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Kunumi MC retrata realidade dos povos indígenas por meio da música

Artista guarani Kunumi MC lança música de rezo  - Igor de Paula/ Divulgação
Artista guarani Kunumi MC lança música de rezo Imagem: Igor de Paula/ Divulgação

Lígia Nogueira

Colaboração para Ecoa, em São Paulo

28/05/2021 09h47

Na abertura da Copa do Mundo de 2014, Werá Jeguaká Mirim estendeu uma faixa pedindo "Demarcação Já". O ato, realizado durante a celebração oficial dos jogos no Brasil, repercutiu na mídia internacional e ajudou a definir a trajetória artística do músico Kunumi MC, nascido e criado na aldeia Krukutu, em São Paulo.

"Depois da Copa, fiquei inspirado pela nossa luta. Comecei a ler os livros do meu pai [o escritor Olívio Jekupé, que tem 19 obras lançadas] e decidi escrever poesia também", conta o artista. Percebendo na hora que o texto daria um rap, apelidou-se de Kunumi ("jovem") e passou a compor o que define como rap nativo. Ele agora está lançando um novo trabalho, "Jaguatá Tenondé", que chama de música de rezo, e um videoclipe dirigido pela artista visual Dejumatos.

A música apresenta o artista de uma forma diferente do que ficou conhecido: em vez de mergulhar nas rimas do rap, ele se aprofunda no estilo tradicional guarani mesclado com acordes da etnia Huni Kuin. "O título significa 'seguir adiante'. É uma música de rezo, de força espiritual. Acho importante mostrar para a sociedade que cada povo tem a sua cultura e seu modo de cantar, o ritmo muda, os instrumentos mudam. Preservar essa cultura milenar é essencial", diz o músico, que está em processo de mudança de nome —Kunumi MC vai ser, em breve, Owerá.

Produzida e composta pelo próprio artista, que também toca violão na faixa, "Jaguatá Tenondé" conta com Para Reté, sua companheira, e Maitê Ará na voz, além de Naara Yakecan na percussão. A letra fala sobre o poder de Nhanderu, que está em todo lugar e ilumina o caminho para que todos possam seguir em frente e vencer as dificuldades.

A partir do clipe serão gerados três NFTs cuja renda será revertida para a comunidade indígena. "Na aldeia nem todos têm trabalho e estamos precisamos de alimentos", conta o artista, que pensa em construir o primeiro estúdio guarani no local. "A ideia é que seja um palco comunitário para fazer shows e vender artesanato produzido pela comunidade."