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Conversa de Portão #8: A política da juventude negra das periferias

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

08/11/2020 04h00

Questões fundamentais para os jovens das periferias, como a realidade do genocídio do povo negro, encontram muita dificuldade para terem visibilidade. Mas, mesmo quando conseguem ser vistas, os obstáculos estão longe do fim. "Não existe como combater isso sem que pessoas negras sejam envolvidas nesse processo. E as pessoas negras não estão, em grande maioria, no Executivo, Legislativo e Judiciário", diz a jornalista e educomunicadora Gabriela Vallim, entrevistada do 8º episódio de Conversa de Portão (a partir de 4:48 do arquivo acima).

Criada em Itaquera, zona leste da capital paulista, a jovem de 27 anos tem um currículo extenso de ativismo e trabalho em políticas públicas. Atuou em campanhas e movimentos em prol das juventudes, como o #15contra16, ação criada por ela contra a diminuição da maioridade penal. Trabalhou na gestão municipal de São Paulo e representou o Brasil em evento com líderes mundiais na ONU.

Tudo isso, ela conta, não foi fácil. Além do desgaste físico e mental de quem se envolve nesse tipo de luta, Gabriela diz que chegou a se sentir ameaçada. "É muito perigoso quando a gente faz o que a gente acredita e tem resultado", diz (a partir de 14:15 do arquivo acima). Para mudar isso, é preciso um envolvimento da sociedade na política institucional e não-institucional. "Para que pessoas parem de morrer como a Marielle, a gente precisa estar disposto, enquanto sociedade, a proteger as pessoas que estão lutando pela gente. A gente precisa estar disposto a eleger vereador que vai assumir compromisso com o nosso bairro, a gente precisa estar disposto a eleger deputado que vai estar em sintonia e pensar em iniciativas para beneficiar pessoas de várias faixas etárias, de várias etnias, de várias classes sociais. É preciso eleger um presidente ou uma presidenta que vai considerar o Brasil como plural, como o que a gente é, um Brasil que deveria ser de todos", acredita.

"Enquanto nós não estivermos dispostos a proteger as pessoas que a gente ama, as pessoas em quem a gente acredita, e apoiar as pessoas que estão fazendo o que nós gostaríamos que fosse feito por nós e pelo nosso futuro, pelo nosso país, pela nossa sociedade, vai ser muito difícil", afirma (a partir de 15:11 do arquivo acima).

O conversa de portão é um podcast produzido pelo Nós, Mulheres da Periferia em parceria com UOL Plural. Novos episódios vão ao ar toda terça-feira. Este episódio foi apresentado por Regiany Silva, com produção de Carol Moreno, direção musical de Sabrina Teixeira Novaes, trilha sonora e edição de som por Sabrina e Camila Borges.

Os podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts e em todas as plataformas de distribuição. Você pode ouvir Conversa de Portão, por exemplo, no Youtube, no Spotify, no Google Podcasts e no Deezer.