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Mari Rodrigues

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sobre as pessoas que amam de menos

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Imagem: iStock

Mari Rodrigues

17/07/2021 06h00

Baseando-me em algumas conversas que tive recentemente, me fiz a seguinte pergunta: será que sou emocionada demais ou será que as pessoas com quem me relaciono são emocionadas de menos? Seguindo esse fio, devo fazer uma outra pergunta: relações intensas vão rarear no mundo ou só me falta estar nos lugares certos?

Considero-me uma pessoa intensa em tudo que vivo. Não existe uma coisa mediana, sem sal; preciso sentir demais ou sentir de menos. Isso parece assustar as pessoas. E me assusta também. A todo tempo nos pedem normalidade, ou melhor, medianidade. E a todo tempo prefiro mostrar intensidade, ou melhor, extremidade.

Já tentei por muito tempo ser normal para agradar sei lá quem. Não consigo prefiro: passar por dramática e desesperada. Acho que quem não gosta de mim de cara não vai gostar de mim depois. E prefiro ficar sabendo logo a ficar arrastando isso por tempos. Prefiro alguém que diga logo a que veio, a alguém que não se decide e prefere ficar levando as coisas em banho-maria.

Porque o banho-maria é bom para algumas coisas, mas não para os relacionamentos. Estes foram feitos para pessoas que sentem, para pessoas que se entregam. Hoje mesmo, li que a gente precisa normalizar os altos e baixos. Isso é verdade; numa construção duradoura, a gente precisa saber lidar com os momentos mornos da relação.

Mas é inegável que a relação precisa de impulso para se tornar duradoura e podermos lidar com os momentos mornos. E nem sempre esse impulso é morno, nem sempre esse impulso é certinho e ordenado, e nem sempre esse impulso é racional e controlado. Paixão surge arrebatadora, sem controle. E está tudo bem.

O que me assusta é que muita gente parece que ama de menos, e se assusta com a intensidade das paixões. E isso nada tem a ver com altos e baixos; tem a ver com a vontade que a pessoa tem de amar. A quem prefere uma relação morna e sem graça, tudo bem. Mas não seja uma pessoa que ama de menos. Eu fico com a minha intensidade. Amo demais e tento ser feliz.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL