PUBLICIDADE
Topo

Rodrigo Hübner Mendes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Dia do Livro: o que comemorar, o que refletir?

Fly View Productions/iStock
Imagem: Fly View Productions/iStock

Rodrigo Hübner Mendes

29/10/2021 11h17

Nesta sexta (29), comemora-se o Dia Nacional do Livro. Criado em 14 de dezembro de 1966, a partir de projeto de lei do deputado Ítalo Fittipaldi, filho e irmão de livreiros, a data rememora um marco importante na nossa história: a inauguração da Biblioteca Nacional, em 1810, por determinação do príncipe regente dom João VI. Originária da Biblioteca Real portuguesa, essa instituição foi considerada uma das dez maiores bibliotecas nacionais do mundo pela UNESCO, em 2013.

Esse assunto permeia mais uma das tantas contradições deste país. O brilhantismo histórico da nossa Biblioteca Nacional convive com um contexto obscuro. Entre 2015 e 2019, 4,6 milhões de pessoas abandonaram o hábito da leitura, segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. O estudo baseia-se nas pessoas com mais de 5 anos de idade que leram ao menos um trecho de um livro, nos três meses anteriores à coleta de dados.

Como diz o amigo Mario Sérgio Cortella, o livro representa o primeiro veículo de ensino à distância na história da humanidade. Mesmo com o derretimento do volume de aquisições no formato impresso, é ainda uma ferramenta fundante do desenvolvimento humano. As versões digitais, além de trazerem funcionalidades interessantes para qualquer leitor, viabilizam o uso por parte de uma grande parcela da população que depende de recursos de acessibilidade, como a transformação do texto em áudio, a variação de contrastes, a ampliação do texto etc.

Como um exemplo a ser seguido, merece ser divulgado o programa "Leia para uma Criança", desenvolvido pelo Itaú Social, que distribui títulos gratuitamente e incentiva a leitura do adulto para e com a criança como uma oportunidade de fortalecimento dos vínculos. O programa oferece também livros com os referidos recursos. Quatro dos livros favoritos de Renato, filho de 3 anos de minha amiga Luiza, fazem parte da iniciativa.

Quando vamos poder celebrar o grande feito de dom João VI, considerando toda população brasileira? Para não ficarmos somente na queixa, é bom lembrar que é papel de cada brasileiro que teve a oportunidade de receber uma educação de qualidade incentivar o hábito de leitura naqueles que estão ao seu redor. Ler para uma criança na primeira infância é um presente que ela levará como repertório para a vida toda. O conhecimento presente nos livros é, na verdade, a gramática e o vocabulário necessários para escrevermos coletivamente as páginas ainda em branco de nossa história futura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL