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Papo Preto #8: Maxwell Alexandre fala sobre o mercado de arte

Colaboração para Ecoa, de São Paulo

31/10/2020 04h00

Poucos são os artistas que falam tão aberta e racionalmente sobre o mercado da arte quanto o carioca Maxwell Alexandre, nascido, criado e morador da Rocinha, e um dos grandes novos nomes da arte contemporânea brasileira. Apesar de sua carreira ir bem também neste quesito, isso não impede que Maxwell tenha uma visão própria e pragmática de como o mercado opera. E não o rejeita, o ressignifica. Esse é um dos assuntos abordados pelo artista no 8º episódio do podcast Papo Preto.

"O mercado da arte é bastante violento", diz (a partir de 9:35 do arquivo acima). "Eu nem sou o melhor exemplo disso, porque acho que minha carreira tá indo bem nesse sentido. Desde o início, estabeleci relações com a agentes muito poderosos do circuito e, consequentemente, isso me ajudou muito. Meu trabalho tava muito bom, eu tava pronto e consegui construir relações poderosas. Então, sei lá, em três anos eu tô conseguindo fincar bandeira em lugares de bastante prestígio". De fato, as conquistas de Maxwell são extraordinárias. Nesse curto período, fez exposições individuais em museus como Museu de Arte do Rio, Musée d'Art Contemporain de Lyon (França), e as solo já agendadas na David Zwirner London Gallery (Londres) e Palais de Tokyo (Paris). No Brasil, é representado pela galeria A Gentil Carioca, onde fez sua primeira exposição individual, em 2018.

A necessidade desses contatos já é parte da hostilidade do ambiente para quem vem de fora. Maxwell diz que não tem pretensão de mudar o mercado, que faz parte do desafio muito maior que é o sistema capitalista. Mas que pensa, sim, em como habita o circuito. "Acho que minha pretensão é mudar o circuito, falar dessa questão do hype, tá ligado? Não é todo mundo que tá no Moma que é bom. É um campo de elite, você precisa ser iniciado nesse campo. É muito difícil um artista que não tem relações conseguir adentrar a esse campo", afirma (a partir de 21:44 do arquivo acima).

Nesse sentido, seu desempenho também o interessa. "Óbvio que eu tô muito comprometido com a minha pesquisa, mas é óbvio que eu quero que meu quadro bata 100 milhões, tá ligado? Para quando alguém olhar para cá, falar 'pô, lá no Rio de Janeiro os valores também são de igual para igual'", explica (a partir de 17:01 do arquivo acima).

"Pelo fato de o mercado de arte contemporânea ser um campo muito fechado, de elite mesmo, essas questões não são tratadas. Acho que eu devo ser um dos poucos artistas que falam tão abertamente dessas coisas, né? Porque isso de fato me interessa, me interessa o campo como um todo, porque tem várias capitais aí que estão sendo negociados", diz (a partir de 17:41 do arquivo acima). "Eu tô interessado neles, interessado muito em capital simbólico. Por exemplo, quando eu falo de Rio de Janeiro como capital da arte contemporânea, tô falando de capital simbólico. A gente sabe que a arte é usada como barganha para medir o poder de uma nação, de um país, desde a Antiguidade".

Papo Preto é um podcast produzido pelo Alma Preta, uma agência de jornalismo com temáticas sociais, em parceria com o UOL Plural, um projeto colaborativo entre o UOL e coletivos independentes. Novos episódios vão ao ar todas as quartas-feiras.

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