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Brasileiro cobra maior preocupação com segurança das estradas após mortes

Gregory Panizo foi campeão de estrada do Pan-Americano de Ciclismo na Colômbia - Luiz Barbosa/Divulgação
Gregory Panizo foi campeão de estrada do Pan-Americano de Ciclismo na Colômbia Imagem: Luiz Barbosa/Divulgação

Rubens Lisboa

Em São Paulo

10/05/2011 12h21

Em apenas um dia, o ciclismo foi abalado por duas mortes de competidores devido a lesões no crânio, o caso mais famoso no Giro da Itália, enquanto outro na Austrália envolveu um jovem ciclista que há 18 meses tentava se recuperar de acidente parecido. Mas o ciclista brasileiro Gregolry Panizo, campeão do Pan-Americano de ciclismo e responsável pela conquista da primeira vaga brasileira da modalidade nos Jogos Olómpicos de Londres-2012, não vê motivo para grandes mudanças.

CICLISTA BELGA MORRE NO GIRO DA ITÁLIA

  • Reprodução RAI/AP

    Ciclista belga Wouter Weylant morreu na segunda-feira após sofrer queda no Giro da Itália; Também na segunda-feira o ciclista australiano Shamus Liptrot, de 19 anos, morreu depois de 18 meses de tratamento por acidente semelhante

A morte do belga Wouter Weylandt após se chocar contra um muro em descida de alta velocidade na terceira etapa do Giro da Itália ainda repercute no ciclismo mundial. Já na Austrália, o ciclista Shamus Liptrot, de 19 anos, morreu após 18 meses de tratamento após ter se acidentado de forma parecida em prova. Gregolry Panizo cobra os organizadores por melhores condições na superfície das pistas.

“É complicado, o ciclismo é um esporte perigoso. Dependendo da estrada é um esporte que acaba se tornando perigoso. Isso depende do organizador da prova, tem que ver as estradas se estão boas, se dá para descer aquela serra, porque às vezes a gente desce uma serra em velocidade muito alta, acaba não vencendo curvas e acontece isso”, afirma o ciclista brasileiro que no último domingo garantiu uma vaga para o país no ciclismo de estrada para os Jogos Olímpicos de Londres-2012 com o título Pan-Americano.

Apesar de os dois casos de morte no ciclismo, Gregolry Panizo não vê a necessidade de os equipamentos de segurança serem reforçados e prefere citar o caso como uma fatalidade, chegando a comparar a modalidade ao automobilismo.

“As vezes não é problema de equipamento, os equipamentos já são de uma tecnologia bem alta. São leves, compactos e aguentam as pancadas. Mas as vezes está em velocidade muito alta e não tem jeito, acaba batendo de frente a cabeça, acontece, é fatalidade, em qualquer esporte pode acontecer. Em corrida de Stock Car, de Fórmula 1, acontece”, afirma o ciclista brasileiro, sendo que a última morte ocorrida na F-1foi a de Ayrton Senna, há 17 anos, quando novos padrões de segurança foram estabelecidos.

Dentre as declarações de ciclistas que disputam o Giro da Itália, uma que chamou a atenção foi de David Millar, que terminou a terceira etapa na liderança da competição no dia da morte de Weylandt. Ele afirmou que o ciclismo tem “uma mistura de muitas coisas estúpidas”, lembrando dos problemas na pista e da forma acirrada de disputa entre os competidores.

Panizo minimiza a declaração e não vê deslealdade nos toques entre os ciclistas nas competições. Para o brasileiro, a velocidade em que ocorrem os toques é que causa os acidentes.

“Principalmente no final, a corrida acaba se tornando muito tensa. Então os toques vão ter mesmo, um toca no outro a 60 km/h. Às vezes tem os tombinhos e não tem jeito mesmo. E o pessoal está com sangue quente, aí vai da personalidade de cada um. É igual futebol, sempre tem briga, qualquer esporte acontece um pouquinho”, explica o ciclista brasileiro.