reais aos cofres do clube.

Com isso, a tendência é que Rogério Ceni e Roger Machado rodem seus elencos na decisão carioca. O Flamengo, talvez, tenha a possibilidade de usar força máxima, ou o mais próximo disso, na segunda partida. No primeiro jogo, o cansaço da ida a La Calera vai pesar na escalação. Ceni deve apelar de novo para Matheuzinho, João Gomes, Vitinho, Pedro e Michael, caso este se recupere de lesão na panturrilha.

Roger tem mais margem de manobra por não viajar, porém a vantagem no grupo é pequena e não permite vacilos. No melhor cenário, vence o Santa Fé, o River supera o Junior em Barranquilla e a disputa fica praticamente definida. Aí, sim, o Flu poderia até fazer um esforço em busca do título que não vem desde 2012. Mas é melhor reservar Cazares, Manoel, Gabriel Teixeira, Ganso e Abel Hernández ao menos para a primeira partida.

O Fluminense venceu os últimos dois duelos. No Carioca, por 1 a 0 com time reserva contra o sub-23 mais Michael. No Brasileiro, de virada por 2 a 1, consolidando a boa campanha e jogando o rival em crise que quase custou o título. Ainda assim, não é o favorito. Até pela cultura de vitória do Fla nos últimos anos, em busca do sexto tricampeonato na história.

A final deve, enfim, entregar jogos interessantes no estadual. Com titulares ou "mistões". Mesmo com as duas partidas disputadas nos próximos sábados, não nos domingos, ainda as "datas nobres" do futebol. Justamente para não atrapalhar...a Libertadores.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL