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Universitários doam próteses para menina que perdeu as mãos após infecção

Maria Beattriz Santana mostra as próteses doadas por universitários - Arquivo pessoal
Maria Beattriz Santana mostra as próteses doadas por universitários Imagem: Arquivo pessoal

Ed Rodrigues

Colaboração para Ecoa, do Recife (PE)

28/12/2021 06h00

Com apenas 2 anos de idade, Maria Beattriz Santana teve as duas mãos amputadas por causa de uma gangrena provocada por infecção bacteriana, o que exigiu readaptação no dia a dia da criança e da família, que reside no Distrito Federal. Agora, aos 4 anos, ela passa por nova readaptação. Ao saberem do caso, estudantes universitários de um programa de impressão 3D resolveram ajudar a pequena e produziram um par de próteses foram doadas a Maria Beattriz.

Segundo a família da garota, Maria é só sorrisos depois do presente. A dona de casa Gisely da Mota Santana, mãe da pequena, explicou a Ecoa a doação partiu de estudantes do Centro Universitário IESB de Brasília.

"O tio da Maria, irmão do pai dela, ficou sabendo do programa de próteses e nos enviou o e-mail do IESB. Enviei os dados, o pessoal de lá entrou em contato conosco e explicou que era um projeto e que não pagaríamos nada pelas próteses. Foi um momento de muita alegria para todos nós", contou Gisely.

Maria Beattriz recebeu os equipamentos três meses depois por causa de ajustes necessários. No momento da entrega, acrescentou a mãe dela, a emoção tomou conta da família.

"Foi um momento único, cheio de expectativas e muita alegria e esperança, já que agora ela tem algo para ajuda lá na sua independência", comemorou.

Coordenador do projeto, Renan Balzani, professor do Centro Universitário IESB, explicou que o trabalho consiste em utilizar impressão 3D para produzir próteses para crianças e adultos em plástico. O sistema utiliza um tipo de plástico de álcool de milho. A impressão é feita camada por camada.

"E podemos mudar tamanhos e dimensões e conseguimos produzir a próteses de forma muito baratas. Conseguimos produzir com menos de R$ 150 dependendo do tipo para cada criança. O projeto visa atender todo mundo que precisa. A pessoa com alguma malformação ou que sofreu acidente", disse o professor.

Renan Balzani conduz os trabalhos junto à coordenadoria de arquitetura e design de interiores, com apoio de alunos voluntários. Esses alunos acompanham com os projetos e o levantamento das próteses.

"A gente produz, monta e entrega. É muito gratificante porque é a realização de um sonho. A gente consegue associar uma pesquisa de fabricação digital, uso de impressora 3D, desenho técnico, desenvolvimento de projeto. É uma realização saber que com esse conhecimento adquirido a gente cria um impacto positivo na vida dessas crianças", ressaltou.

Infecção misteriosa

Maria Beattriz teve uma gangrena periférica causada pela bactéria pseudomonas aeruginosa. Tudo começou em 2019 quando começou a frequentar uma creche da cidade. Ela teve otite repetitiva até que precisou ser socorrida por causa de uma febre, perda de apetite e outros sintomas.

No hospital, foi diagnosticado choque séptico e infecção generalizada. A garota deu entrada na UTI no mesmo dia. Maria chegou a apresentar pneumonia e convulsões, e ficou intubada por 15 dias.

"Nesse período, ela quase não sobreviveu porque seus órgãos começaram entrar em falência, os rins principalmente, e foi preciso fazer diálise. Ela melhorou, mas as mãos necrosaram. Saindo da UTI, fomos para enfermaria onde um médico vascular a examinou e disse que teria que amputar as duas mãos e três dedos do pé esquerdo", relembrou Gisely Santana.

Segundo a mãe, os médicos ainda não conseguem explicar que pode ter provocado a infecção e o porquê de o sistema imunológico dela não ter conseguido combater o problema.

"Está em estudo se é uma imunodeficiência primária. Fizemos alguns exames e não apareceu nada. Pode ser uma doença super-rara. Para descobrir, precisamos fazer mais exames para melhor tratarmos, porém esses exames passam de R$ 5 mil e não temos condições nenhuma de custear. Sendo assim, por enquanto ela faz reposição de uma medicação chamada imunoglobulina a cada quatro semanas para que a imunidade se mantenha e ela não tenha outras infecções graves", detalhou.

A família de Maria Beattriz vive com apenas R$ 1.500 mensais, oriundo do trabalho do pai dela, o deposista Marcos Wiliam da Costa. Desse recurso, eles ainda precisam pagar o aluguel da casa onde residem.

A família de Maria Beattriz aceita doações. Para saber mais sobre a menina e procurar maneiras de ajudar a família, basta acessar seu perfil no Instagram.