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Projeto doa máquinas de costura para pessoas reconstruírem a vida

Margaret Jankowski, fundadora da ONG The Sewing Machine Project  - Divulgação
Margaret Jankowski, fundadora da ONG The Sewing Machine Project Imagem: Divulgação

Carolina Vellei

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

25/09/2021 06h00

Em dezembro de 2004, Margaret Jankowski estava acompanhando as notícias sobre a devastação provocada pelo tsunami na Ásia quando se deparou com uma história que a tocou profundamente. Em uma reportagem, a moradora do estado de Wisconsin, nos Estados Unidos, leu sobre as perdas de uma mulher no Sri Lanka, cujo sonho de se tornar costureira havia sido destruído após as inundações terem levado tudo o que possuía - incluindo uma máquina de costura recém-comprada com anos de economia.

Margaret sabia que ao perder aquela máquina aquela mulher também havia perdido seu meio de gerar renda. "Eu poderia ganhar a vida facilmente sem minha máquina de costura, mas isso não seria possível para aquela mulher", disse ela a um jornal.

Decidida a ajudar, a americana buscou uma maneira de levar equipamentos para o país. Seu pensamento original era simplesmente conseguir algumas máquinas usadas e enviá-las, mas a divulgação de seus planos no noticiário local fez com que o projeto ganhasse vida própria e atraísse um volume enorme de doações de todo tipo.

Do Sri Lanka para Nova Orleans

Em 2005, a primeira remessa de 25 caixas contendo brinquedos, suprimentos médicos, tecido e máquinas de costura foi distribuída entre cinco orfanatos do Sri Lanka e da Índia. Depois disso, Margaret decidiu fundar a ONG The Sewing Machine Project (Projeto Máquina de Costura, em português).

Quando o furacão Katrina atingiu Nova Orleans, em setembro de 2005, o foco do projeto mudou para essa região. Centenas de máquinas foram entregues para comunidades que produziam fantasias na cidade americana famosa pelas festas de carnaval.

As doações também já foram feitas a países como Guatemala, El Salvador e Kosovo, com foco em destinatários que enfrentam desafios socioeconômicos resultantes de guerras e desastres naturais.

Nacionalmente, o projeto atende hoje centros de treinamento de imigrantes e casas de recuperação para mulheres que tentam superar o vício em drogas. Além de criar roupas, as máquinas são usadas como ferramentas de aprendizagem para ensinar a jovens e crianças um ofício ao qual poderão se dedicar no futuro.

Autoestima e formação de laços

Em El Salvador, mulheres receberam máquinas de costura para ajudar no sustento das suas famílias - Divulgação - Divulgação
Em El Salvador, mulheres receberam máquinas de costura para ajudar no sustento das suas famílias
Imagem: Divulgação

Margaret Jankowski aprendeu a costurar com sua mãe. A atividade virou uma paixão e, com os anos, se tornou sua ocupação na idade adulta, quando começou a dar aulas de costura e criou roupas para seu primeiro filho.

Com a ajuda de outras voluntárias, Margaret percebeu que seu projeto não se limitava ao oferecimento de uma forma alternativa de obter renda. Para elas, ser capaz de dizer: "Eu fiz isso!" é uma afirmação que eleva a autoestima e pode mudar vidas.

Além disso, ela descobriu que as pessoas que participavam dos treinamentos não queriam apenas aprender um ofício, mas também ter um espaço para conversar e compartilhar suas histórias. Assim, as oficinas de remendo e reparo de roupas se tornaram comunidades.

Em 2019, o projeto contribuiu com doações de máquinas de costura a um programa piloto no condado de Rankin, Mississippi, que funciona dentro do Centro Correcional Central da região. Nele, voluntárias que cumprem pena produzem mochilas cheias de absorventes menstruais reutilizáveis e roupas íntimas. Os produtos são enviados para meninas de países como Uganda, onde muitas jovens deixam de frequentar a escola devido à falta de itens higiênicos.

A diretora do programa, Renee Smith, viu uma mudança definitiva nas atitudes das presidiárias participantes. "Elas sabem que estão fazendo a diferença na vida de outra pessoa", disse a um jornal. Renee posta as atualizações das atividades do programa em um grupo no Facebook.

Margaret comemorou a parceria no blog onde compartilha as experiências da ONG. "As mulheres que cumprem pena são lembradas de que têm algo a oferecer. Que todos têm algo a dar. As mãos se unem em torno de uma ferramenta, através do tempo e das culturas", refletiu.

Comemorando bons resultados

Em seu último boletim semestral, a ONG comemorou o número de doações de máquinas. Apesar de ser uma quantidade mais baixa do que em outros anos, devido à pandemia, 155 equipamentos foram encaminhados para locais em que farão a diferença. Entre eles, programas de assistência e abrigos dentro e fora dos Estados Unidos, incluindo países como Quênia, México e Honduras.

Segundo um balanço recente, desde o ano de 2005, quando tudo começou, foram distribuídas mais de 3.350 máquinas de costura que ajudaram pessoas a se tornarem autossustentáveis

"Um dos muitos presentes que recebi ao liderar o projeto é a oportunidade de ver não apenas a necessidade que existe ao nosso redor, mas também as formas criativas em que as pessoas e organizações trabalham para atendê-la", concluiu Margaret no boletim.