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SOS Famílias luta contra a fome doando marmitas em MG; veja como ajudar

Em junho, projeto distrubuiu quiturtes a crianças que têm acesso a festas mas não podem comprar - Arquivo pessoal
Em junho, projeto distrubuiu quiturtes a crianças que têm acesso a festas mas não podem comprar Imagem: Arquivo pessoal

Ed Rodrigues

Colaboração para Ecoa, do Recife

01/07/2022 06h00

A imagem de uma criança em frente a um restaurante pedindo ao menos uma colher de feijão "para enganar a fome" despertou em Cristina Ferreira, 33 anos, um compromisso para a vida toda: ajudar a minimizar os efeitos da fome. À época, ela atendeu ao chamado do menino e de sua família. E passou a atender outros pedidos de ajuda.

Nascia assim, em 2019, o projeto SOS Famílias, que atende pessoas em situação de vulnerabilidade e moradores de rua, no centro de Juiz de Fora, Minas Gerais. São quentinhas, cafés e jantas solidárias. O trabalho distribui mais de 500 refeições por semana.

A Ecoa, Cristina conta que tem dentro de si um desejo de ajudar pessoas cultivado desde a infância. A lembrança do pai distribuindo alimentos nos fins de ano na comunidade onde moravam ainda ocupa lugar afetivo em suas recordações.

"A gente sempre ajudou de alguma forma. Mas em um domingo de frio, em junho de 2019, o projeto começou a tomar forma. Eu tinha acabado de almoçar e me deparei com uma criança de 6 anos na porta de um restaurante. A fome era tanta que ela pedia ao menos uma colher de feijão. O menino morava de favor em um cômodo com mais cinco irmãos, e a mãe estava desempregada. Alimentamos não só o menino aquele dia, mas toda sua família", disse.

Fome não para de crescer

O auxílio seguiu nos fins de semana e a demanda daquela pequena família cresceu. Outras 12 famílias passaram a ser atendidas, depois mais oito. Até chegar ao número de 500 quentinhas distribuídas semanalmente aos moradores de rua e famílias de extrema pobreza em Juiz de Fora.

"A produção ocorre em uma cozinha ampla, cedida pela sua tia, próxima ao local de distribuição. O cardápio é bem variado. De acordo com as doações recebidas, ele vai sendo planejado com muito amor. Vai desde tutu de feijão com arroz, lombo e salada a macarronada ao sugo e feijoada. Já são mais de duas mil pessoas ajudadas ao longo desses anos", contou.

Atualmente, oito voluntários realizam os trabalhos no projeto, entre cozinheiras, captador de recursos, profissional de marketing e a diretoria. Segundo Cristina, a maior doação é do carinho por aqueles que mais precisam. "É gratificante e também um desafio constante, pois a dor do outro dói em nós", disse.

Kits juninos

Além do combate à fome, o SOS Famílias realiza campanhas o ano todo pelos mais necessitados. "Neste mês e em julho, estamos com a campanha de kits juninos. Entregamos kits para crianças em vulnerabilidade que têm acesso a festas juninas, mas não têm dinheiro para comprar itens como maçã do amor, algodão doce e canjiquinha. Então, nós levamos até elas", explicou.

O projeto já tem 35 famílias na fila de espera para receber cestas básicas, mas não consegue atender por falta de recursos e doações. Além disso, a demanda de quentinhas para moradores de rua cresce a cada dia.

Para se manter, o SOS Famílias conta com o apoio de doações. As arrecadações, no entanto, ainda não conseguem suprir a crescente demanda. Por esse motivo, os voluntários estão sempre ativos na busca por recursos e parcerias.

"Ver nosso próximo sofrer e somente lamentar não é o suficiente. É preciso se movimentar e levar o alívio da fome. Nós levamos esperança de dias melhores e carinho a cada um que por muitas vezes tem somente as refeições que fornecemos", disse Cristina.

Para saber mais sobre o projeto, ligue para o telefone: (32) 98709.4910. Doações em dinheiro, podem ser feitas por PIX: patriapedesocorro@hotmail.com (chave-e-mail).