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#BoasNotícias23/3: Salários, favela organizada e 100 mil doentes curados

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), durante coletiva sobre o coronavírus - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), durante coletiva sobre o coronavírus Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

De Ecoa, em São Paulo

23/03/2020 19h12

A realidade da quarentena está instalada, e agora a ideia de que não vai acabar amanhã se apresenta com a pergunta sem resposta do "então, até quando"? Mas o movimento continua, com vitórias diárias e a abertura de cada vez mais frentes de batalha.

Diariamente, Ecoa selecionará boas notícias para nos ajudar a enfrentar a nova rotina e nos manter orientados sobre a Covid-19.

Medida revogada

A ameaça de ter seus salários suspensos por quatro meses, que acordou surpreendendo os trabalhadores brasileiros nesta segunda-feira (19) graças à Medida Provisória 927 editada pelo presidente Jair Bolsonaro durante a noite, não vingou. O próprio presidente recuou do artigo 18 do documento no meio do dia.

A possibilidade de suspensão do pagamento por parte dos empregadores era liberada pelo governo Executivo sem nenhum pacote econômico ou medidas de proteção dos trabalhadores. À medida em que a previsão de tempo da sociedade em isolamento se torna maior, a tendência entre líderes do mundo tem sido a de incentivos econômicos e aportes históricos dos governos para garantir a subsistência da sociedade civil, proibindo demissões e garantindo os pagamentos devidos pelo setor privado.

Ricardo Matsukawa/UOL
Imagem: Ricardo Matsukawa/UOL

Sociedade organizada

Paraisópolis, a segunda maior favela de São Paulo, lançou seu próprio plano de combate ao coronavírus. Com um contingente de cerca de 100 mil moradores, boa parte deles trabalhando em atividades que não permitem a quarentena, o bairro criou uma organização própria formada por 420 Presidentes de Rua. Cada um será responsável por levar informações, mantimentos, kit higiene e doações a 50 residências pré-estabelecidas, garantindo assim a diminuição da circulação de pessoas.

O bairro não tem nenhum leito hospitalar e os moradores dizem que não são atendidos pelo SAMU. Por isso, pretendem conseguir uma ambulância destacada pelo poder público para ficar de plantão no bairro, ou terão que comprar uma. O plano ainda prevê a construção de uma estrutura de hospital de campanha que, na ausência de médicos, servirá de centro de acolhimento e isolamento. Para arrecadar os recursos necessários, foi aberta uma vaquinha virtual.

Sobreviventes

Mais de 100 mil pessoas já se recuperaram do coronavírus em todo o mundo, segundo um painel mantido pela Universidade Johns Hopkins (em inglês). Duas delas no Brasil.

Ciência em ação

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou o lançamento de um megaestudo global sobre as quatro hipóteses de tratamento mais promissoras até agora em casos da Covid-19. Chamado de SOLIDARITY, a ação é um esforço coordenado sem precedentes de coleta de dados científicos de porte durante uma pandemia. Em busca de resultados que tenham uso prático o mais rapidamente possível, o estudo focará em medicamentos e terapias que já existem, em vez de buscar uma cura do zero. A ideia é amenizar o impacto global de um vírus que leva cerca de 15% dos infectados a precisar de cuidados hospitalares e é capaz de quebrar qualquer sistema de saúde. Conseguir tratamentos que diminuam a necessidade ou tempo de internação é o foco imediato.

Serão testados o remdesivir, composto desenvolvido sem sucesso para combater o ebola; a combinação das drogas ritonavir e lopinavir, coquetel usado há 20 anos para tratar infecções de HIV; o mesmo coquetel acrescido do interferon-beta; e os antimaláricos cloroquina e hidrocloroquina. Originalmente, os dois últimos não seriam incluídos nos testes mas, segundo relatório da OMS, a atenção recebida por eles em alguns países - como EUA e Brasil, onde os presidentes deram declarações otimistas sobre a medicação - criou a necessidade de analisar novas evidências para informar decisões a respeito de seu potencial papel.

Acolhimento em situação de rua

A Prefeitura de São Paulo anunciou que vai implementar abrigos emergenciais exclusivos para pessoas em situação de rua com suspeita de infecção. Ao todo, serão cinco novos centros, com 400 vagas. A ideia é também aumentar o espaço entre beliches dos centros já existentes e minimizar a proliferação do vírus nesses espaços.

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