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André Rocha

No jogo da vergonha, a maior foi a do Palmeiras em campo

Felipe Melo derruba Lincoln em disputa pela bola no jogo entre Palmeiras x Flamengo - Marcello Zambrana/AGIF
Felipe Melo derruba Lincoln em disputa pela bola no jogo entre Palmeiras x Flamengo Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
André Rocha

André Rocha é jornalista, carioca e colunista do UOL. Trabalhou também para Globoesporte.com, Lance, ESPN Brasil, Esporte Interativo e Editora Grande Área. Coautor dos livros "1981" e "É Tetra". Acredita que futebol é mais que um jogo, mas o que acontece no campo é o que pauta todo o resto. Contato: anunesrocha@gmail.com

Colunista do UOL Esporte

27/09/2020 18h35

Depois de muitos recursos e liminares, mas nenhuma preocupação com a saúde de jogadores, arbitragem e funcionários, a bola rolou no Allianz Parque.

E o Palmeiras teve uma atuação constrangedora contra um catado com vários meninos que nem sabiam se entrariam em campo por conta de toda polêmica.

É impressionante a falta de ideias. E desta vez não há nenhuma desculpa, porque Vanderlei Luxemburgo escalou o melhor disponível. Com Lucas Lima novamente como um projeto de "ponta articulador" partindo da direita e o trio de joias Menino-Verón-De Paula.

Talvez a lentidão na circulação da bola tenha sido o maior pecado palmeirense. Porque o Flamengo, esfacelado pelos desfalques, naturalmente recuaria e aproximaria os setores para negar os espaços. E mesmo com atletas muito mais rodados, especialmente no ataque contra a defesa de garotos do rival, criaram muito pouco para tamanha vantagem.

Fez o goleiro Hugo Souza trabalhar bastante, mas muito menos do que era obrigação pelo contexto. E só foi às redes no chute de Patrick de Paula que desviou em Thiago Maia e saiu do alcance do goleiro.

Não houve tempo, porém, para o alviverde ficar confortável com a vantagem e o Fla se desmanchar física e mentalmente com o desgate. Saída pela direita, lado mais forte durante todo jogo com João Lucas e Guilherme Bala, e Arrascaeta serviu Pedro para empatar. Falha grotesca de Felipe Melo no posicionamento como zagueiro.

A dupla rubro-negra, mais Pedro e Thiago Maia formaram uma "espinha dorsal" que controlou o jogo e ainda construiu belas jogadas, como o toque de letra de Pedro para Arrascaeta, que perdeu a chance do gol de uma vitória que seria histórica. Mas fora de campo o clube não vem merecendo grandes feitos. Nem um fotógrafo para registrar as conquistas de uma gestão desastrosa no trato de seres humanos.

Ninguém poderia mesmo sair vencedor no clássico nacional da indiferença. Mas no jogo da vergonha, da falta de empatia e da busca da vantagem esportiva a qualquer custo, a maior vergonha foi a do Palmeiras no campo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL