Juventude engajada

Como uma organização criada por jovens há 10 anos está ocupando espaços de decisão no Brasil e no mundo

Lígia Nogueira Colaboração para Ecoa, em São Paulo (SP) Divulgação/ Engajamundo

Em 2012, um grupo de amigas universitárias de São Paulo decidiu formar uma comissão para acompanhar de perto as discussões da Rio+20, conferência da ONU em Desenvolvimento Sustentável que reuniu lideranças políticas do mundo todo para avaliar os progressos das decisões tomadas duas décadas antes, durante a Eco-92.

Sabendo que muito pouco havia sido feito desde a conferência anterior, elas se muniram de coragem e força de vontade para levar ao centro da roda o debate de temas ambientais e ao mesmo tempo tornar a participação da juventude brasileira em negociações internacionais mais efetiva e inclusiva.

Ali elas estavam plantando as sementes do que se tornaria o Engajamundo, uma rede de jovens que está completando uma década de existência em março de 2023.

Ao longo dos últimos 10 anos, a organização de liderança jovem e feita para jovens que acreditam na importância da atuação da juventude para enfrentar os problemas ambientais e sociais do Brasil e do mundo se consolidou como uma das mais importantes do país e ampliou a sua atuação.

Após a pandemia, a sede foi deslocada de São Paulo para Olinda (PE) e hoje a diretoria executiva é composta por pessoas pretas, das regiões Norte e Nordeste.

Divulgação/ Engajamundo
Divulgação Ação em memória de defensores socioambientais assassinados, durante a COP27, no Egito

Ação em memória de defensores socioambientais assassinados, durante a COP27, no Egito

Pensar global e agir local

Levando sempre em conta o mote "pensar global e agir local", hoje a organização tem 24 núcleos em 18 estados brasileiros e reúne mais de 250 voluntários ativos e uma rede de 2.200 pessoas de 15 a 29 anos - quando se trata de povos indígenas, povos tradicionais e pessoas trans e travestis, o limite de idade sobe para 35. Os temas vão desde a crise climática até a igualdade de gênero, o direito à cidade e a defesa da biodiversidade.

Assim como o espírito jovem, criativo, curioso e engajado que faz parte da sua essência, "a organização como um todo é muito viva", diz a pernambucana Danielle de Amaral Silva, 24 anos, que faz parte da diretoria executiva ao lado da baiana Kinda van Gastel, 26.

Elas contam que a Engajamundo começou pensando na participação dos jovens nos debates sobre políticas públicas e, diante da necessidade de se expandir, atualmente está estruturada em quatro pilares principais: educação, mobilização, advocacy e participação.

Divulgação/ Engajamundo Diretoria executiva do Engajamundo em 2022

Diretoria executiva do Engajamundo em 2022

O Brasil é muito grande, com diversas culturas e realidades. O que está acontecendo em Pernambuco não é o que está acontecendo no Pará. Ter essa galera espalhada é bom porque é ela que vai falar sobre a sua realidade.

Danielle de Amaral Silva, diretora executiva do Engajamundo

Diulgação Frances, um dos diretores executivos, e duas voluntárias do Engajamundo em ação de incentivo à tiragem de título no Rio, em 2022

Frances, um dos diretores executivos, e duas voluntárias do Engajamundo em ação de incentivo à tiragem de título no Rio, em 2022

Levantar recursos é desafio

A organização recorre a financiamentos coletivos para levar comissões a eventos pontuais, como conferências, por exemplo.

"Tem funcionado, mas é um desafio para nós. Lutamos por estabilidade financeira", diz Kinda, explicando que o Engajamundo funciona por editais - já houve projetos realizados com organizações do Brasil e do exterior, como WWF-Brasil (Fundo Mundial para a Natureza) e ICS (Instituto Clima e Sociedade).

Uma experiência bem-sucedida foi realizada com a Diálogo Brasil (que dá aporte para outras organizações que trabalham com o tema socioambiental), em que as juventudes de Parelheiros (SP) atuaram produzindo lambes e mobilizando pequenos influenciadores que falam sobre pautas socioambientais. A autonomia que também é uma marca do Engajamundo faz com que muitas ações aconteçam de maneiras dispersas — afinal, trata-se de uma rede formada por muitos braços.

Para além do impacto quantitativo, as diretoras levam em consideração os diversos casos de jovens que fundaram as próprias organizações e que acabaram se tornando financiadores. "São as histórias das pessoas que se desenvolvem aqui e que desabrocham mesmo, que começam a se sentir confiantes para trazer suas pautas e se movimentar", afirma Kinda.

Advocacy pode ser uma palavra estranha, mas a gente tentar mostrar que não é um bicho de sete cabeças. A partir de ferramentas e estratégias de ativismo, lobby e comunicação a possibilidade de criar um impacto maior é tremenda.

Kinda van Gastel, diretora executiva do Engajamundo

Engajamundo é uma organização de liderança jovem e feita para jovens que acredita na importância da atuação da juventude para enfrentar os maiores problemas ambientais e sociais do Brasil e do mundo. Ela é parceira estratégica do 2º Prêmio ECOA na categoria Jovens Causadores. Conheça o trabalho em www.engajamundo.org

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